Crenças para atrair ajuda divina (ou dos espíritos) para o casamento

Nas mais diferentes épocas e civilizações, o momento em que um casal se une para constituir uma família sempre teve grande importância, sendo celebrado por ritos sociais e religiosos cheios de significados. Com a passagem do tempo os hábitos antigos são adaptados ou reinterpretados de acordo com mudanças religiosas e sociais. Aos ritos das religiões modernas se misturam antigas heranças de costumes pagãos, e mesmo práticas vindas de outras partes do mundo que se incorporaram às tradições de casamento. Poucas coisas são tão universais quanto a importância que se dá a este momento, e a origem de alguns dos costumes que o rodeiam se perde no tempo ou funde elementos de diversas épocas e culturas.

Uma das crenças mais disseminadas sobre o casamento é que o noivo não deve ver a noiva com seu vestido antes da cerimônia. Em tempos primitivos, a mulher que estava prestes a se casar passava um período de reclusão antes de entrar na vida de esposa e mulher adulta. Variações deste costume existem hoje em muitas culturas. No casamento islâmico, por exemplo, os noivos só se vêem depois da cerimônia, durante a qual homens e mulheres ficam separados, e um representante da noiva (em geral, o pai) responde por ela perante o noivo e o celebrante. Mesmo em nossos tempos, em que muitos casais já moram juntos antes do casamento, é comum que noiva e noivo passem a noite antes do casamento separados.

A primeira coisa que se associa a uma noiva, o vestido branco, na verdade não é uma tradição tão antiga assim. Até o século XIX, as noivas simplesmente usavam seu vestido mais bonito para casar, como em qualquer outra ocasião especial. Vestir branco, cor símbolo de pureza, entrou em moda depois do casamento da rainha Vitória, da Inglaterra, em 1840, em que ela escolheu usar a cor, que tradicionalmente simbolizava o luto da realeza. O hábito só se atingiria a predominância atual em meados do século XX. O uso do véu, por outro lado, é muitíssimo mais antigo, remontando à Roma antiga, onde era considerado proteção contra maus espíritos. Em outras culturas, ele simboliza a castidade da noiva, e a mantém escondida do noivo até eles estarem casados.

Para uma moça solteira se casar logo, ela pode escrever seu nome na barra da saia da noiva. Outro método é escrevê-lo sete vezes em uma fita azul, e (agora vem a parte difícil) convencer a noiva a usá-la amarrada na cintura enquanto se casa. Um argumento que se pode usar é a crença de que usar algo azul protege a noiva da inveja das solteiras. O modo mais simples e mais conhecido de garantir casamento em breve é mesmo pegar o buquê da noiva.

O próprio buquê tem explicações diversas. A mais antiga é que ele era usado na Grécia para afastar o mau-olhado. Com o catolicismo, ele incorporou outro simbolismo: sendo carregado na frente do ventre da noiva, representa as flores que antecedem os frutos, ou seja, os filhos do casal. Também se acredita que se a noiva usar algo emprestado de sua mãe, avó ou outra familiar que seja feliz no casamento, ela terá a mesma sorte. Na saída da igreja, a chuva de arroz jogada sobre os noivos vem de uma crença chinesa milenar, segundo a qual o arroz traz prosperidade e fertilidade.

Finalmente, quando o casal chega em casa, é tradição o noivo carregar a noiva. A origem mais conhecida para esse hábito também é oriental: a mulher estaria vulnerável a maus espíritos na casa ou quarto do casal, e o noivo a carrega para impedir que ela pise neles. A religião hindu também tem este costume, a noiva não deve encostar na soleira da porta. Na tradição do norte da Europa, carregar a noiva simboliza também o passado remoto em que o noivo a raptava.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.