“Escolhi o vestido de noiva antes de encontrar o marido”

Conheça a história da médica que teve paixão à primeira vista pelo vestido e “amor a prestações” pelo noivo

Fernanda Aranda, iG São Paulo | 17/11/2011 08:04

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Aos 36 anos, a médica Cássia Bossi Semmelmann paquerou e se encantou. Foi paixão à primeira vista e veio a certeza de que não era preciso procurar mais. Nada iria servir de forma tão perfeita como ele. Não foi necessário um só ajuste: eles poderiam sair juntos, direto para o altar. Só faltava o noivo.

Afinal, toda a história descrita acima fala do encontro e da paixão fulminante de Cássia por um... vestido de noiva.

Foto: Edu Cesar/Fotoarena

Cássia com o vestido, hoje, e no dia do casamento: a médica escolheu a roupa antes mesmo de escolher o noivo

No dia em que assinou o cheque para a loja da rua São Caetano, em São Paulo, conhecida como a “rua das noivas” devido às lojas especializadas, a médica nem havia recebido a proposta de matrimônio. Saía despretensiosamente com um novo namorado, conhecido há 20 dias. Porém, por ele, o amor foi construído a prestação.

Era uma vez

“Eu já tinha muitas desilusões amorosas colecionadas, anos de análise e cheguei aos 36 anos solteira, mas bem resolvida”, lembra Cássia, hoje com 52. Entre os 20 e 30 de idade, a médica perdeu as contas de quantas cerimônias e de quantos preparativos de casamentos ela participou. “Quase todas as minhas amigas já tinham passado por isso”, pontua. “Apesar de ainda ter vontade de encontrar um companheiro para toda a vida, estava tão realizada comigo mesma que tudo bem se o par perfeito não aparecesse”, pensava.

No dia 25 de janeiro de 1995, aniversário da cidade de São Paulo, Cássia recebeu um telefonema da mãe. “Ela me convidou para almoçar e insistiu tanto pela minha presença que eu não tive como negar”, diz.

Cássia vestiu o vestido surrado que tinha na gaveta, pegou dois ônibus e chegou atrasada para o encontro familiar. “Estava tudo muito estranho. Minha mãe tinha feito a minha comida preferida, estava toda maquiada”. Já com a pulga atrás da orelha, Cássia percebeu a presença de dois convidados. Uma amiga da mãe dela e o seu filho, apresentado desta forma: “olha Cassinha, este é o Wolfgang Semmelmann, filho da Dona Gertrudes. Tem 35 anos como você e é engenheiro! E assim como você também, ele está solteiro”, disseram as amigas quase em coro.

Pronto. Cássia entendeu a armação do encontro. Aquele constrangimento no ar, sobremesa e café servidos e Wolf ofereceu carona. No carro, falaram de forma direta. Ela disparou que tinha um problema no ovário e jamais poderia ter filho. Ele disse que tinha infartado aos 35 anos e não gozava de boa saúde. A conversa foi embaralhada e terminou com aquela sensação de que, talvez, não fossem repetir a dose. Ele disse que telefonaria no dia seguinte. Ela deu de ombros e nem cogitou receber a ligação.

Foto: Edu Cesar/Fotoarena Ampliar

O vestido de noiva de Cássia

Dia divertido

Mas Wolf, como havia prometido, ligou no dia seguinte. “Saímos umas três vezes, mas os meus pés não saíram do chão. Ele era diferente. Eu me sentia segura, à vontade”, conta. Cássia não tinha frio na barriga, mas sentia “calma no coração”. Em fevereiro aceitou namorar o “filho da amiga da mãe”, mas sem planos audaciosos de envelhecer juntos.

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“Algumas semanas depois que eu comecei a namorar, tive uma rara folga no hospital, mas o Wolf iria trabalhar. Tive uma ideia maluca e convidei uma das duas meninas que dividiam o apartamento para ir comigo”, lembra Cássia. “Falei para ela que nós já estávamos com 36 anos, mas nunca tínhamos provado um vestido de noiva. Só para tirar um barato, podíamos ir até a Rua São Caetano, experimentar uns modelos”.

A amiga topou. “Foi o dia mais divertido. Entramos em todas as lojas, provamos aqueles modelos bem bregas, de mangas bufantes que pareciam bolo com glacê. Era tanta risada que nenhuma atendente entendia direito os nossos propósitos”.

Até que entraram em uma loja e Cássia foi atendida por um estilista árabe que perguntou “qual é o modelo dos seus sonhos?”. Cássia fechou os olhos, descreveu, pediu cor pérola e não branca e ficou completamente apaixonada pelo croqui. A paixão foi reforçada depois da roupa trazida pelo vendedor. “A cauda do vestido não era fixa. Sem ela, virava um tubinho chique. Comprei. Estava encantada”.

O estilista disse que seriam necessárias mais algumas provas e Cássia desconversou quando ele perguntou a data do casamento. Foi para casa matutando o que faria com um vestido de noiva. Mas foi embora feliz.

Foto: Edu Cesar/Fotoarena Ampliar

Oito meses depois de ter comprado o vestido, Cássia recebeu a proposta de casamento. Os três - ela, o marido e o vestido - estão juntos até hoje

Cadê o pedido?

Os dias passaram, os meses viraram e Wolf já era o companheiro que Cássia sempre esperou. Intercalado com os jantares, viagens, discussões e planos que a médica e o engenheiro faziam juntos, o árabe da Rua São Caetano telefonava insistentemente. “Ele perguntava quando eu iria buscar o meu vestido, que já estava pronto, bordado e me esperando. E eu já não sabia qual desculpa esfarrapada usar”, diverte-se.

Em outubro, a irmã de Cássia que morava na Espanha avisou que voltaria ao Brasil. “Contei para o Wolf que faríamos um jantar de boas vindas e quase desmaiei com a sua resposta. “Por que a gente não aproveita o ensejo e fica noivo?”, sugeriu ele. “Dei um sorriso, respondi sim imediatamente. Ele já era o marido ideal”.

No dia seguinte, Cássia ligou para o estilista. “Tô indo provar o meu vestido no sábado. Vou casar em maio do ano que vem”.

Na véspera do Dia das Mães de 1996, Cássia casou com o seu “amor a prestações”, vestida com “a sua paixão à primeira vista”. “Foi uma cerimônia linda. O Wolf já era meu príncipe, só melhorou com o passar do tempo. Somos amigos, cúmplices, amantes”. O vestido deu o toque especial e, depois de dançar até as 5h da manhã daquele dia, foi para o armário, em uma espécie de santuário, feito para que nada atrapalhasse a roupa que virou testemunha daquela relação.

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11 Comentários |

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  • Ana Maria | 02/12/2011 23:19

    Adorei!!!...principalmente porque amor bom é assim, não faz a gente sentir frio na barriga, mas calma no coração...como eu senti quando reencontrei o que vem a ser meu marido, amante, cúmplice.

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  • Yra doce | 24/11/2011 03:28

    Uma bonita história.\n\nCada um tem a sua,,,e gostei muito dessa.\n\nDestaco a maneira como ela contou....\n\nFicou mais leve....romântica.\n\nE a vida precisa dessas delicadezas.\n\n

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  • Rosana | 17/11/2011 21:03

    Acredito que para as mulheres românticas o vestido de noiva faz parte de uma grande simbologia cheia de encantos e sonhos. E essa história não retrata uma mulher louca para casar a qualquer custo e sim, uma linda história que faz parte da vida de muitas mulheres. Parabéns! Q. vocês consigam envelhecer juntos e serem muito felizes!!! O mais importante sempre será o amor.

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  • Patricia Mayer | 17/11/2011 14:57

    Sensacional o texto Fernanda, Parabéns!!

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  • Nivaldo Gomes | 17/11/2011 14:37

    Apesar de chamar Blatter de branquicelo, não sou racista nem preconceituoso. No caso do vestido de noiva, acima, a médica estava certíssima, e, serve de exemplo para as outras solteironas, porque, neste mundão que se triplicou o contigente de "bambis" tá fificil de encontrar um machão como eu, kkkk, putz! será que sou?\n

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  • Ana | 17/11/2011 14:35

    ahhh,,,tá ...esperança sem limites

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  • Isabela. | 17/11/2011 13:39

    Q jóia...mt bonitinha essa história, bem romântica.

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  • Zélia | 17/11/2011 13:07

    Também casei em 1996 com 36 anos, também fui apresentada pelos amigos, que também armaram para nós nos conhecermos.\nConheci meu esposo em um casamento na igreja que frequentava, ele era viuvo e eu solteirona.\nNo dia que fui ao casamento da irmã da igreja, estava já disiludida em ir aos casamentos dos outros e não ir ao meu, mas mesmo assim resolvi ir de última hora arrumei meu cabelo e me vesti.\nQuando fui apresentada, o meu esposo falou que naquela igreja tinha bastante moças bonitas e aí a irmã que era tia da noiva falou: tem sim, inclusive esta aqui apontando para mim\nPassado alguns dias me convidaram para um almoço na casa de uns amigos , armado para nos conhecermos melhor \nO vestido de noiva foi alugado, mas muito bonito, também não era branco, era marfim todo bordado, bem cinturado, naquele tempo era mais magra, tinha a cintura mais fina\nHoje tenho um filho de 14 anos e sou feliz, amo e sinto que sou amada.

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  • Khaled | 17/11/2011 12:15

    Ridículo. \nEstá parecendo minha prima. Que beirando os 4.0, não aguentava mais a "solteirice", e só dizia:\nQuero me casar!. E nós perguntávamos á ela: Mas casar com quem?. E ela respondia: Quero me casar! ... Ou seja, não importava com quem. Ela morria de medo de ficar solteira. \nAté que um dia ela mudou de religião e virou crente, (deve ter pego raiva do Santo Antonio). Começou a frequentar os encontros do tipo, "Terapia do Amor", e se casou, dentro de um ano.\nCasamento virou contrato, e o amor... (esse já se foi!) . Só se importam as conveniências, onde o vestido é mais importante, do que o amor.

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    Rose | 21/11/2011 16:39

    Puxa q coisa feia de se falar....a histórioa é bonita sim..e ela não estava desesperada pra casar...muito pelo contrario...acho q isto é inveja ou faltat de coragem de assumir..q o amor é lindo...

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