Boa sorte, amor e prosperidade são sempre desejados para os noivos. Mas cada lugar do mundo tem o seu jeito de fazê-lo

Casais se unem e constroem uma família juntos desde os tempos primitivos. Leis e religiões, como o Judaísmo e Cristianismo, formaram rituais e costumes diferentes pelo planeta. Herdadas da China e da Europa, as superstições almejam o mesmo – trazer boa sorte, amor e prosperidade – mas se manifestam ao redor do mundo de formas bem diferentes: de moedas e nomes colocados no sapato a detalhes azuis escondidos sob a roupa da noiva.

Presentes e prosperidade

O ato de presentear é universal. Ele expressa o desejo dos amigos e familiares pelo sucesso da união – e, consequentemente, pela extensão da comunidade e procriação. Mas cada país tem seu jeito de fazer isso. No Brasil , os noivos ou seus pais pagam pela festa, enquanto padrinhos garantem os melhores presentes ou bancam a lua de mel. Em outros lugares, mais convidados podem ajudar a custear as despesas da festa. Nas Filipinas , o orçamento do casamento é responsabilidade dos melhores amigos. Ser convocado para tal posição é tão importante como ser padrinho ou madrinha (leia outras tradições depois da galeria abaixo) .

México e Estados Unidos têm a “dança do dólar” e um convidado pode pagar para dançar com os noivos, conta Mark McCum no livro "Viagem sem Gafe". Nas Filipinas , também ocorre uma dança similar à do dólar, mas lá a noiva recebe uma “chuva” com o dinheiro arrecadado, para trazer prosperidade.

No Japão , também é costume dar dinheiro como presente. Os parentes têm o cuidado de dar notas novas, sem dobrá-las, em posição e envelope especiais. A qualidade do envelope revela o quanto de dinheiro tem dentro dele. Já na China , os idosos da família dão dinheiro em envelopes vermelhos, durante o ritual. Aliás, a cor vermelha é o centro do casamento chinês. Ela está presente no vestido da noiva, nos convites, nas caixas de presente e até na decoração da casa dos noivos. Vermelho significa amor, alegria e prosperidade.

Véu, grinalda e aliança

Jogar arroz nos noivos também é comum em muitos países. A tradição nasceu na China e simboliza o desejo de uma vida farta aos noivos, já que o arroz era considerado o símbolo de fartura na época.

Alianças também transcendem culturas, países e religiões. O costume teve início no Egito Antigo. Eles produziam anéis de cânhamo, couro, ossos e marfim para representar os laços de uma união. A escolha do quarto dedo da mão esquerda, cujo uso perdura até hoje, não foi à toa: acreditava-se que por ali passava uma veia diretamente ligada ao coração.

E o trio vestido branco, cauda longa e véu ficou famoso com a influente Rainha Victoria, que se casou em 1840, na Inglaterra , com um longo vestido branco e um véu cobrindo o rosto. A ideia passou a inspirar noivas em todo o mundo.

Quem será a próxima a casar?

Na maioria dos países em que prevalece a religião cristã, as noivas jogam o buquê de costas, por cima dos ombros, para as convidadas. Quem pegar o buquê é a próxima a se casar. Já na Turquia , as amigas da noiva escrevem o seu nome no sapato da noiva. O primeiro nome que apagar até o fim da cerimônia é o da próxima a se casar.

No México , país de forte tradição católica, o buquê não indica quem é a próxima a dizer o “sim”, mas tem forte simbolismo religioso: antes de deixar a igreja, a noiva simplesmente o deposita aos pés da imagem da Virgem Maria.

Na Espanha , são os homens que descobrem quem é próximo a se casar: o primeiro amigo que cortar a gravata do noivo logo pisará na igreja. No Brasil , a gravata já tem outro papel: arrecadar dinheiro. Cada convidado que contribuir com o casamento leva para casa um pedacinho da gravata do noivo.

Para dar sorte

Comum nos Estados Unidos , a rima “something old, something new, something borrowed, something blue” nasceu na Inglaterra. Ela reza que a noiva deve usar, durante a cerimônia, algo velho, algo novo, algo emprestado e algo azul. O velho simboliza a continuidade, o novo, a esperança. O que vem emprestado é símbolo de um futuro de felicidade concedido por um amigo da família. Já o azul representa a pureza.

Na Austrália , o que simboliza esperança e alegria no futuro dos casamentos é a Bíblia da família, passada de geração para geração. Diz o costume que a noiva deve dar a bíblia de presente ao noivo. Na Suécia , a mãe da noiva dá uma moeda de ouro para ela colocar no sapato direito e o seu pai lhe dá uma moeda de prata para ser colocada no sapato esquerdo. Com o costume, eles garantem um bom futuro para o casamento da filha.

Para garantir a sorte no casamento, muitos acreditam que a noiva deve ser carregada no colo até dentro de casa, prática também comum no Brasil . Na Dinamarca , é tradicional decorar a frente da casa com um arco feito de ramos de pinheiro, chamado de “portão da honra”. Já na Noruega , os amigos e vizinhos plantam dois pinheiros, um em cada lado da porta da frente, como símbolo de fertilidade ao casal. Na Rússia , no casamento civil, os noivos recebem pão e sal, simbolizando saúde, prosperidade e vida longa.

Discurso

Nos filmes norte-americanos e europeus é comum ver muito discurso em diversos tipos de cerimônia. A maioria dos países mantém a tradição, mas com algumas diferenças entre si. Segundo o escritor Mark McCrum, a Austrália e Nova Zelândia seguem o costume criado no Reino Unido : além da fala emotiva do pai da noiva, o padrinho tem que relatar histórias constrangedoras do passado do noivo. No Japão e na Alemanha também há discursos, mas só com comentários positivos. Nos Estados Unidos , além dos discursos, durante a cerimônia, a noiva e o noivo têm o costume de ler seus votos, escritos por eles mesmos.

Sumiço dos noivos

Na Dinamarca surgiu a tradição do sumiço dos noivos. A certa altura da recepção, o noivo desaparece e todos os homens jovens e solteiros podem beijar a noiva. Em seguida é a vez da noiva desaparecer, enquanto todas as meninas da festa ganham um beijo do noivo.

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