“Taxa do livrinho” é ilegal para o Procon

Prática comum em muitas igrejas, exigência imposta aos noivos para contratar apenas profissionais listados fere o direito de livre escolha

Camila de Lira, iG São Paulo | 26/08/2011 16:33

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Se você vai casar na igreja, certamente se deparou com recomendações de todos os tipos. Desde o tipo de decoração e música permitidas até o local onde os fotógrafos devem se posicionar. Tudo isso deve ser respeitado. Mas se a igreja em questão também quer definir com quais fornecedores você pode contar, está na hora de se questionar.

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Noivas estão bastante familiarizadas com os chamados “livrinhos” ou “guia dos noivos”, comuns nas igrejas. Mas, segundo a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon - SP), eles são ilegais. “Em alguns casos, o livrinho serve para proteger os noivos. Como muitas empresas davam golpes, as igrejas passaram a exigir o CNPJ e o contrato social para poder indicar aos noivos. Em outros, foi mesmo criado para arrecadar dinheiro para a igreja”, comenta o fotógrafo especializado em casamentos Célio Coscia.

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De acordo com Maíra Feltrin Alves, assessora técnica do Procon, as igrejas podem fazer exigências com relação ao espaço, mas não com relação aos serviços a serem contratados. “O consumidor deve ter a liberdade de contratar os profissionais que eles achem adequados”, diz Maíra.

Cerimonialista exigido

“Pode haver uma lista como mera sugestão, não como imposição. Não há motivos na lei para impedir que qualquer outro profissional atue na igreja”, atesta Maíra. Não foi como mera sugestão que a noiva Ana Paula Jacinto, que se casou em março do ano passado, recebeu as recomendações da Matriz de São José, em Mogi Mirim, estado de São Paulo.

Segundo Ana, ela foi obrigada a usar o serviço de cerimonial da igreja. “Descobri quando fui marcar a data que as cerimonialistas que tinha contratado para a minha festa não poderiam por os pés na igreja, apenas na escada. Elas foram para me ajudar com alguns detalhes e ficaram no meio da praça”, lembra.

Além da exigência, relembra a noiva, os cerimonialistas da própria Igreja não fizeram um trabalho exemplar. “Eles abriram a porta quando os clarins estavam tocando. Ou seja, quando a marcha nupcial começou a tocar, eu já estava no meio da igreja. Foi um desastre”, diz Ana. Ela ainda conta que os cerimonialistas da igreja destrataram a sua mãe e desorganizaram toda a ordem que a noiva tinha imaginado para a cerimônia. “Tenho certeza que teria sido tudo perfeito se eu usasse as cerimonialistas que queria”, diz.

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Foto: Reprodução Ampliar

Reprodução do guia dos noivos da Paróquia São Luís Gonzaga, em São Paulo, disponível na internet

"Investimento de marketing"

Nem todas as igrejas proíbem fornecedores de fora de sua lista. Algumas delas permitem ao casal contratar serviços não listados mediante o pagamento de uma taxa. A analista comercial Carolina Leite vai se casar em fevereiro do ano que vem e diz que a multa para contratação de uma decoradora não credenciada era de R$ 500. “Tive que ficar com a decoradora da igreja mesmo e não a que está trabalhando na minha festa. Contra a minha vontade”, diz Carolina.

Givanildo Costa, secretário da Paróquia São Luis Gonzaga, explica que as taxas cobradas pela igreja não são cobradas dos casais, e sim dos fornecedores. Mas admite que, no fim, os fornecedores não têm muito a fazer a não ser repassar as taxas para os noivos. “A maioria das empresas acrescenta a cobrança extra no valor do serviço”, confirma Célio. Na visão da técnica do Procon, a cobrança de taxas não se justifica, porque o consumidor tem a livre escolha garantida por lei.

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Para fazer parte do livrinho, os profissionais também pagam uma taxa. Givanildo define o valor como um investimento a ser feito por parte dos fornecedores. “Quem se cadastra, paga e faz um investimento de marketing e divulgação. Muitos noivos vêm aqui e pedem informação sobre casamento, então damos o guia dos noivos”, diz.

Segundo o padre Antônio Aparecido Pereira, porta-voz da Arquidiocese de São Paulo, não existe exigência ou recomendação alguma do clero ou da hierarquia católica para o uso e distribuição do “livrinho”. “É uma iniciativa de cada paróquia”, afirma.

Existe, sim, uma recomendação da Igreja Católica sobre o valor da taxa para realização de um casamento: ele não pode ser maior que o valor de se casar no civil. “Criou-se uma indústria do matrimônio, quando, na verdade, o que é preciso para se casar são apenas um homem e uma mulher que se amam, um padre e duas testemunhas”, diz Antônio.

Comum, mas ilegal

“A gente sempre desconfia que essas taxas estipuladas pela igreja não são legais. Mas todas agem da mesma forma”, diz a noiva Carolina. Como a maioria dos casais prefere não criar mais problemas no meio da organização do casamento, as paróquias dificilmente são acionadas.

Maíra Feltrin recomenda ao casal enviar uma carta para o padre responsável pela paróquia, com uma solicitação formal dos serviços que os noivos desejam usar. Se a carta não funcionar, o casal ainda pode tentar uma conversa ao vivo antes de acionar o Procon. “Como consumidores, os noivos devem questionar caso se sintam prejudicados”, finaliza.

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9 Comentários |

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  • Arlindo | 29/08/2011 14:18

    Isso não é seleção de profissionais até porque as igrejam nos mesmos livrinhos dizem que não se responsabilizam pela qualidade do serviço prestado pelos indicados.\nIsso é simplesmente uma fonte de renda a mais, que onera os noivos e promove o corporativismo de maneira ilegal.\nA seleção quem deve fazer são os noivos e o mercado, os livrinhos de igreja não garantem um bom serviço!!!

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  • Fabiana | 29/08/2011 13:04

    Eu me casei na Igreja Católica e nada me foi cobrado para isso... Meu casamento foi perfeito, tudo lindo da maneira que eu queria e a Igreja não me cobrou nada. acredito que isso depende muito da denominação da Igreja ou dos pastores e padres. Conheço muitos pastores que são mentirosos e usam da fé das pessoas para ter mais dinheiro, tenho amigas filhas de pastores que dizem mesmo que a unica "profissão" do pai e ser pastor e ganham muito enganando as pessoas, da mesma maneira devem existir padres que fazem o mesmo.\nMais cada um é dono de sua consciência aceita quem quer.

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  • CLAUDIA | 27/08/2011 13:41

    Um absurdo cobrar para ter uma benção para casar, exigências coisas sem fundamento, eu casei, liguei para a igreja que eu queria casar que era uma evangélica, eu tinha direito de fazer a decoração que eu queria e o pastor iria celebrar o casamento e nada seria cobrado, por fim devido a um problema de locomoção, o religioso e o civil foi feito no local da festa e não paguei taxa de nada, só os papéis do civil, o pastor foi e fez uma linda pregação e não me cobrou nada, ficamos muito felizes.

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  • Luiz Henrique Anjolim | 27/08/2011 12:18

    Casamento é SACRAMENTO deixado por NOSSO SENHOR JESUS CRISTO A SER ADMINISTRADO PELA IGREJA CATÓLICA.\nPortanto na igreja atenham-se apenas ao sacramento. Deixe o EVENTO PARA O SALÃO DE FESTAS.

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  • Marcos | 27/08/2011 11:29

    É bom escrever que se tratam de igrejas apóstolicas católicas romanas. Hoje, existem milhares de igrejas de diferentes denominações e a reportagem nem ao menos identifica a igreja que faz isso!!!!

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  • Guido | 27/08/2011 10:28

    Toda associação tem um regulamento, senão vira baderna. Os profissionais que são autorizados a prestar o serviço na igreja já sabem como se comportar. Já pensou se todos os casamentos e batizados que são realizados fosse contratados profissionais diferente! Já fui em casamento onde o casal só pensou na parte da festa e social, os fotógrafos tomaram conta do altar para filmar e fotografar o padre tinha que ficar esperando para prosseguir a cerimônia. O casamento religioso é uma cerimônia religiosa onde o casal está pensando em uma benção de Deus para a vida a três, Homem, Mulher e Cristo. Não é uma ato meramente social. Percebo que os que reclamam são desse tipo.

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  • Enrique | 27/08/2011 08:33

    Em B.H também é assim. Uma vergonha, você contrata quem quer. Eles tentar fazer com que feche com os músicos que tocam na Igreja, ora se os profissionais são bons não precisa não precisam ser empurrados à força. Tomara que isto mude!!

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  • Adriano | 27/08/2011 07:38

    Infelsmente, se cobra pra tudo neste pais, se existem dizimistas, ofertantes nas igrejas porque cobrar qualquer outra coisa? o casamento no religioso nada mais é do que o Padre ou Pastor ou outro líder religioso, invocar a benção de Deus no matrimonio. Como posso eu cobrar algo que não é meu e que recebi de Graça vem de Deus a benção.\nFICA A QUI MINHA INDIGNAÇÃO, sou Pastor e na minha igreja não cobro nada, nem o espaço, nem a cerimônia, nada mesmo e quando o casal é simples não tem condições de enfeitar a igreja, nós fazemos tudo, pois uma alma vale mais que o mundo inteiro.

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  • Pacifico | 26/08/2011 19:47

    Tem que selecionar sim pois nem todo profissional sabe os momentos exatos para fotos, etc, ou as músicas adequadas. Muitos fotógrafos focam atravessando o altar na hora errada de maneira errada simplesmente "porque está trabalhando" e os músicos também listam músicas inadequadas para o ambiente.\nPor isso que os casamentos hoje tem muita fachada, muito desfile de moda, miotas mulheres querem se vestir melhor do que as noivas.\n

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