Quem casa quer casa: alugar ou comprar?

Onde morar é uma das questões mais importantes que todo casal tem que responder. Inúmeros fatores influenciam a decisão: a estabilidade do próprio teto contra a incerteza quanto ao futuro, planejamento financeiro e de vida, comprometimento. É inevitável surgir a dúvida entre comprar e alugar, e não há uma resposta certa para todos os casos.


Alugar
O economista Gustavo Cerbasi, autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, defende o aluguel da primeira moradia. Ele sugere que casais jovens e sem filhos comecem alugando um apartamento pequeno, de um valor que permita fazer alguma poupança: Na fase inicial, quando o casal ainda estuda ou trabalha muito, não tem filhos e recebe pouco em casa, não há muito uso do imóvel. Para ele, é vantajoso não comprometer o orçamento com prestações ou um aluguel alto e poder começar a poupar para o futuro, fazendo, por exemplo, um plano de previdência. Alugar também dá ao casal flexibilidade para se mudar caso surja alguma oportunidade. Mais tarde, quando as carreiras e os planos dos dois estiverem mais consolidados, eles podem comprar o apartamento dos sonhos, onde querem fincar raízes, ver os filhos crescerem e fazer amizades dando um sinal maior e fazendo um financiamento mais curto, pagando menos juros.

O sacrifício de viver numa casa menor do a que o casal poderia ter é compensado no futuro, com a estabilidade financeira proporcionada pela poupança. Cerbasi defende que ela não faz bem só ao bolso, mas também ao relacionamento: não existe rotina, o que existe é falta de verba.


Comprar
Márcia Amaral Moraes, gerente de vendas da imobiliária Maber, diz que a grande disponibilidade de crédito imobiliário facilita muito a compra da casa própria: Os bancos financiam até 80% do valor do imóvel, a taxas atraentes, de 8 a 8,5% ao ano. Essa facilidade causou um aumento na procura de imóveis para comprar, e, por isso, está mais difícil para o comprador barganhar. Por outro lado, os prazos se estenderam e as prestações diminuíram.

Ao perceberem que muitos financiamentos saem com prestações parecidas com um aluguel, a estudante de jornalismo Samantha Costa e seu namorado compraram um apartamento na planta, e planejam se casar logo depois da entrega. Para o casal, a estabilidade da casa própria é muito importante: A idéia de comprar foi básica, por conta até da nossa educação sempre achamos que para casar tínhamos que ter a nossa casa, diz ela. Samantha vê uma diferença entre a sua reação à decisão de comprar um apartamento e a do seu namorado: Eu me preocupo mais com a dívida, com o lado material, e ele com o compromisso que isso traz, o noivado, o casamento. Essa escolha exigiu planejamento para um futuro longínquo: Não é um apartamento onde vamos morar por cinco anos, é para ficar vinte. Já consideramos o espaço para um filho no futuro, já levamos em conta a proximidade de colégios, tudo o que vamos precisar para viver muito tempo.

Márcia considera essa a situação ideal para quem quer comprar um imóvel ainda em construção: O preço na planta é bem menor, um apartamento valoriza entre 20 e 30% no tempo de construção e o parcelamento pode ser mais longo. Para quem já está casado, pode não valer a pena, já que o casal vai ficar muito tempo pagando prestação e aluguel. Para minimizar os riscos, ela recomenda escolher uma construtora de renome e financeiramente sólida, e verificar se seus empreendimentos atuais estão sendo entregues no prazo.

Se o casal decidir se mudar enquanto está pagando o financiamento, pode quitar a dívida com a venda do imóvel, ou, se o comprador for financiá-lo, seu banco paga ao banco dos atuais proprietários: Muitos clientes compram apartamentos pequenos ao casar e voltam poucos anos depois para vendê-lo e comprar um maior, com um quarto a mais para um filho. É cada vez mais normal.

Na hora de comprar um imóvel, os fatores mais importantes são a localização e a estrutura e administração do prédio. Por dentro, sempre é possível reformar, diz Márcia.


Reformar
Existem reformas dos mais diferentes tipos, desde as puramente estéticas até as estruturais. Tudo vai depender, é claro, das necessidades do casal e da condição do imóvel comprado. Márcia adianta que quem compra um apartamento antigo que nunca foi reformado não escapa de profundas reformas elétricas e hidráulicas: Além do envelhecimento, no passado não havia tantos eletrônicos como temos agora, prédios antigos não são equipados para isso. Quem faz só uma maquiagem vai ter problemas no futuro, e precisar reformar de novo.

O custo de reformar varia muito em função da profundidade da reforma e dos materiais usados, mas ela estima um gasto entre 500 e mil reais por metro quadrado. Melhorias aumentam o valor do imóvel, mas ela recomenda que em apartamentos pequenos o gasto não passe muito dos 500 reais por metro quadrado e que sejam evitados materiais muito caros: Fica difícil vender o apartamento por um preço que recupere os custos da reforma. Mesmo que a casa própria possa se valorizar e trazer lucro ao casal, Cerbasi avisa que não se deve encarar o imóvel onde se mora como um investimento: ele é necessário para o consumo, não se pode dispor dele em uma emergência.


Anote:
Maber
(11) 2148-2400

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