Foi-se a epoca em que a mulher deveria saber lavar, passar e cozinhar para poder casar

Não faz muito tempo, a mulher que não soubesse cozinhar recebia olhares tortos e tinha que engolir comentários maldosos. Ainda mais se fosse casada. Hoje, as coisas mudaram, a mulher conquistou um espaço tão importante quanto o homem, a ponto de ter o direito de se recusar a pegar numa panela sem sofrer represálias. A cartorária Tatiana Almeida Loureiro, 29, é uma delas. Mesmo depois de casar, ela faz questão de passar longe do fogão. Eu não tenho e nunca tive vontade de preparar uma comida. Acho que existem coisas mais interessantes para fazer. Minha mãe sempre me ensinou que essa história de Amélia é ultrapassada.

Driblando a fome e a fúria
Como o marido Fábio Andrusyszyn, 28, tem a mesma dificuldade, o jeito é encontrar soluções para não ficar com a barriga roncando. Sempre comemos fora. Além disso, em casa nunca falta pão, iogurte e bolacha. E nos finais de semana, vamos numa festinha ou visitamos nossas mães, revela.

Se Tatiana tem a cumplicidade do companheiro, Geni Dezidério Barra, 48, deixa o marido Francisco furioso. Casada há 28 anos, a aposentada não tem habilidade nenhuma quando o assunto é pilotar o fogão. Nunca fiz um café. Uma vez me arrisquei a preparar um arroz, ficou uma papa e ainda por cima esqueci de pôr o sal. Joguei tudo fora e ainda tive de dizer que não deu certo. Meu marido tentou explicar que coloquei pouca água, mas preferi nem ouvir de tão nervosa, lembra.
Para não ser refém do delivery, o jeito é pedir ajuda para a mãe. Nossas casas são grudadas, por isso, sempre almoçamos e jantamos lá. Ela é a salvadora da pátria. Se não fosse por ela, meu casamento já tinha ido por água abaixo há muito tempo. Com certeza não fisguei meu marido pelo estômago, brinca Geni.

Por saber cozinhar um pouco, o marido de Geni, Francisco Roberto Barra, 53, fica ainda mais inconformado. Até no aniversário da esposa, comemorado no final de abril, ele deixou clara a insatisfação. Ele me jogou na cara. Disse que seu eu soubesse fazer uma comidinha a gente comemorava em casa e não saía para gastar. Respondi na mesma moeda. Se você não quiser não vai. Com certeza você não casou enganado. Mas no final ele foi, conta sorrindo Geni.

Primeiros passos
Para evitar passar tanto apuro e não viver de pizza ou congelados, alguns casais já buscam soluções. Uma delas é aprender o A-B-C do fogão. O chef de cozinha João Leme, do restaurante francês Rôti, dá aulas de culinária e já pegou muitos recém-casados pela frente.
Ensino a fazer dos pratos mais simples até os mais sofisticados. Realizo cursos para qualquer adulto sem muita prática. Mas não tem como negar. Muitos casais novos chegam sem conseguir fritar um ovo, conta o chef.

Mas essa alternativa não é a mais seguida pela maioria dos casais porque todo esse aprendizado requer dinheiro e tempo, algo raro na correria do dia-a-dia. Então, o jeito é se virar em casa, com uma condição. Quem tem dificuldades ou pouca experiência, não precisa tentar algo grandioso. Comida boa é comida bem feita. Nem que seja apenas pipoca. Às vezes, é muito pior uma lagosta mal feita do que uma salsicha bem feita, conclui João Leme.

Dica do chef
 Para quem ainda não perdeu as esperanças e quer se arriscar a preparar uma refeição em casa, o chef, campeão brasileiro, Ibero Americano e segundo colocado no Torneio Mundial de gastronomia deixa uma receita difícil de errar. Vá de macarrão alho e óleo. É só cozinhar o macarrão com a água fervendo e sal. Coloque 1 litro de água para 100 gramas de macarrão. Cozinhe ao dente (cozido, porém com um pequeno ponto branco no interior de cada de fio de espaguete) Refogue o alho (colo, senão fica amargo). Escorra o macarrão e misture tudo. Sirva com salsinha picada e queijo ralado. Bom apetite!

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