A India esta na moda. Mas esqueca um pouco as fabulas de casamentos arranjados e mergulhe em uma cerimonia moderna, que ainda assim mantem todos os rituais tradicionais vivos e com muitas cores

 A Índia é um país enorme, com 28 estados e onde são faladas mais de 20 línguas, entre idiomas e dialetos. E ela está no centro das atenções, não somente por ser protagonista de novela no horário nobre e filme vencedor de Oscar, como também por sua economia emergente e cultura enraizada, daquelas que não se deixa ocidentalizar. Tradições são fortemente respeitadas, até mesmo por indianos que se globalizaram, como é o caso de Rohit Sathe, 28, executivo de multinacional. Ele acabou de se casar com Carol Yeo, 27, especialista de recursos humanos, que é de Singapura. Eles moram em Paris, na França, mas Rohit fez questão de que o casamento fosse na Índia, mais precisamente na cidade de Pune, de acordo com os preceitos do hinduísmo, religião a qual é ligado.

Veja as fotos do casamento indiano

O casamento é a celebração de nossa união e um dos acontecimentos mais importantes de nossas vidas. Nós queríamos realizá-lo plenamente, de acordo com nossos costumes e tradições, com as nossas famílias. Como o Rohit é adepto do hinduísmo, seguimos todos os rituais hindus, alguns um pouco simplificados, mais precisamente os característicos do estado de Maharashtra, de onde ele vem, explica a noiva.

Os hindus dão muita importância ao casamento. As cerimônias são ricamente coloridas e duram vários dias. Nós convidamos 300 pessoas para as celebrações. Se a noiva fosse indiana, provavelmente este número dobraria. Os ricos e famosos da Índia chegam a enviar 3000 convites, conta Rohit.

Casamento para Maharashtrians ver

Tradicionalmente, o aspecto mais importante de um casamento Maharashtrian é que os astros, signos e estrelas dos noivos devem combinar. No nosso caso, desde que nos apaixonamos não checamos o horóscopo, brinca Carol. De resto, eles seguiram tudo conforme manda a tradição: dois dias antes da cerimônia matrimonial, as famílias do noivo e da noiva trocaram um pacote de açúcar. O Sakhar Puda (sakhar = açúcar, puda = pacote) marca informalmente o noivado e é normalmente celebrado quando os pais escolhem a combinação astrológica. Como eu já havia pedido Carol em casamento há dois anos, encenamos o ritual alguns dias antes do casamento, explica Rohit.

Os rituais seguintes pedem boa sorte ao casal. Durante o Grahamuk, que acontece três dias antes da festa, os deuses são invocados na presença do fogo. Noivos e familiares rezam para Deus estar presente durante as festividades e afastar qualquer problema ou perigo. Depois, a noiva, suas amigas e familiares mulheres submetem-se ao Mehendi, quando as tatuagens de henna são desenhadas nas mãos de todas. O gesto tem um papel importante nos casamentos indianos, pois acredita-se que as jovens que obtêm uma coloração vermelho escura da planta terão um marido bonito, além de prosperidade e boa sorte. Além do mais, um desenho bem executado é sinal de sorte para o casal que está prestes a se unir.

Os dois últimos rituais antes do dia do casamento são o Haldi, que consiste na aplicação nos corpos dos noivos de uma pasta feita com uma planta conhecida por suas propriedades hipoalergênicas, antissépticas, analgésicas, antiinflamatórias e purificadoras do sangue; e o Wang Nischay, que representa o noivado formal e é quando a kuldevta-pujan (oração familiar à deusa) é entoada por ambas as famílias, depois do encontro com um padre. Essa cerimônia ocorre na noite que antecede o casamento. Uma vez que recebemos mais de 70 convidados de diferentes países, não realizamos este ritual, mas oferecemos um jantar para todos os nossos convidados, conta Carol.

O grande dia

As comemorações começam logo pela manhã, primeiro com o Ganesh Puja, quando os parentes do noivo rezam ao deus elefante pedindo sucesso durante o dia. Já no local do casamento, os convidados dão as boas vindas ao casal e, em paralelo, os pais da noiva se preparam para lavar os pés do noivo. Eliminamos esta parte para simplificarmos o processo, conta Carol. O café da manhã é servido e enquanto todos se alimentam, a noiva entoa a oração Gowri-har puja, que pede vida longa ao marido.

O horário certo para a cerimônia de casamento em si é decidida pelo padre, por meio do estudo das estrelas. Quando chega a tal hora, a noiva é levada ao altar por uma tia. Tradicionalmente, os noivos não podem se olhar durante a cerimônia e são separados por uma longa cortina de seda. Só após a entoação de alguns mantras essa cortina, chamada de Antarpat, é removida. O sermão é basicamente um conselho dado ao casal, falando da nova vida e das novas responsabilidades ? e então os convidados jogam arroz no casal, que troca guirlandas (qualquer semelhança é mera coincidência!).

O momento mais importante de todo casamento indiano é o Saptapadi, ou sete passos, quando eles dão a volta no fogo sagrado (Agni). Os mantras entoados durante a volta pedem que eles consigam sempre prover alimento à família, saúde excelente e energia, felicidade, que as vacas e bons animais cresçam fortes e numerosos, que todas as estações sejam benéficas, que os sacrifícios ao fogo sagrado estejam sempre presentes em suas vidas...

As cerimônias modernas, como a nossa, terminam em uma festa à noite, e um jantar é oferecido aos convidados, conta Carol. O jantar (e todas as outras refeições da celebração) é vegetariano. A experiência foi marcante não apenas para Carol, que não é indiana, como também para os seus convidados, que chegaram do mundo todo. Os homens usaram um turbante durante os rituais, pois em Maharashtra eles são necessários. Além de proteger a cabeça do calor, também a cobre por ser uma parte muito importante do corpo e que, segundo o hinduísmo, deve ser coberta, explica Carol. As mulheres aderiram ao sari, vestimenta colorida e oficial da Índia.

O meu casamento foi um aprendizado tanto para mim quanto para Rohit e nossas famílias. Uma experiência para que compreendêssemos e respeitássemos nossas diferenças culturais e religiosas. Eu sou cristã, mas com as mentes abertas de nossas famílias, o casamento foi bem sucedido! Agora temos muitas boas memórias para compartilharmos com as futuras gerações, diz Carol. E também um bom exemplo para dar a uma sociedade que precisa aprender a conviver pacificamente com as diferenças.


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