As noivas de dezembro têm alguns itens a mais para acrescentar ao seu checklist, como chuva, calor e competição com outros eventos

O casamento realizado em dezembro compete com as festas de final de ano
Getty Images
O casamento realizado em dezembro compete com as festas de final de ano
Maio leva a fama, mas mês das noivas mesmo é dezembro. O número de registros oficiais no último mês do ano chega a ser 45% maior do que o de maio, e mais de duas vezes o total de agosto, evitado pelas supersticiosas, de acordo com o IBGE. O principal motivo apontado pelos pesquisadores para a diferença entre dezembro e os demais meses é o 13º salário. Mas, quando se fala em casamento, as sutilezas vão muito além do retrato das estatísticas. Férias coletivas, parentes distantes, entrega de imóveis e até a velha procrastinação são algumas das razões que também contam para o sucesso de dezembro. “Já vi noiva que escolheu dezembro até para não passar o Natal com a família”, conta a cerimonialista Márcia Possik.

Os motivos são muitos, e as particularidades da data também. As noivas de dezembro têm alguns itens a mais para acrescentar ao seu checklist. Têm que administrar, por exemplo, a competição com outras comemorações, tendem a gastar mais em bebidas e morrem de medo das chuvas de verão.

A publicitária paulistana Camila Moraes, 30, se casou em 4 de dezembro de 2008 depois de adiar duas vezes por causa do atraso na entrega de seu apartamento. Apesar de não ter pensado na correria de dezembro, ela decidiu que daquele mês o casório não passaria. “Se você marcar o casamento para aquele ano e não casar antes das festas de família, imagina os comentários?”, diverte-se. Para evitar o falatório, entre outras coisas, ela fez de dezembro a última fronteira. Hoje Camila lembra do casamento satisfeita e com emoção, mas a escolha da data causou transtornos suficientes para que ela alertasse as amigas com a mesma intenção.

A decoração da igreja de Camila teve guirlandas inesperadas por causa do Natal
(Arquivo Pessoal)
A decoração da igreja de Camila teve guirlandas inesperadas por causa do Natal
Competição

“Antes do casamento, muita gente começou a me dizer que não poderia ir porque tinha festa na escola do filho, ou comemoração de fim de ano na empresa”, conta. Dos 300 convidados, 215 apareceram. E alguns já vieram já festejados: “Teve gente que chegou bêbada porque veio direto de outro evento”.

A organizadora Jamila Santana, responsável pela Jáh! Eventos, diz que toda noiva deve ter seu desejo respeitado e que com organização os problemas podem ser evitados. Mas que também é dever dos profissionais alertar, com jeitinho, sobre as dificuldades de dezembro. “É um dos piores meses para se casar, é muito conturbado. O foco está em tudo, seu casamento corre o risco de ser mais um compromisso”.

Para começar, os locais são disputados com eventos corporativos, o que pode acirrar a corrida por datas disponíveis e inflacionar os valores. “Para os fornecedores é melhor fazer festa de empresa, eles ganham mais. E o corporativo não está mobiliando casa”, diz Jamila. Para Possik, esse é o principal problema de dezembro. “As tarifas costumam ser diferenciadas”. Em geral, os preços no último mês do ano costumam ser 20% maiores.

Como a demanda é muito alta, as empresas ficam sobrecarregadas. “Os maiores problemas que a gente tem de entrega são em dezembro”, diz Jamila. A noiva Camila descobriu isso da pior forma: o buquê e o arranjo de cabeça que recebeu no dia não foram os que ela tinha escolhido.

Surpresas

Durante sua cerimônia, Camila teve mais uma surpresa. Além da decoração escolhida por ela, a igreja estava ornamentada com temas natalinos: guirlandas por todo teto e até um presépio no canto do altar. “E não era pequeno não”, diz. A publicitária conta que não deixou o fato estragar seu dia e aceitou bem as guirlandas, que não chamavam muito a atenção e eram de folhagem como sua decoração. Mas não gosta nem de imaginar o que teria acontecido se a paróquia tivesse escolhido usar luzinhas coloridas.

Mirian dos Anjos dribla os imprevistos com organização e tempo
Arquivo pessoal
Mirian dos Anjos dribla os imprevistos com organização e tempo
Clima

“Meu maior pavor é casar com chuva”, conta a carioca Mirian dos Anjos, 25, que vai se casar no próximo dia 4 de dezembro. Inicialmente, ela pretendia se casar no dia 10 de abril, data do seu aniversário de namoro. Mas, assim como Camila, teve que mudar a data por causa da entrega de seu apartamento. “Eu adoro dezembro, acho um mês lindo. Adoro calor e a idéia de que vai começar um ano novo”, conta. Ela driblou boa parte das chances de imprevisto organizando tudo com muito cuidado e tempo. O lugar, por exemplo, foi reservado com dois anos e três meses de antecedência, eliminando a concorrência. Mas não há organização que controle o tempo.

Com o calor ela não se preocupa. Escolheu um vestido tomara-que-caia, com as costas abertas, bem leve. Não quis carro antigo e vai chegar protegida pelo ar-condicionado de um veículo contemporâneo, e a maquiadora ficará a postos durante a festa para qualquer retoque. Só a chuva não sai de sua cabeça. Como não existe maneira de resolver isso, ela desenvolveu uma técnica para se acalmar. “Venho monitorando o tempo do dia 4 de dezembro desde que fiquei noiva. No ano retrasado, fez calor, mas não choveu. No ano passado, choveu muito. Pela lógica da alternância, este ano não chove”, diverte-se.

Horário de verão

Jamila conta que muitas noivas marcam o casamento para as 19 horas, por exemplo, e escolhem um vestido cheio de brilho, perfeito para a noite. Mas se esquecem que, com o horário de verão, o que foi planejado como um evento noturno será realizado com sol alto.

A igreja escolhida pela publicitária Camila, na zona sul de São Paulo, tem um lindo vitral no altar, perfeito para um casamento durante o pôr-do-sol. Mas ela, que tinha marcado a cerimônia para as 19h, teve que atrasar sua entrada em quase uma hora para conseguir o efeito que queria.

Bebida e flores

Com o calor, dois importantes itens em qualquer casamento são diretamente afetados: o gasto com bebidas e as flores. "Vai gastar muito mais bebida. O prosecco, por exemplo, é muito mais consumido nessa época do que no resto do ano. Se nos meses mais frios nós calculamos uma garrafa para cada três pessoas, em dezembro a mesma quantidade serve para duas pessoas, ou até uma dependendo do público", avalia Jamila.

Com as flores, a preocupação da oferta hoje é minimizada pela importação. Quem estiver disposto a pagar encontra até tulipas nessa época. "Mas elas certamente vão abrir", diz Jamila. A preocupação, portanto, é retringir a escolha a flores que aguentem até o final do dia. "Tem que usar flores de calor", orienta Possik.

E uma curiosidade

Não são poucas as noivas que querem dar uma emagrecida extra para o casamento. Mas as tentações de fim de ano também atrapalham. Com Camila não foi diferente. Com tantos adiamentos, ela achou que conseguiria perder dez quilos para a cerimônia. "Isso foi uma dificuldade. Fiz um esforço grande na época, e até achei bom mudar a data por causa disso. Perdi quatro quilos". Mas, com novembro, veio o início das comemorações de fim de ano. "Até a academia fez uma festa cheia de comida", ri. "Engordei tudo de volta. Na semana do casamento, fiquei dias sem comer para tentar recuperar, só no abacaxi. Fui experimentar o vestido e desmaiei", conta. A costureira prontamente apareceu com uma torta de frango com catupiry. "Aí eu vi que ia ter que casar assim mesmo", diverte-se.


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