Por até R$ 800, noivos podem garantir o dinheiro de volta se o casamento for cancelado. Especialistas pedem cautela na contratação

Seguro casamento: cobre roubo do vestido, mas não a desistência de um dos noivos
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Seguro casamento: cobre roubo do vestido, mas não a desistência de um dos noivos
Uma mania já comum nos Estados Unidos começa a chegar ao mercado brasileiro: o seguro para casamento. Se o noivo perder as alianças, o vestido de noiva for danificado ou uma tempestade destruir a decoração, está tudo garantido. Por aqui, essa onda ainda é novidade e o serviço limitado. Por isso é bom estudar com cautela se vale a pena optar pelo seguro e analisar o contrato com calma.

O risco mais comum enfrentado pelas noivas é o cano do buffet, que tem ocorrido com frequência. Segundo Livia Bueno, diretora da LFD Corretora de Seguros, até serviços já reconhecidos deixaram muita noiva na mão. Acontece de a empresa falir ou fechar por uma denúncia com base na lei do silêncio. Mas há outros riscos. “O fotógrafo pode não aparecer, a chuva pode destruir uma decoração ao ar livre ou pode ocorrer algum acidente grave na família”, afirma Livia, que oferece o Casamento Seguro, por intermédio da Chubb do Brasil.

Ainda com poucas opções no mercado brasileiro, os noivos contam hoje com três tipos de pacote, oferecidos pela Casamento Seguro, que garantem festas nos valores de R$ 25 mil, R$ 50 mil e R$ 75 mil. Se o total gasto com o casamento será de R$ 150 mil, por exemplo, os noivos podem adquirir dois pacotes de R$ 75 mil. São inúmeras as opções de cobertura do seguro, que garantem o dinheiro da festa de volta até se o noivo for chamado para o serviço militar e a festa tiver de ser adiada. Os pacotes custam de R$ 496 a R$ 800.

Vale a pena?


Alguns profissionais da área ainda estão um pouco resistentes em relação ao serviço. Segundo a organizadora de casamentos Priscila Gomes, os próprios fornecedores podem garantir segurança aos noivos em cláusulas do contrato fechado. Priscila não chegou a enfrentar o adiamento de uma cerimônia, só alguns imprevistos como erro na entrega do cardápio pelo buffet, que puderam ser contornados. Ela já processou algumas empresas e obteve indenização.

A organizadora de casamentos Cinthia Rosenberg ainda não indicou o seguro às suas clientes, mas vêm estudando a proposta. Ela teve um caso de adiamento, mas conseguiu fechar um acordo com os fornecedores para apenas mudar a data. Problemas de saúde e climáticos não têm controle, mas quanto a problemas com fornecedores, eles podem ser evitados, de acordo com Cinthia. “Quando os noivos contratam assessoria eles também buscam uma maior segurança, pois estamos sempre em contato com fornecedores e só indicamos os que são bem sólidos, que conhecemos o trabalho”, explica a organizadora.

Segundo o advogado Edson Leonardi, especialista em direito do consumidor, é preciso deixar claro no contrato que o dinheiro pode ser devolvido por adiamento no casamento por um fato grave, como a morte dos pais ou problema grave de saúde com os noivos. “Isso é necessário porque, infelizmente, nem sempre é possível contar com a compaixão ou compreensão do fornecedor nessas hipóteses, até porque, dependendo das circunstâncias, o fornecedor já teve despesas e se preparou para realizar o serviço na data e horário ajustados”, explica o advogado.

O que pode acontecer e o que seguro cobre?

Entra na lista da cobertura tudo o que impedir o casamento de acontecer. Se a festa for no interior e a ponte que dá acesso à cidade cair, o seguro cobre. Se o voo dos pais dos noivos for cancelado, também. Mas se o carro alugado pela noiva der o cano, ela tem opção de contratar outro, mesmo de última hora, e isso não impede a cerimônia – por isso, não tem cobertura. Segundo Livia Bueno, é preciso fechar o contrato do seguro dois meses antes do casamento e deixar pago até um mês antes da cerimônia. Anote alguns exemplos do que é coberto:

- Despesas médico-hospitalares para os convidados, no caso de ocorrer um acidente grave no horário da comemoração;

- Adiamento da festa por motivo de acidente sofrido pelos noivos;

- Danos ou roubo do vestido ou do terno alugado pelos noivos;

- Problemas com o serviço de buffet. O mais comum hoje é o buffet ser fechado por falência ou por denúncia com base na lei do silêncio;

- Morte de parentes próximos e padrinhos;

- Cerimonial: gastos com a igreja, mesquita ou sinagoga, em casos de adiamento da cerimônia.

O que não é coberto pelo seguro?

- Desistência da cerimônia por um dos noivos;

- Falta de fundos para honrar as despesas com fornecedores, mesmo que os noivos tenham perdido o emprego;

- Se o transporte do casamento previamente reservado não aparecer;

- Se algum dos noivos ficar afônico;

- Distúrbio psicológico sofrido por um dos noivos;

- Gravidez recente, estresse e falta de condições físicas por abuso de álcool ou drogas por parte dos noivos;

- Enfermidades em consequência do vírus do HIV;

- Acidentes sofridos fora do horário de evento;

- Falta de luz na igreja ou salão (é possível ter um gerador de energia).

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