Casais com pouco orçamento preferem o álbum, cheio de fotos luxuosas e imagens tratadas, à própria festa

Foto de álbum de casamento chinês: noivos investem em produção de visual exagerado
Arquivo pessoal
Foto de álbum de casamento chinês: noivos investem em produção de visual exagerado
Há quem se arrisque a dizer que celebração de casamento sem fotos é como não casar. Na China, isso é levado às últimas consequências. “Noivos que não querem gastar muito preferem o álbum de casamento à festa”, diz Rainbow Cheng, 26, corretora de imóveis de Pequim (veja mais fotos ao final da matéria) .

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Diferentemente do que ocorre no ocidente, as fotos do casamento chinês são feitas dias, semanas ou até anos antes do casal oficializar a união. E são extremamente produzidas.

Primeiro, os noivos escolhem uma agência de fotografia, que se encarrega dos trajes, cenários e maquiagem para as fotos. Depois, a equipe e o casal saem às ruas, parques, praias e até montanhas geladas em busca de um bom ângulo.

De abril a outubro, época mais quente do ano, é fácil encontrar noivos posando em pontos turísticos de Pequim. Em um domingo de maio, figurinistas auxiliavam um jovem casal a trocar de roupa nas ruas do “798”, distrito de arte da capital. Ela parecia adorar a atenção recebida, ele demonstrava desconforto com a situação. “Muito bonito”, diziam turistas estrangeiros ao casal.

Chineses introvertidos optam por fotos em estúdios. Cenários que simulam castelos medievais ou palácios de imperadores orientais são opções para o fundo das fotos. Figurinos com inspiração na dinastia Ming, por exemplo, completam a atmosfera. Porém, há quem ache as simulações exageradas. “Acho as fotos de casamento chinês extremamente artificiais”, diz a estudante de Letras Sainan Cui, de 19 anos.

Pais, amigos e padrinhos não aparecem nem como coadjuvantes no álbum exclusivo dos noivos. O casal desembolsa, em média, entre mil e 6 mil yuans (de R$ 250 a R$ 1,5 mil). Na edição final das fotos, as agências investem pesado no tratamento das imagens.

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A cerimônia

Além de dedicar muito tempo ao álbum de casamento, os chineses também demoram a escolher a data da celebração. Em 2008, considerado ano da sorte, ocorreu um boom matrimonial. Já 2010, ano do tigre, foi rechaçado por ser considerado um mau momento para o enlace. Este ano, o do coelho, é favorável ao casamento e aos relacionamentos em geral, diz o horóscopo chinês.

Escolhida a data, os noivos organizam uma recepção, feita na maioria das vezes à tarde, em restaurantes ou buffets. No país laico, poucos realizam cerimônias em templos ou igrejas.

Na recepção, a noiva utiliza, normalmente, três vestidos. O vermelho e o branco estão quase sempre presentes. O casal é apresentado por um mestre de cerimônias, que conta aos convidados como os noivos se conheceram e as dificuldades por quais passaram para estarem juntos. “É muito tocante”, diz Cui. Depois, a noiva coloca o “cheongsam” ou “qipao”, vestido tradicional chinês, e caminha ao lado do marido para ser apreciada pelos convidados. Na sequência, a festa está aberta e não há mais regras.

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