Para a surpresa dos convidados, casais trocam a tradicional valsa do casamento por tango, samba de gafieira e pop

Quando os noivos entram pela primeira vez no salão há uma euforia. Palmas altas e assovios efusivos são escutados pelo ambiente, para logo depois haver o silêncio. A primeira dança é anunciada e todos os olhos se voltam para o casal no meio da pista. Se em poucos minutos a euforia, as palmas e assovios voltam a reinar no salão, pode anotar: o par decidiu não dançar valsa.

“A tradicional valsa está caindo em desuso”, atesta a organizadora de casamentos Jane Alves. A maioria dos casais não só não escutam valsa no dia a dia, como também não sabem dançá-la, por isso, resolvem mudar o ritmo. Carlos Maguerrofk, coreógrafo que trabalha com noivos, diz que os convidados tendem a ficar “chocados” e “surpresos” quando o casal dança algo diferente da valsa. Foi exatamente para causar essa surpresa que os três casais abaixo escolheram músicas tão diferentes para a sua primeira dança. Veja as histórias e alguns dos vídeos deles depois da galeria a seguir.

Pop para unir os padrinhos

O casal gaúcho Flávia Nardon e Adriano Morais apostou no humor. A publicitária e o engenheiro resolveram “aliciar” os padrinhos para dançar uma mixagem com várias músicas pop. Entre as canções que dançaram estavam “Crazy in Love”, de Beyoncé, e “You Drive me Crazy”, de Britney Spears.

Flávia conta que ambos criaram a coreografia uma semana antes do casamento, apesar da ideia ter surgido logo no começo da organização da festa. “Eu comentava com os padrinhos que eu queria que eles dançassem com a gente e eles achavam que eu era louca”, brinca a noiva.

A festa aconteceu em Soledade, uma cidade no interior do Rio Grande do Sul. Flávia fala que, assim como o casal, a maioria dos padrinhos e dos convidados mora em Porto Alegre. “Por isso, muitos dos padrinhos não se conheciam. As minhas irmãs, por exemplo, não conheciam meus amigos da faculdade”, diz a noiva, que fez um esforço para uni-los. Quando os padrinhos chegaram à cidade, um dia antes do casamento, os noivos os convidaram para a casa da mãe de Flávia, assim eles poderiam ensaiar.

“Nessa confusão de ensaio eles se conheceram e mesmo os padrinhos mais sérios ficaram com vergonha de não dançar. Foi muito legal, a festa já começou animada, a pista encheu automaticamente”, conta Flávia. “Eles se encontram até hoje, mesmo morando em cidades diferentes”. Ela ainda fala que a dança serviu para outra coisa: mostrar para uma parte de sua família que Adriano, seu noivo, não era uma pessoa tão séria quanto achavam.

Segundo Jane Alves, a dança precisa ser muito bem ensaiada. Senão, vira um “mico” para o casal. “Os convidados costumam perceber quando a dança foi improvisada, e cria aquele momento incômodo”, diz Jane. Flávia afirma que todos se divertiram tanto ao ver as brincadeiras dos noivos que nem perceberam os pequenos erros na coreografia. “Erramos um pouco na coreografia, mas nos divertimos horrores. Agora toda festa a que a gente vai nos pedem para a gente dançar a ‘dança do casamento’”.

Os ares argentinos do tango

nullRachel Bonetti já sabia o quanto seu noivo, Paulo Akiau, gostava de Al Pacino – principalmente do filme “Perfume de Mulher”. Além disso, ambos têm amigos e negócios na Argentina. Por isso, foi quase natural que, na festa de casamento, o casal optasse por dançar tango no lugar da valsa.

“Começamos a ensaiar uns 15 dias antes da festa. Já trabalhamos na área de educação física, por isso não somos tão pernas-de-pau assim”, brinca Rachel. “Mesmo assim, os ensaios foram duros, de quase duas horas de duração”, completa a noiva. Ela conta que o par chegou a ensaiar na manhã do dia do casamento. “Do salão de dança parti para o dia da noiva”, diz.

Paulo conta que foi muito difícil aprender a dançar o tango. “A coreografia que fizemos foi um pouco mais elaborada que a do filme ‘Perfume de Mulher’, apenas a música foi igual”, diz. Sobre os convidados, Paulo conta que todos gostaram muito. “Foi uma gritaria, surpresa total. O pessoal ficou de boca aberta”, diz.

Uma coisa, porém, precisa ser levada em conta: o vestido. Foi o que Rachel fez, com ajuda de funcionárias de Bebeta Schiavini, sua wedding planner: trocou o vestido que usava por um preto, típico de dançarina de tango. “As pessoas acharam que não era eu, por causa do vestido preto”, relembra.

O momento foi especial tanto para os noivos quanto para os convidados. Os padrinhos argentinos do casal deram o aval. “Eles falaram que nós poderíamos ir direto para se apresentar nos bares de tango de Buenos Aires”, comenta Rachel, orgulhosa.

Somos do samba

nullDaniela Vidotti e Eduardo Scheffer se conheceram num churrasco, enquanto um samba se ouvia como música de fundo. Os primeiros encontros do casal foram em bares que tocam o ritmo em Londrina. Seria muito estranho se não escolhessem o samba para dançar em seu casamento.

“Fomos a um casamento da colega da Dani e eles dançaram tango. Ficamos fissurados desde então”, conta Eduardo. Os noivos chegaram à conclusão de que deveriam dançar samba de gafieira na primeira dança, devido ao histórico que tinham com a música. Algo que, na opinião do coreógrafo Carlos Maguerrofki, é essencial: a escolha de um ritmo e estilo que tenha a ver com o casal.

Daniela conta que foram oito aulas com o professor de dança Marquinhos Flat. “E ainda ensaiávamos no meu escritório”, comenta Eduardo. Os ensaios eram duros e levavam a alguns desentendimentos, segundo Daniela. “Mas a gente acabava relaxando. Tinha momentos em que ríamos e tirávamos sarro dos nossos erros. Acabou nos unindo”, conta a psicóloga.

Mesmo com os ensaios e com as adaptações da coreografia, no dia da festa houve alguns erros. “Aposto que ninguém percebeu, todos gostaram muito”, diz Eduardo. "Os meus familiares participam de escola de samba, ficaram emocionados”, completa.

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