Muito além de joias valiosas ou histórias cheias de solenidades, costumes passados de geração a geração valorizam a memória

Juliana usou um anel que era da bisavó no dia do casamento...
Cristiano Feder
Juliana usou um anel que era da bisavó no dia do casamento...
... e, antes, já havia sido usado pela mãe
Arquivo pessoal
... e, antes, já havia sido usado pela mãe
Quando era criança, a psicóloga recém-casada Juliana Bauer Fonseca, 31 anos, adorava ouvir histórias sobre como sua família havia começado. Seus bisavós eram alemães e se casaram na terra natal. A bisa ganhou um anel para marcar a data e o casal foi passar a lua de mel nos Estados Unidos – os dois estavam entre as pessoas que esperaram o Titanic chegar ao país e nunca viram o navio. O casal teve quatro filhas mulheres e quatro filhos homens, mas apenas as meninas sobreviveram, cresceram e se casaram. Mas nenhuma usou a aliança da mãe, que ainda estava viva.

O anel foi dado para a mãe de Juliana, Alaide Aparecida Fonseca, 54 anos e casada há 33, quando ainda era criança. “Minha mãe conta que ela tinha 11 anos e minha bisavó disse: esse anel é muito importante e valioso, nunca o venda nem troque por nada, nem por bonecas ou doces. E minha mãe o guardou e usou no noivado e no casamento”, lembra Juliana.

O anel usado por Juliana foi originalmente da bisavó alemã, Catarina (sentada)
Arquivo pessoal
O anel usado por Juliana foi originalmente da bisavó alemã, Catarina (sentada)
Adelaide ficou com o anel até Juliana começar a pensar em seu próprio casamento. “Sou a neta mais velha e a primeira que casou. Partiu de mim pedir o anel para minha mãe, para usar no ensaio dos noivos e depois no casamento. Como forma de homenagear a minha avó, falecida em 1999, e meu avô, falecido há 2 anos, mandei fazer dois pingentes com os nomes deles pra levar amarrado ao meu buquê”.

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Pão com mortadela

Já na família da designer de interiores Doris Maria Aguilar Borbolla, 51, a tradição é bem diferente. “Todos os casamentos da família, realizados na parte da manhã, costumam acabar com sanduíche de mortadela. Após o término da festa - e às vezes na própria festa - vamos comer sanduíche de mortadela com os familiares mais chegados”.

A tradição começou quando Doris ainda era adolescente e seu irmão mais velho se casou. Depois da festa ela, seus pais, os tios que vieram do Rio de Janeiro e os outros irmãos foram comer o tal sanduíche e foram avisados de que isso sempre acontecia na família, mas ninguém soube explicar como começou.

Quando Patricia Borbolla Baroni, filha de Dóris, se casou, nem cogitou deixar a tradição de lado. “Fiquei muito feliz quando minha filha decidiu fazer os lanches no casamento dela. Contei a história dos sanduíches apenas por contar e, na hora, ela decidiu que eles fariam parte do que seria servido no casamento. Me emocionei, pois sei que a avó dela teria tomado a iniciativa de levar os netos e o bisneto para comer sanduíche de mortadela quando a festa terminasse”.

A importância de manter viva a memória das pessoas que começaram o núcleo familiar é a principal motivação das noivas para repetir os passos de suas mães e avós. “Gosto destas tradições surgidas espontaneamente, sem obrigação. Em nenhum momento minha mãe me pediu para usar o vestido de noiva dela ou mesmo o anel. Ela esperou que a ideia partisse de mim”, diz Juliana. Para Doris, cada lanche de mortadela lembra seus pais. “Sou muito ligada a eles e é uma forma de senti-los ainda mais próximos”, finaliza.

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