Casais contam como foi a experiência de celebrar seus casamentos em duas das igrejas mais antigas do Brasil

Por mais tradicional que se possa ser, toda cerimônia de casamento implica em uma série de escolhas das quais o casal vai se lembrar pra sempre e, por isso, todo cuidado é pouco. É importante que cada detalhe saia da maneira que os noivos imaginaram - ainda que, por exemplo, certas escolhas acarretem um ano de espera. Como casar-se em igrejas históricas.

Em um país católico de berço como o Brasil, não é difícil encontrar igrejas datadas de muitos séculos atrás, com histórico cultural determinante no desenvolvimento do país. E mais fácil ainda é encontrar filas quilométricas de espera para celebrar o tão esperado dia de seu casamento nestas mesmas igrejas – que, mais solicitadas até do que igrejas mais modernas, passam longe do risco de envelhecer no ostracismo.

Devoção e tradição

Em 1754, a primeira capital do Brasil, Salvador, viu ser finalizada a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, fruto de promessa de um capitão português que navegava rumo ao país. Mais de 250 anos depois, a construção em estilo neoclássico com fachada em rococó é um dos principais pontos turísticos da cidade, responsável pela popularização das fitinhas do Senhor do Bonfim, o santo da maior devoção da Bahia católica.

A médica Lorena Marçal é uma dessas pessoas. Devota do Senhor do Bonfim e consciente de tudo o que a igreja representa para Salvador, não pensou duas vezes na hora de optar pela realização de sua cerimônia de casamento lá. Entrou na lista de espera – e lá ficou durante mais de um ano, aguardando com a fé característica do povo soteropolitano seu grande momento. Enquanto isso, foi entrando no clima turístico da igreja, e começou a adaptar a sua agenda para realizar os ensaios e planejar sua cerimônia. Ela conta que para marcar o casamento em uma igreja histórica, é preciso se acostumar com sua rotina turística. “Por ser uma igreja muito visitada por turistas, até mesmo o ensaio foi diferente, uma vez que os visitantes ali presentes observavam tudo”, conta.

Como todo local histórico, a necessidade de atentar para as os cuidados do local é um dos primeiros passos para realizar uma cerimônia perfeita. Na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, por exemplo, as músicas tocadas no casamento seguem orientação da paróquia e é preciso respeitar. “Os músicos não puderam usar o andar superior da igreja utilizado pelo coral, a ornamentação só pôde ser feita com aproximadamente duas horas da cerimônia (após a última missa) e os funcionários orientam a não fazer chuva de prata na saída para não sujar o local, que no dia seguinte será aberto cedo para visitação”, conta. Independentemente disso, a celebração foi perfeita para a noiva.

Cerimônia realizada, Lorena e seu noivo Luciano pegaram o carro junto de todos os seus convidados e foram comemorar a união em um buffet de sua preferência: satisfação completa. A centenas de quilômetros dali, em São Paulo, outra igreja com o mesmo perfil realizaria cerimônia e festa em um dos locais históricos mais importantes da cidade.

Um hall de cultura

O casamento da advogada Paula Borges Abraão Vaz Guimarães foi celebrado na igreja consagrada como cripta do padre Manoel da Nóbrega e seu então noviço José de Anchieta, local da primeira missa realizada em São Paulo. Com cerca de 450 anos de história, o Pateo do Collegio foi um sítio arquitetônico erguido junto das primeiras edificações da cidade, e sua igreja, no começo uma pequena capelinha, um núcleo de catequização dos índios do Planalto (veja fotos na galeria acima) .

No século XXI, a igreja do Pateo do Collegio realiza celebrações das mais variadas. Quando o assunto é casamento, o núcleo oferece até local para a festa depois da cerimônia. Foi o que Paula e seu noivo Fernão fizeram. “Todos os nossos amigos estavam se casando, e achávamos tudo muito padronizado, tudo muito igual. Na época eu trabalhava no Largo São Francisco e, um dia, almoçando no Café do Pateo, me dei conta de como poderia ser linda uma festa de casamento ali”, conta. A imaginação foi tão longe que a noiva não hesitou e procurou a administração do Pateo para se informar sobre as cerimônias. Comunicou o noivo, entrou na lista e, por um golpe de sorte, em seis meses conseguiu realizar o casamento de seus sonhos.

“Minha família é do interior e é super religiosa, sabia da importância da igreja em que estávamos nos casando. Mas muitos de nossos amigos não conheciam o Pateo do Collegio, e como ainda existe um preconceito em relação ao centro velho de São Paulo, rolou um receio”, conta Paula. O Pateo oferece fornecedores próprios, e trabalha com um sistema de segurança impecável, a despeito de quem ainda tem medo de sair pelas ruas do centro velho da cidade.

Por se tratar de um sítio arquitetônico, que contempla museu, jardim e outros ambientes, além da igreja em que realizou seu casamento, Paula e Fernão realizaram sua festa no próprio jardim do Pateo, o que deu o charme que os noivos estavam procurando. “Criamos uma atmosfera descontraída, que valorizasse os jardins e monumentos do lugar, onde nossos convidados puderam circular para interagir e contemplar o espaço”, relembra a noiva. O único detalhe é que, por se tratar de um ambiente cultural e histórico bastante importante para a cidade, o cuidado deve ser redobrado.

Para dar a nota de diversão da festa, a noiva apareceu jardim adentro com um carrinho de picolés para refrescar os convidados. O resultado? Quatro anos depois, mesmo em outras festas de casamento, a festa do casal é a mais lembrada. Tornou-se histórica, assim como o Pateo.

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