Cerimônia baseada nos costumes do antigo povo europeu valoriza os laços familiares e a ligação com a natureza

A noiva usa um vestido clean e flores no cabelo. O noivo, um terno menos quente; pode até optar por uma bata. A cerimônia é muito melhor aproveitada se feita de dia e ao ar livre. Parece um casamento meio hippie? Pense melhor: a descrição define uma cerimônia com base em uma antiga cultura europeia: a celta. E ela pode ser mais interessante do que se imagina.

A primeira coisa a chamar atenção é a pessoa que realiza a cerimônia: uma mulher. De acordo com a sacerdotisa Tanya Althea, a tradição celta era passada de mulher para a mulher. “A força do feminino é muito grande neste casamento. Na cultura celta, a energia do universo é tomada como a energia feminina da deusa. Uma energia capaz de fecundar e criar”, diz Tanya.

A simbologia do feminino é uma das muitas presentes nesse tipo de cerimônia. A ritualista Beatriz Moura Leite celebra este tipo de casamento há quase 15 anos e afirma que os objetos usados no casamento simbolizam os sentimentos exaltados pela cerimônia. A entrada dos noivos, por exemplo, tem um significado especial no casamento celta. “O caminho até o altar significa a vida que eles viviam antes de se encontrarem. Um pouco antes do altar, tem uma mandala construída com elementos essenciais para o casal. Este ponto, onde o noivo deve esperar a noiva, representa o ponto de união, o momento da vida em que eles se encontraram”, explica Beatriz.

O cálice presente no altar representa a energia feminina. O noivo pode entrar levando um bastão de canela, representante da energia masculina. Durante a cerimônia, os elementos se misturam criando o equilíbrio necessário, segundo Tanya. Um pouco antes da troca de alianças, as mãos do casal são entrelaçadas com uma fita. O laço representa a ligação que o casal deve ter quando casados. “Tudo tem um significado”, diz a sacerdotisa. “Nada dentro dessa cerimônia é por acaso”, completa Beatriz.

Cerimônia participativa

Os padrinhos e pais têm papel ativo dentro deste tipo de cerimônia. A função dos padrinhos é trazer elementos que fortaleçam o casamento. Nos casamentos celebrados por Tanya, por exemplo, eles levam objetos que simbolizem os quatro elementos. Uma cesta de pães simboliza a terra; água de cheiro, a água; incensos representam o ar e a vela representa o fogo.

Nas cerimônias de Beatriz, os padrinhos entram depois dos noivos, levando pequenos presentes que representam sentimentos. “As pessoas que iam nas antigas festas celtas levavam o que tinham de melhor. Este preceito se mantém e os padrinhos levam aquilo que têm de melhor para os noivos: a alegria, a prosperidade, a luz, o amor e a vida”, diz Beatriz.

Os pais também recebem reverências nesta cerimônia. De acordo com Beatriz, a figura dos ancestrais era bastante cultuada entre os celtas. Por isso, em certo momento do ritual, cada pessoa do casal fala diretamente para seus pais.

Na tradição celta, os próprios noivos fazem seus votos. Tudo isso torna a cerimônia bastante íntima e personalizada. “O casal recebe muito afeto e carinho, além de também se manifestar. A nossa vida é muito corrida é claro que amamos as pessoas em nossa volta, mas não falamos muito isso”, comenta Beatriz. O ritual representa uma oportunidade para isso.

Forças da natureza

Apesar de não ser estritamente necessário, as celebrantes recomendam que a cerimônia aconteça em contato com a natureza. Elas frisam a importância dos elementos naturais para o equilíbrio da cerimônia. A disposição das cadeiras e do altar também deve ser pensada. “O altar deve ser virado para o norte, pois significa o lugar que todo mundo procura”, afirma Tanya.

A natureza também pode estar presente nas flores que ornam o cabelo das noivas. Segundo Tanya, o arranjo de flores é importante por representar a beleza viva da mulher.

Roda da vida

De acordo com a filosofia celta, cada ano que passa tem um ciclo de vida próprio. “Por isso é importante o casal renovar os votos do casamento a cada ano”, diz Tanya. Não precisa refazer a cerimônia toda, apenas reafirmar seus votos a dois, em um ambiente íntimo. “Eles vão ‘re-casar’ e renovar a validade emocional e energética do casamento”.

“A cultura celta vê as estações do ano como uma roda viva e procura comemorá-la a cada mudança de estação”, completa Beatriz. A ideal para um casamento celta? A primavera. “Antigamente, a primavera era o tempo de celebração dos casamentos de novos casais e comemoração da vida daqueles que já estavam casados. Mas acho uma coisa difícil de manter nos tempos atuais”, finaliza a sacerdotisa.

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