Um olhar sobre uma das maiores executivas do Brasil

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Encontrei com Regina Nunes em um prêmio para mulheres. Ela chegou elegante em um conjunto prateado, cabelos arrumados, uma maquiagem leve e as duas filhas ao lado. É aquele tipo de mulher que tem uma presença tão marcante, que é impossível não notá-la. Logo que entrou no salão, foi cercada por amigos, diretores do prêmio, cumprimentada por muitos convidados. E engatou uma conversa animada com o ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho.

Resolvi então, em vez de entrevistar Regina, afiar o olhar e tentar captar um pouco sobre a mulher que é considerada uma das executivas mais influentes do Brasil.

Regina Nunes é presidente da Standard & Poors, uma das maiores agencias de classificação de risco do mundo. Sabe quando dizem que o risco Brasil está alto e todo mundo deixa de investir no País. Pois é ela quem avalia esse risco.

Ao entrar no salão onde seria e entrega do prêmio, ela sentou-se à mesa com as filhas ao lado. Os fotógrafos dispararam os flashes ininterruptamente e, ainda assim, ela sorria. A filha mais velha sorria também. E a mais nova, que parecia um tanto entediada (afinal, eventos como esse são mesmo uma chatice para crianças), se debruçou sobre a mesa. E eis que a diretora executiva e premiada da noite sai de cena e surge a Regina mãe. Filha, tire os braços da mesa, fique direitinha, por favor, naquele tom de voz que só as mães conseguem ter.

Começa a entrega dos prêmios. Seu currículo invejável é de deixar muitos dos executivos que estão na sala com uma pontinha de ciúmes. Vinte anos de experiência nos mercados financeiros e de capitais no Brasil e nos Estados Unidos, antes de ingressar na Standard & Poors. Ela já trabalhou no Citibank, no Chase Manhattan e no Commercial Bank, em Nova York, onde era líder da área de trading e risco com foco na América latina. Senhores, Regina Nunes. Aplausos, pose para fotos. E ela começa os agradecimentos com uma sinceridade e espontaneidade surpreendentes.

Eu adoro ganhar prêmios. Adoro mesmo! Eu sou uma pessoa que até me empenho para isso. Porque o mais importante não é o retorno que eu tenho dentro do meu trabalho, mas quando eu consigo reconhecimento da sociedade. Eu brinco com o pessoal e sempre falo o seguinte: a definição de sucesso para mim é felicidade, porque parte da minha felicidade é ser reconhecida pela minha família, meus amigos, e pela sociedade. E também um reconhecimento de que a empresa está contribuindo para fazer a vida de todo mundo melhor. Porque se eu fizer o meu trabalho bem feito e der informações apuradas, corretas, para todo mundo, todas as pessoas vão saber dos riscos que correm ao investir. E assim todos vão ter um futuro melhor quando tiverem que fazer algum investimento, ou aposentadoria, ou compra de uma casa.

As mulheres do Brasil têm dupla jornada, que eu acho que é uma só. Tem gente que me pergunta se a vida pessoal é mais importante que o trabalho. Eu não deixo de ser pessoa no trabalho, eu sou uma só. Acho que isso serve para todas as mulheres. Cada vez que eu sou reconhecida, eu falo para todas as mulheres. Para aquela mulher que optou por ser dona-de-casa, mãe, que é um trabalho árduo, talvez mais árduo, de 24 horas por dia, porque você não tem férias, não tem décimo-terceiro, não tem aposentadoria. E para aquelas que decidem ir trabalhar. Esse prêmio é de todas nós.

Mais aplausos, ela volta à mesa, é abraçada pelas filhas e pela mãe. Alguns amigos chegam para cumprimentá-la. Mas quando menos se espera, ela já foi. É que a filha mais nova estava com sono, confidencia uma das amigas. No término do evento, os cumprimentos continuam, mas desta vez para a mãe de Regina, que agradece e justifica: Nós somos uma família de mulheres guerreiras. Desde a minha bisavó, nós lutamos por aquilo que acreditamos e vamos atrás do que queremos. Eu sou assim, a Regina é assim, a irmã dela também e acredito que as filhas também. E temos muito orgulho disso.

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