Homens e mulheres sofrem quando não conseguem gerar um filho. Mas já existe ajuda especializada para esses casais

O desejo de ter um filho para muitas mulheres é uma decisão que envolve expectativa, frustrações, tristeza e até vergonha. Isso porque elas convivem com o dilema da infertilidade. Dois em cada 10 casais no Brasil sofrem com o problema. O acompanhamento psicológico nessa etapa é importante para auxiliar a família. Alguns encaram a experiência como a mais estressante de suas vidas, o que acaba provocando efeitos como a desestabilização das relações.

O processo do diagnóstico é difícil e, muitas vezes, incerto. O casal pode ainda vivenciar a experiência da perda, que exige um processo de luto. Essa perda está associada à idealização do filho e ao sentimento de ser diferente dos outros por não ter capacidade de gerar um bebê.

Essa primeira fase dará lugar a uma etapa em que as energias são focadas na tentativa de reverter o problema. Começam então as pesquisas, os exames e os tratamentos. A reprodução assistida tem contribuído para a solução desses problemas e viabiliza o sonho de ter um bebê. Já a psicológica tem o objetivo de auxiliar o casal com dificuldades em engravidar a lidar com os conflitos emocionais como, por exemplo, o medo, a angústia e fantasias despertadas pela infertilidade. "Faz dois anos que eu estou tentando ter filhos. Já fiz todos os exames, nós dois somos sadios. Ninguém sabe explicar o que acontece. E cada mês que passa me sinto ainda mais infeliz, incapaz", conta Maria Eduarda Brundi, 31 anos.


Um psicólogo também pode proporcionar o apoio ao casal durante o tratamento auxiliando na reflexão sobre as questões emocionais do diagnóstico e ainda, sobre as decisões que eles deverão tomar em relação aos tratamentos.

O ginecologista e especialista em reprodução humana Georges Fassolas, médico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e diretor da clinica Vivitá, em Campinas aconselha as mulheres a buscarem ajuda de especialistas após um ano de tentativas sem resultados.

Alguns fatores biológicos podem dificultar processo, como a endometriose. A endometriose, por exemplo, é uma doença cada vez mais comum e uma das principais causas que dificulta a gestação nas mulheres, explicou o ginecologista.

Os homens também não estão livres. De acordo com as estatísticas fornecidas pelo médico em 45% dos casos, a impossibilidade de uma gestação parte da ala masculina. A gestação pode acontecer de 20 dias a um mês, quando ocorre o primeiro ciclo de ovulação da mulher. Mas ela também pode vir nos meses seguintes, acrescentou o especialista.

A possibilidade de ver o rostinho do primeiro filho mais cedo aumenta se o casal receber um acompanhamento psicológico e nutricional. A proposta é diminuir a ansiedade que é muito comum durante o tratamento e indicar alguns alimentos que auxiliam no processo, conclui Fassolas.

De acordo com o médico o acompanhamento tem ficado cada vez mais científico e menos humano, uma vez que na linha do progresso a idéia do ato milagroso de gerar e dar a luz a outro ser humano cai no esquecimento.

A atuação psicológica acrescenta Fassolas, prioriza a integralidade do indivíduo propondo a expansão da consciência (que busca o equilíbrio entre mente, corpo e espírito) para que cada um possa se realizar em plenitude.

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