Estudo aponta que quem remove os ovarios para se proteger de cancer aumenta o risco de morte e de doencas cardiacas

Todo ano, centenas de milhares de mulheres que se submetem a histerectomia, procedimento cirurgico para extrac?o do utero, removem tambem seus ovarios ? pratica destinada a protege-las do cancer de ovario. Porem, um novo estudo descobriu que aquelas que mantem esses org?os vivem mais.

Apesar de as mulheres que removeram seus ovarios terem tido menor incidencia de cancer de mama e, praticamente, eliminado qualquer risco de cancer de ovario ao longo dos 24 anos de acompanhamento, elas se tornaram mais propensas a desenvolver doencas cardiacas, alem de terem aumentado o risco de morte.

As novas descobertas ? originarias de uma analise de dados do famoso Nurses Health Study, publicado na edic?o de maio do periodico especializado Obstetrics and Gynecology - levantam quest?es sobre uma pratica bastante disseminada. A cada ano, cerca de 300 mil americanas, quase metade das que se submetem a histerectomia, removem os ovarios.

"Essa descoberta contraria 35 anos de ensino de ginecologia, disse o principal autor do estudo, doutor William H. Parker, do Instituto do Cancer John Wayne, em Santa Monica, California.
"Nos anos 70, foi determinado que a remoc?o seria a nova estrategia para prevenir o cancer de ovario", disse ele. "Esse estudo mostra um aumento na probabilidade de obito com a retirada dos ovarios, a menos que a paciente faca parte do grupo de mulheres com um historico familiar que a coloca em um risco elevado de desenvolver cancer de ovario e de mama."

Embora seja dificil detectar o cancer de ovario e de ser um tipo fatal, ele tambem e raro, explica Parker, observando que apenas 34 das participantes do estudo que mantiveram seus ovarios morreram de cancer durante o periodo de acompanhamento. "Doencas do corac?o matam 20 vezes mais mulheres todos os anos", disse ele.

Estatisticas

O estudo analisou os dados de 29.380 mulheres que participaram do Nurses Health Study, de Harvard: 16.345 passaram por histerectomia com remoc?o de ambos os ovarios e 13.035 que passaram pela cirurgia, mas mantiveram seus ovarios.
Apos um acompanhamento de 24 anos, mulheres do primeiro grupo registraram 895 casos de cancer de mama - um risco 25% menor do que das mulheres que mantiveram os ovarios - e um risco 96% menor de cancer de ovario (apenas cinco casos). Mas, registrou-se um aumento de 12% da possibilidade de obito durante o periodo estudado. O risco de doencas do corac?o foi 17% maior do que o risco enfrentado por mulheres com ovarios. O risco de morte por cancer tambem foi 17% maior. E, atraves de uma descoberta inesperada, foi constatado que esse grupo tambem tem um risco maior de desenvolver cancer de pulm?o.

Os riscos de doenca cardiaca e morte aparentemente s?o maiores em mulheres que tiveram seu utero e ovarios removidos antes dos 50 anos e que n?o tomavam estrogeno, em comparac?o as mulheres que passaram por uma histerectomia antes dos 50, mas mantiveram seus org?os.

Novos caminhos

O estudo pode contribuir para o debate sobre o estrogeno e sobre o papel que o hormonio desempenha nas doencas cardiacas em mulheres. Parker e outros especialistas sugerem que mulheres que n?o removem seus ovarios vivem mais porque, embora produzam menos estrogeno durante a menopausa, os ovarios fabricam androstenediona e testosterona, que s?o transformadas em estrogeno pela gordura e pelos musculos.

O doutor Isaac Schiff, chefe de obstetricia e ginecologia do Hospital Geral de Massachusetts e professor da Escola de Medicina de Harvard, disse que o estudo n?o quer dizer que mulheres que passam por histerectomia nunca devem fazer a remoc?o.
"Uma mulher com um forte historico familiar de cancer de ovario ou mama ainda deve ter a opc?o de remover seus ovarios", disse Schiff, que n?o esteve envolvido no estudo. "A paciente deve ser informada e decidir o que e melhor para si."

O medico, porem, afirmou que isso e uma mudanca em relac?o ao passado: "Costumavamos dizer arbitrariamente que, se a mulher tem mais de 45 anos, deve remover seus ovarios".

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