Apesar do ambiente propício para a presença masculina, algumas mulheres, ou melhor, poucas mulheres conseguiram ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL) e se destacar.

Conheça um pouco sobre essas mulheres tão importantes para a literatura e para a cultura do nosso País.

* Rachel de Queiroz
Quinta ocupante da posição, Rachel foi eleita em 4 de agosto de 1977 para ocupar a Cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras.

Nascida em Fortaleza (CE), em 17 de novembro de 1910, a escritora estreou seu trabalho em 1927 usando o nome de Rita de Queiroz, com uma publicação em um jornal do Ceará. Em 1930, Rachel publicou o romance O Quinze, que teve uma grande repercussão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A partir deste momento, a escritora se projetou no cenário da literatura nacional, publicando mais de duas mil crônicas, e inúmeros livros. Morreu em 4 de novembro de 2003, no Rio de Janeiro.

* Dinah de Silveira de Queiroz
A escritora Dinah Silveira de Queiroz foi eleita pela academia em 10 de julho de 1980 para ser a sétima ocupante da Cadeira 7 da ABL. Apesar do sobrenome parecido, ela e Rachel de Queiroz não pertencem à mesma família.

Dinah nasceu em São Paulo em 9 de novembro de 1911 e já demonstrava o interesse pelos livros, desde pequena, quando seu pai lia histórias para ela.

Seu livro de estréia, Floradas na Serra, de 1939, marca ao contar a cena de um personagem que está morrendo e se despede da filha à distância, pois ele tem uma doença grave e não quer contaminá-la. A cena é baseada na vida da escritora, que perdeu a mãe ainda pequena.

Dinah publicou contos, novelas, crônicas e romances. Viveu seus últimos anos em Lisboa com o segundo marido, de onde publicou sua última obra: Guida, caríssima Guida (1981). Morreu em 27 de novembro de 1982, no Rio de Janeiro.

Nélida Piñon
Escolhida, em 27 de julho de 1989, como a quinta ocupante da Cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon foi a primeira mulher, em 100 anos, a presidir a ABL, em 1996 e 1997.

A escritora nasceu em 3 de maio de 1937, no Rio de Janeiro, e formou-se em jornalismo pela Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica também do Rio.

Sua primeira obra publicada foi o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, em 1961. Suas obras, seus contos e ensaios foram traduzidos para diferentes línguas e fazem parte de antologias brasileiras.

Nélida também foi titular da Cátedra Henry King Standford em Humanidades, da Universidade de Miami, de 1990 a 2003, de onde se desligou para assumir a presidência da ABL. Além disso, recebeu diversas condecorações internacionais e homenagens, como a biblioteca Nélida Piñon, no Morro Santa Marta.

* Lygia Fagundes Telles
Eleita em 24 de outubro de 1985, Lygia Fagundes Telles é a quarta ocupante da Cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras. A escritora nasceu em 19 de abril de 1923 em São Paulo, mas passou a infância no interior do Estado.

Lygia se formou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP) e, ao mesmo tempo, cursou a Escola Superior de Educação Física também na USP.

A escritora é lembrada por se mostrar contra o Regime Militar no País como na obra As Meninas (1976) e, em 1976, foi à Brasília entregar um importante manifesto contra a ditadura, chamado Manifesto dos Mil.

Lygia também teve suas obras publicadas em diversas línguas, recebeu prêmios e condecorações nacionais e internacionais. Ela e Nélida ocupam suas cadeiras até os dias de hoje.

* Zélia Gattai
A escritora Zélia Gattai foi eleita na ABL em 7 de dezembro de 2001. Ela é a sexta ocupante da Cadeira 23, que ficou vaga com a morte de seu marido e também escritor Jorge Amado.

Zélia nasceu em São Paulo, no dia 2 de julho de 1916, e viveu, na década de 1930, em meio a intelectuais da época, como Carlos Lacerda, Oswald de Andrade, Tarsilla do Amaral, Lasar Segall, Mário de Andrade e outros. No cenário internacional, a escritora conheceu outras pessoas importantes, como Picasso, Pablo Neruda Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, por causa do período que ela e Jorge Amado ficaram exilados na Europa.

O livro Anarquistas Graças a Deus, lançado em 1979, deu início a carreira literária de Zélia, sempre apoiada pelo renomado escritor Jorge Amado.

Em 2001, Zélia ficou viúva e, pouco tempo depois, publicou dois livros: um sobre as suas memórias e outro sobre seu marido: Jorge Amado: Um Baiano Sensual e Romântico.

* Ana Maria Machado
Sexta ocupante da Cadeira 1, Ana Maria Machado foi eleita no dia 24 de abril de 2003 e ocupa o cargo até os dias atuais.

A escritora nasceu na véspera do Natal de 1941, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Estudou no Museu de Arte Moderna também do Rio e no MoMa de Nova York. Em 1964, se formou em Letras Neolatinas, pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, e é pós-graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Trabalhou muitos anos como professora, depois como jornalista, até cair de cabeça na literatura e, em 1977, ganhou o prêmio João de Barro pelo livro História Meio ao Contrário, escondida por um pseudônimo.

Especializada em literatura infanto-juvenil, Ana Maria já ganhou diversos prêmios, entre eles o Jabuti, e teve seus mais de 100 livros traduzidos para mais de 20 países.

Fonte: Academia Brasileira de Letras

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