Segundo estudo australiano, mulheres dão mais resultados do que os homens, mas ainda são julgadas pelas aparências

Michelle Bachelet, eleita presidente do Chile
em 2006: participação feminina na política
brasileira ainda é tímida
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Michelle Bachelet, eleita presidente do Chile em 2006: participação feminina na política brasileira ainda é tímida
A presença feminina nos palanques da política vem crescendo gradativamente, mas ainda é muitas vezes julgada pelas aparências. Apesar dos pesares, segundo a Dra. Mary Crawford, da Escola Tecnológica de Administração da Universidade de Queensland, na Austrália, isto é um obstáculo para o reconhecimento da verdadeira contribuição das mulheres no poder.

Segundo pesquisa realizada por Crawford, as mulheres que pertencem aos Parlamentos da Austrália, dos Estados Unidos e do Reino Unido gastam consideravelmente mais tempo trabalhando e cuidando de seu eleitorado do que fazem os homens. No entanto, são mais criticadas por suas imagens do que pelo desempenho político.

Em estudo realizado recentemente pelas Universidades de Stanford e de Chicago, nos Estados Unidos, as mulheres do Congresso estadunidense são capazes de conseguir mais dinheiro para seus respectivos distritos do que os companheiros de trabalho. Segundo o jornal norte-americano politico.com, ao examinar o desempenho de todos os membros da casa entre os anos de 1984 e 2004, descobriu-se que as mulheres conseguem cerca de 9% a mais de orçamento para seus distritos do que os homens.

Há outras variações que contribuem para esta característica, além do gênero: filiação partidária e prioridades diferentes são algumas delas. Mas segundo a pesquisadora de Stanford Sarah Anzia todos estes fatores foram considerados no estudo.

Cenário nacional
No Brasil, de acordo com balanço do Tribunal Superior Eleitoral em 2008, as mulheres representam 51,7% do eleitorado brasileiro, mas não chegam perto deste número dentro da representação política. Segundo informações do site da campanha “Mais Mulheres no Poder”, no Supremo Tribunal Federal, por exemplo, são duas mulheres para nove homens.

A presença feminina na Câmara dos Deputados e no Senado não passa de 10% e nenhuma mulher alcançou a Presidência da República, como já aconteceu em países como Argentina e Chile, com Cristina Kirchner e Michelle Bachelet, respectivamente.

Judy Biggert, congressista norte-americana:
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Judy Biggert, congressista norte-americana: "Isso sempre me levou a trabalhar duas, três vezes mais do que os homens"
Escalada de poder
De acordo com o jornal australiano online news.com.au, Crawford também afirmou que “membros masculinos dos Parlamentos gastam mais tempo se vangloriando por seu papel, se auto-elogiando e se insinuando àqueles de mais poder para alcançar postos mais altos”.

Enquanto isso, as mulheres são levadas a trabalharem mais por, entre outros fatores, constantes dúvidas colocadas em relação à capacidade. Segundo informou uma das representantes do Congresso dos Estados Unidos, Judy Biggert, ao politico.com, as pessoas sempre a questionaram sobre sua força para o cargo. “Isso sempre me levou a trabalhar duas, três vezes mais do que os homens”, disse.

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