A história da quarta maior rede varejista do País se confunde com a história de sucesso dessa mulher.

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Ela precisou ser mais do que guerreira para se tornar uma das maiores executivas do varejo no País. Precisou acreditar em seus sonhos e lutar para concretizá-los. Implementou na empresa seus valores pessoais: força, vitalidade e o conceito de que as pessoas fazem a diferença. Vencedora de diversos prêmios, entre eles o de quarta executiva mais importante da América Latina, concedida pela revista América Economia em 2007.

E apesar de todos os prêmios já recebidos e do cargo de alta executiva, não abre mão de duas coisas: simpatia e simplicidade. Conheça um pouco mais de Luiza Helena Trajano, superintendente da rede de lojas Magazines Luiza.

A TRAJETÓRIA
Luiza começou na empresa dos tios, em Franca, aos 12 anos. Deixou de lado as férias da escola para trabalhar na loja. Daí em diante, passou por todos os cargos existentes, da cobrança a gerência e, em 1991, tornou-se superintendente. É formada em Direito e Administração de Empresas, casada e tem três filhos (duas meninas e um menino). Ela é a responsável pelo grande salto da holding ao criar as lojas eletrônicas Luiza, projeto pioneiro no Brasil. Todos os produtos da loja ficam em exposição no site. Outra ação importante criada por ela foi a campanha Liquidação Fantástica. A executiva fortaleceu a comunicação olho no olho, transformando gerentes em empreendedores, dando agilidade na tomada de decisões.

PRÊMIOS
Encontramos Luiza durante a cerimônia de entrega do prêmio da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Em seu discurso de agradecimento, ela chamou a atenção dos diretores e executivos para a falta do orgulho nacional. De maneira leve, simples e irreverente, lembrou a todos que é possível ter orgulho de ser brasileiro e pediu que todos os diretores levassem adiante o nome do País no exterior. Sobre a mulher no comando, fez questão de dizer: Receber esse prêmio é muito importante porque é um premio na área financeira que é uma área muito masculina. Eu acho que a mulher hoje tem um papel muito importante na sociedade, no trabalho e em todas as áreas. Receber esse prêmio para mim é uma honra mas aumenta minha responsabilidade como mulher e brasileira.

A CARREIRA
Hoje eu acho normal a mulher alcançar grandes cargos. O perfil de uma empresa de sucesso hoje tem o perfil de uma mulher. A economia mudou muito nesses dez anos e o mercado passa por uma profunda transformação. Quando antigamente você ouvia falar em sensibilidade, educação, emoção nas empresas? Foi a mulher quem permitiu desenvolver isso. A mulher está muito adequada ao perfil que é exigido hoje pela economia atual. Eu acho isso positivo.

MÃE, ESPOSA, EXECUTIVA, MULHER
Não é fácil ser tudo isso! É uma luta, mas procuro cuidar de todos esses meus lados. Hoje meus filhos estão moços, não é tão difícil. Mas eu fui mãe e trabalhei fora, sei que é difícil, mas não impossível. Na minha empresa eu institui o cheque-mãe, para ajudar as mães a criarem seus filhos. Eu tento levar uma vida normal de mãe, mulher, esposa. Eu faço as unhas, vou ao cabeleireiro, sempre dá tempo. Minha rotina começa às 8h30 da manhã. A diferença é que ela acaba às 21h, na empresa. Eu sou uma pessoa muito comum, assisto novela, faço dança, adoro esportes aquáticos. Sou muito comum mesmo.

PRECONCEITO OU PARADIGMA?
Acho que existem poucas mulheres no topo da pirâmide. Não acho que por preconceito, mas sim por um paradigma muito arraigado nas empresas. Os salários entre homens e mulheres ainda são desproporcionais. Mas eu gosto de chamar a atenção para a mulher operária, que sai de casa às 4 h da manhã. Acho que ela tem que ser vista em uma outra faixa, não na faixa da mulher executiva. A executiva tem secretárias, motoristas, babás. A operária sai de casa sem saber com quem vai deixar os filhos. E são essas mulheres que muitas vezes mantém o lar, são chefes de família. Sei disso porque 50% dos meus funcionários são mulheres. E tenho duas filhas. Sempre digo a elas que lutem pelos sonhos e tentem fazer do Brasil um lugar melhor.

QUE CAMINHOS SEGUIR?
Acho que as mulheres estão se fazendo tão importante nas empresas, que com o passar do tempo elas vão ganhando terreno naturalmente. A executiva da Pepsi é uma mulher (A indiana Indra Nooyi, que assumiu em agosto o cargo de presidente-executiva da PepsiCo), aqui no Brasil nós temos outras mulheres de destaque. É só assim que a gente vai conseguindo abrir espaço: fazendo bem feito e se destacando.

HOMENS E PODER
Acho que o poder assusta um pouco os homens. Não no meu caso, porque meu marido aceitou bem a transformação da minha vida, ele vibra com isso, vibra comigo. Mas eu vejo as mulheres mais jovens, em cargos de chefia, eu acho que assusta sim. Os homens respeitam, mas se assustam e até se afastam.

PING-PONG
Em poucas palavras...

Família é essência
Trabalho é energia
Dinheiro é conseqüência
Ser mulher é tudo

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