Segundo artigo do Harvard Business Review, o mercado econômico já é dominado pelo público feminino

Bolsa de ações na Alemanha: as mulheres vão
assumir o comando do mercado, mas ainda se
sentem incompreendidas pelas empresas
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Bolsa de ações na Alemanha: as mulheres vão assumir o comando do mercado, mas ainda se sentem incompreendidas pelas empresas
De acordo com estimativas do Banco Mundial, o poder aquisitivo feminino já alcançou a marca de 13 trilhões de dólares, e acredita-se que chegará aos 18 trilhões em, no máximo, cinco anos.

Representando um mercado em crescimento que já passa do dobro do que a China e a Índia – juntas – oferecem, a força da economia é liderada pelas mulheres. Mas sustenta controvérsias. De acordo com artigo da revista norte-americana Harvard Business Review, mesmo que elas também já controlem por volta de 20 milhões de dólares em despesas de consumo, número previsto de chegar aos 28 milhões até 2014, ainda se sentem carentes ou até mesmo ignoradas pelas companhias em geral, como por exemplo, a Dell.

Tiro pela culatra
Em maio deste ano a marca de computadores criou o site “Della”, com a proposta de comercializar notebooks para as mulheres. Apostando no rosa – como a maioria das empresas faz, anacronicamente, para tornar um produto feminino – a página enfatizava cores, acessórios e ainda, revelava dicas para contar calorias e encontrar receitas.

Segundo entrevista de Michael Silverstein, sócio da consultoria americana Boston Consulting Group, à CNN, as consumidoras viram a aposta da Dell como “insultante”. “O ‘Della’ foi derrubado depois da repercussão crítica”, afirmou o especialista. Para ter um exemplo, o site contava com artigos que chamavam a atenção por chamadas como “Você descobrirá que netbooks podem fazer muito mais do que checar seu e-mail”.

De acordo com um estudo global realizado pela BCG em 2008 com mais de 12 mil mulheres de 40 regiões ao redor do mundo, as mulheres se sentem desvalorizadas em relação às ações mercadológicas e subestimadas em relação ao trabalho. Elas, que na maioria das vezes, possuem dificuldades para equilibrar o trinômio trabalho-casa-família, ainda não ganharam soluções empresariais que atendessem de fato às suas demandas de produtos e serviços específicos.

Controle, mas nem tanto
Embora o público feminino concentre a maioria dos gastos em bens de consumo, são poucas as empresas que admitem as mulheres como formadoras de opinião dentro do mercado. Com esta avaliação, Silverstein acredita que a indústria está se arriscando. Por um lado, as mulheres constituem um dos mercados mais promissores dos próximos anos. Por outro, elas sentem dificuldades para usufruir de uma refeição saudável ou conseguir conselhos financeiros sem se sentirem desrespeitadas porque as empresas continuam oferecendo produtos e serviços fracamente idealizados, com propagandas que promovem apenas o estereótipo feminino.

Nos Estados Unidos, o número de mulheres está quase ultrapassando o número de homens dentro do ambiente de trabalho. Mas também lá, como em todos os outros países do mundo, elas ainda recebem salários mais baixos. Ainda assim, segundo o artigo da Harvard Business Review, com um grande aumento da influência feminina em variados negócios e serviços, este público que já não pode ser caracterizado pela cor rosa está prestes a dominar o enfoque mercadológico. E é melhor o mercado ouvir.

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