De acordo com estatísticas do organismo, 1 em cada 5 mulheres foi violentada ou vítima de tentativa de estupro

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A ONU comemorou nesta quinta-feira (5) o Dia Internacional da Mulher com um apelo para combater a discriminação e pedindo a rejeição à violência de gênero, que, em alguns países, afeta uma em cada três mulheres .

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou o compromisso do organismo com a meta de erradicar no mundo as agressões contra a mulher. "A violência de gênero é um ataque contra todos nós, contra os alicerces de nossa civilização", afirmou em discurso durante o ato na sede das Nações Unidas.

Ban ressaltou que as mulheres são "as que dão à luz e cuidam de nossos filhos e, em muitos lugares do mundo, são as que semeiam os grãos que nos alimentam". Para ele, as agressões sofridas pelas mulheres são uma " abominação " que entra em contradição com o significado da Carta das Nações Unidas.

Campanha global

O secretário-geral da ONU insistiu em que os homens têm a obrigação de se mobilizar para erradicar essas práticas que perpetuam a pobreza e causam agravamento da saúde de toda a sociedade.

"A violência de gênero não pode ser tolerada em nenhuma de suas expressões, sob nenhum contexto ou circunstância, nem por líderes políticos ou governos", afirmou.

Ele lembrou que a ONU iniciou no ano passado a campanha global "Unidos para pôr fim à violência contra a mulher" , que tem como meta erradicar este tipo de agressões até 2015, o mesmo ano que foi definido como marco para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Para poder medir o avanço em direção a esta meta, a organização inaugurou uma base de dados na qual serão registradas as medidas adotadas pelos 192 países-membros da ONU para combater as agressões contra a mulher.

Direitos humanos

A diretora do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher , Inés Alberdi, lembrou em mensagem institucional que a convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher (CEDAW), de 1979, já reconheceu a segregação por gênero como a raiz da violência contra as mulheres.

Como consequência disso, a comunidade internacional decidiu, na Conferência Mundial de Direitos Humanos de 1993, reconhecer que os direitos das mulheres são direitos humanos, e que a violência contra elas constitui um abuso destes direitos, disse.

A organização ressaltou que 185 Estados ratificaram a CEDAW e que 90 confirmaram o Protocolo Facultativo . Este protocolo fornece a indivíduos e grupos de mulheres a possibilidade de apresentar diretamente à convenção queixas relacionadas a violações a seus direitos.

Nesse sentido, em pelo menos 89 países há algum amparo legal relativo a violência doméstica, e o estupro é, agora, considerado um crime em quase todo o mundo. "Na metade do caminho para chegar a 2015, o momento está sendo forjado ", afirmou Ban.

Alberdi ressaltou que "a meta pela qual as mulheres marcharam há já mais de um século por uma vida livre de pobreza e violência se estendeu a países de todo o mundo".

"Em todas as partes, as pessoas acreditam que a vida dos homens e das mulheres podem ser diferentes, e os governos têm a obrigação fundamental de respeitar, proteger, cumprir e fazer cumprir os direitos humanos", acrescentou.

Afeganistão

A Unifem aproveitou os atos para chamar a atenção para a situação da população feminina no Afeganistão , país que, oito anos depois da queda do regime dos talibãs, continua sendo o lugar do mundo onde ser mulher é mais perigoso .

A responsável pela Unifem em Cabul , Wenny Kusuma, afirmou que, à medida que o conflito com os talibãs foi se intensificando, ocorreu um aumento da tolerância social à violência de gênero. Como consequência, cresceram os assassinatos de mulheres, os maus-tratos e os ataques com ácido.

Segundo a ONU, 87% das afegãs foram vítimas de alguma forma de maus-tratos. Além disso, as mulheres nesse país têm a menor renda per capita do planeta, e sua expectativa de vida é de 44 anos. Por outro lado, 57% se casam antes dos 16 anos, e o índice de mortalidade materna é o segundo maior do mundo.

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