Inspiradas pela coragem das Madres de Plaza de Mayo, mulheres fazem vigília por seus filhos, dependentes químicos esquecidos pelo governo argentino

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Durante o mês de março, a associação argentina Madres en Lucha (Mães em Luta) protagonizou uma série de vigílias em defesa dos jovens dependentes químicos. Os protestos pacíficos ocorreram na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires .

Uma mãe não desanima nunca. Não há mais ninguém ajudando nossos filhos, diz Marta Gómez, presidente da associação. O Madres en Lucha trabalha para recuperar usuários de crack (na Argentina, popularmente conhecido como paco), droga produzida a partir dos resíduos da fabricação da cocaína .

O grupo foi fundado em 2006 no bairro de La Boca , localizado na região sul da capital argentina, como resultado de uma série de encontros entre agremiações de bairro que buscavam soluções para problemas ignorados pelo governo da cidade.

Fora da cidade de Buenos Aires ainda existem as Madres Contra el Paco (Mães contra o crack) e as Madres y los Padres del Dolor (Mães e Pais da Dor), que realizam rondas noturnas pelos seus próprios bairros, como forma de inibir a venda da droga, arriscando suas vidas em uma luta particular contra o tráfico .

Trabalho de formiguinha

As madres tratam de conter, apoiar e construir alternativas para os futuros recuperados. O que nós fazemos quando nos procuram é escutá-los, deixar que contem seus problemas e vemos de que maneira querem resolvê-lo diz Marta.

Trabalhamos para que, quando esses garotos deixem centros de recuperação, tenham uma ferramenta de trabalho e que possam sair e trabalhar.

Nos últimos anos o consumo de crack cresceu por volta de 200%, principalmente depois da crise econômica enfrentada pelo país em 2001. Só em La Boca, onde surgiu o Madres em Lucha, estima-se que morrem entre três e quatro garotos por semana vítimas da droga.


Protestos pedem ajuda do governo argentino (Divulgação)

Omissão do Estado

Ainda não há dados oficiais precisos sobre o número de consumidores de crack no país, nem políticas de saúde próprias para esse tipo de droga. Esta é uma droga de extermínio , o governo não se importa com a morte de garotos pobres e infelizmente só reagirá quando o paco chegar à classe média , explica Marta Gómez, do Madres em Lucha.

Uma reclamação importante feita por essas mães é que, quando consumidores da droga são recebidos em hospitais , seus casos acabam sendo registrados como problemas pulmonares, taquicardia, tuberculose ou qualquer outra coisa que não seja o crack. Dessa maneira é impossível que haja uma estatística médica e o governo lava suas mãos quando se toca no assunto.

Violência como obstáculo

A polícia corrupta também dificulta o trabalho contra o crack. As mães do Madres en Lucha adotaram a política de efetuar denúncias contra traficantes, fabricantes e incidentes relacionados com o  crack em seus bairros, mas essa ação fracassou , uma vez que a polícia sempre chegava aos lugares denunciados e não encontrava ninguém.

A violência também é um obstáculo para os trabalhos dos grupos. Ex-viciado na droga, o filho de Isabel Vázques, do Madres en Lucha, foi assassinado por traficantes. Os criminosos decidiram que a morte dele seria muito mais impactante e eficiente para parar o movimento do que qualquer atitude contra a associação.

O importante é que as mães mantenham contato para saber o que se necessita e como pedi-lo. Não se deve olhar para o lado e ignorar, mas sim, envolver-se . Todos deveriam preocupar-se porque esses garotos podem ser nossos filhos, mas eles ficam loucos pelo consumo da droga e podem sair e roubar ou matar qualquer pessoa diz Isabel.

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