Nawal al-Samarraï denunciou o pouco caso do governo iraquiano com as mulheres mas sofreu com a falta de recursos

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Quando foi nomeada secretária de Estado para Assuntos Femininos, em julho de 2008, Nawal al-Samarraï iniciou o trabalho com entusiasmo. Agora, seis meses mais tarde, se diz esgotada por tantos empecilhos ao desenvolvimento de seu trabalho e pediu demissão do cargo.

"Sou uma pessoa voluntariosa, obstinada . Estava convencida de que poderia conseguir avanços para a condição das mulheres, mas tive de lidar com grandes obstáculos", afirmou à AFP em uma sala do hotel Rachid, na "zona verde" em Bagdá.

"A ocupação, o terrorismo , a economia em decadência... Tudo isso gerou um exército de viúvas, ao aumento do número de divorciadas , de mulheres solteiras, pedintes", acrescentou, com um véu na cabeça e expressão séria. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), de um a três milhões de mulheres estão hoje sozinhas no comando de suas casas no Iraque, em razão dos conflitos dos últimos dez anos.

"A sociedade está desabando, e eu era ministra num ministério sem recursos , sem poder, sem representantes na província", disse Samarraï, acrescentando que seu orçamento mensal era de 7.500 dólares, sem contar os salários dos colaboradores. "Como trabalhar? Eu protestei , eu insisti. Nenhum dos meus pedidos foi atendido e, mesmo os poucos que conseguiram ser atendidos, o foram apenas parcialmente", afirmou.


Foto: AFP

Coerência na questão feminina

Consciente da dificuldade de defender uma causa considerada "pequena" em um país conservador e que acaba de sair da guerra, ela disse que suas demandas eram coerentes.

"Se eu estivesse reivindicando igualdade entre homens e mulheres nestas circunstâncias, poderiam ter me dito 'não está na hora'. Mas tudo o que peço é uma solução para as viúvas, as presidiárias, as mendigas, as vítimas de violências e as desabrigadas", explicou.

"A questão das mulheres não é uma prioridade para o governo. Mas se as mulheres recebessem ajuda, acho que a metade dos problemas sociais seria resolvida", disse ela, que é mãe de cinco filhos, destacando que apenas uma pequena parte das mulheres que perderam seu marido recebe  pensão, que não chega a 60 dólares por mês .

Samarraï disse que estas mulheres são particularmente vulneráveis e suscetíveis ao extremismo ideológico. Ela citou, assim, o caso da "mãe dos fiéis", que recrutou 80 mulheres para cometer atentados suicidas . "Recrutou professoras, médicas? Não, ela recrutou mulheres não alfabetizadas, às quais a sociedade fechou as portas ", disse.

Samarraï manifestou também preocupação com o aumento dos chamados " crimes de honra ", que se somam à violência conjugal e ao assédio sexual.

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