Elas invadem o território masculino e mostram que as mulheres não sabem pilotar só fogão

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Quando Cláudia Santos Leão tirou sua carteira de motorista, ela queria mesmo era aprender a andar de moto . Quando comecei a pilotar, fui entregar pizza para treinar. Aí, o hobby virou trabalho, diz a motogirl, que está na profissão há dois anos.

Simone Muniz de Aguiar resolveu comprar sua moto no dia em que se atrasou para o trabalho por causa do ônibus . Com a escolha, ganhou independência e, alguns meses depois, um novo emprego. No começo, o que eu entreguei de pizza fria e murcha você não acredita, conta, aos risos.

Como é de se imaginar, Simone e Cláudia trabalham em um ambiente ainda dominado pelos homens . Dos quase 60 entregadores da rede de pizzaria em que trabalham, em São Paulo, só as duas são mulheres. Mas elas garantem que o relacionamento não é difícil . É gostoso, a gente fala besteira, eles nos tratam de igual para igual, garante Simone, de 23 anos.


Vaidosa, Simone não se importa com as gracinhas que ouve de outros motoqueiros

As motogirls trabalham seis dias por semana, das 18h às 23h30, quando finalizam os pedidos. Aos 31 anos, Claudia ainda faz jornada dupla e realiza entregas pela cidade com a sua moto. Durante o dia, o trabalho é mais corrido e o trânsito é mais complicado, conta.

Machismo e ciúme

Apesar de não sentirem um tratamento diferente de seus colegas, as entregadoras concordam que existe machismo entre os motoqueiros. Eles não aceitam ficar atrás de mulher, acham que a gente não sabe pilotar, reclama Cláudia.

Ela também acredita que as mulheres são mais pacientes e flexíveis , o que deixa o trabalho mais fácil: Os homens se afobam e não aceitam sugestões, diz.

Simone conta que ainda precisa lidar com o ciúme do marido , que também é motoqueiro. Casada há 9 anos e com dois filhos, ela diz que as coisas eram mais difíceis quando ele trabalhava na mesma empresa. Agora, em lugares diferentes, a relação ficou mais tranquila .

Perigo e vaidade

As motogirls não consideram o trabalho que fazem perigoso. "Eu gosto da emoção, mesmo sabendo que posso sofrer um acidente ", afirma Simone, que já bateu em outra moto durante as entregas. "Bati de frente e foi pizza para todos os lados".

Cláudia também já passou por alguns apuros . Ela conta que o mais assustador foi quando voou da moto e caiu em cima do capô de um carro. "Nunca quebrei nada, mas escondo os acidentes mais sérios da minha mãe, para ela não se preocupar".

Em meio a tantos homens, em um trabalho tão masculinizado, como fica a vaidade? Simone afirma que faz de tudo para mostrar que sobre a sua moto há uma mulher . Uso anéis, decotes, calça apertada... E o meu capacete é rosa, claro, conta a motogirl, apelidada pelos amigos de Penélope Charmosa .

Já Cláudia acredita que as mulheres chamam muita atenção quando estão sobre a moto: não tenho vaidade na hora de sair de moto, afirma. Os homens mexem, fazem muitas piadinhas . Então, não me arrumo muito para evitar essas coisas, explica.

Apesar dos problemas do trânsito da cidade, dos acidentes e de todos os obstáculos que encontram na profissão, elas não largam a moto por nada. É minha independência . Com ela, sou livre, resume Simone.

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