Manchete do Diário de Pernambuco faz a gente pensar...

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Quatro dias depois do bispo, dom José Cardoso Sobrinho , anunciar a excomunhão da mãe e dos médicos envolvidos na interrupção da gravidez de uma menina de 9 anos, estuprada pelo pai e grávida de gêmeos, é Dia Internacional da Mulher também em Recife e em Olinda.

E a capa do Diário de Pernambuco traz em letras garrafais o título: "Mulher tem que aprender a dizer não".

Na reportagem, o foco está no comportamento submisso das mulheres, sobretudo nas relações amorosas. "Se o amor vira instrumento de dominação, transforma-se em violência. A mulher tem que dar provas amorosas o tempo inteiro. Abdica dos desejos para não contrariar o parceiro. Nessa hora, o que está em jogo é o medo do abandono, de não ser mais percebida como mulher. Elas são impregnadas dessa cultura patriarcal", explica Taciana Gouveia, mestre em sociologia e educadora feminista da ONG SOS Corpo , do Recife".

A manutenção de padrões arcaicos de comportamento, que, em geral, os estudiosos associam à ignorância e à falta de informação, não é novidade. Na reportagem, a ênfase é na necessidade de dar as mulheres maior autonomia e coragem para dizer "não" aos abusos. A entrevistada do jornal, Taciana Gouveia, continua: "É pouco exposto para a mulher que é possível dizer não, pois ela vive em uma sociedade conservadora. Além disso, é preciso coragem para ser outside. Não é simples viver assim".

Ainda segundo a reportagem, esse padrão de dominação/submissão se perpetua, passa de mãe para filha e, sobretudo, passa de mãe para filho. No casamento, afima outra entrevistada do Diário de Pernambuco, a psicóloga Olga Mendonça, "quando o homem é autoritário, os filhos homens passam a tratar a mãe com violência também".

Talvez seja mesmo coincidência a escolha da manchete do jornal. Mas o assunto é provocador e oportuno.

Mesmo porque a falta de informação e a submissão, em muitos e muitos casos, rima com conivência. E aprender a dizer "não" pode impedir que muitas meninas tenham o destino da garota de 9 anos, que vivia em Alagoinha, em Pernambuco e era estuprada pelo padastro desde os 6.

Leia a íntegra da reportagem do jornal pernambucano aqui

E leia mais sobre a repercussão da decisão do bispo de Recife e Olinda, no Último Segundo

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