Em meio a medidas que preveem melhoras no sistema carcerário, mulheres contam suas histórias dentro dos presídios

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Para atender a uma série de reivindicações, o governo do estado de São Paulo anunciou a criação de oito novas penitenciárias femininas . Entre as novidades que estas unidades trazem, estão alguns espaços diferenciados que permitirão um maior convívio das crianças com as mães encarceradas.

As mudanças no sistema carcerário já foram criticadas por alguns especialistas , especialmente pelo fato ainda não existir um prazo para que entrem em prática . Enquanto não se tornam realidade, mulheres acumulam histórias de violência, desrespeito e esperança atrás das grades.

A advogada das presas

Quando esteve presa em Arujá, Rosângela Aparecida de Souza se tornou a porta-voz das detentas . Enquanto cumpria sua pena, ela organizava listas com os problemas da cadeia e as entregava para as autoridades que visitavam o local.

Hoje, mais de dois anos após ser solta, Rosângela continua a defender o direito dos detentos . Sem nem mesmo ter completado o Ensino Fundamental, ela se tornou a "advogada" de uma série de pessoas encarceradas. Me correspondo por carta e faço visitas para saber como eles estão. Se fico sabendo de algum caso de maus tratos , vou lá verificar e denuncio.


Fora da cadeia, Rosângela continua a lutar pelos direitos dos detentos (Foto: Marina Morena Costa)

Meu objetivo é continuar lutando pelos direitos do encarcerado e do egresso. Tenho muito amor pelo o que faço, gosto muito de ajudar as pessoas, diz. No entanto, Rosângela tem uma motivação a mais: o sonho de libertar o filho mais velho, preso no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros após uma tentativa de assalto.

Leia a história completa de Rosângela no Último Segundo

Infância perdida

Leonilda Aparecida dos Santos Santana foi detida há cerca de um ano e meio ao tentar entrar na cadeia em que seu marido estava preso com drogas escondidas no corpo. Condenada a três anos e dez meses por tráfico de drogas, a jovem deixou para trás um filho , que tinha apenas 2 meses.

Hoje, com 21 anos, Leonilda sente falta de ser mãe. É horrível não ver meu filho crescer. Era meu sonho ter uma criança e estou perdendo a melhor parte da vida dele, diz. Ela, que trabalha no grupo de faxina da cadeia, afirma que quer fazer faculdade quando for solta.  Quero ter uma vida melhor, porque essa vida de crime não compensa . Ficar longe das pessoas que a gente mais ama e que mais amam a gente é o pior.

O caso de Leonilda criou uma polêmica entre os internautas. Enquanto alguns que leram sua história condenaram a prisão da jovem, outros ressaltaram que ela não deveria ter agido contra a lei para preservar seu bebê. Quem quer acompanhar o crescimento dos filhos, não comete crime para parar na cadeia, resumiu um leitor.

Conheça a história completa de Leonilda no Último Segundo

Valeska e a injustiça do sistema

Presa na penitenciária de Sant'Anna, em São Paulo, há pouco mais de um ano, Valeska Karla Ribeiro Oliveira ainda não sabe sua pena. A detenta também não vê próxima a oportunidade de ser ouvida pela Justiça. Acho que o juiz me esqueceu . Não há ninguém que possa agilizar as coisas pra mim lá fora", lamenta.

Valeska só recebeu uma única visita desde que foi presa. Em novembro, sua mãe viajou mais de 400 km para vê-la. Ela trazia fotos dos filhos da detenta, mas os funcionários responsáveis pela revista não permitiram que ela entrasse com os objetos.


Valeska não sabe quanto de sua pena já cumpriu (Foto: Marina Morena Costa)

Ao lerem esta notícia, os internautas do iG expressaram sua indignação . "O sofrimento dela, ela plantou, mas a incompetência do sistema por não ter sido ouvida ainda não se justifica. Os que mais sofrem são seus filhos, graças a uma justiça de incompetentes", afirmou um dos leitores.

Leia a história ocmpleta de Valeska no Último Segundo

Violência e medo

Em 2007, Mariana desapareceu no sistema carcerário. A jovem de 21 anos conta que passou por diversas prisões do interior de São Paulo após ser agredida por agentes penitenciários. Enquanto as marcas da violência sumiam, Maria do Carmo, sua mãe, a procurava em outros presídios e até no Instituto Médico Legal.

Mariana cumpriu sua pena por tráfico de drogas e, hoje, vive com medo de ser reconhecida pelos funcionários. Temendo represálias pelas denúncias que fez, ela mal sai de casa e sofre de insônia . Durmo dia sim, dia não. Só saio até o portão para colocar minha filha na perua da escola, conta.

Nos comentários, enquanto alguns internautas se mostraram contra a ex-detenta, outros se pronunciaram contra a ação violenta dos agentes. Se a pessoa infringiu a lei, tem mais é que responder pelos seus crimes. Mas como mostraremos que nós somos uma sociedade justa se não podemos oferecer uma oportunidade de recuperação a eles?, questiona um leitor.

Leia a história completa de Mariana no Último Segundo

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