"As duas candidatas são muitos honestas na maneira de vestir. Elas cumprem seus devidos papéis”, diz João Braga, professor de História da Moda

Na corrida presidencial, as joias discretas de ouro e pérolas de Dilma Rousseff enfrentam os colares artesanais de Marina Silva, muitos confeccionados na oficina de sua própria casa. Com estilos completamente diferentes de vestir, elas estão nos primeiros lugares nas pesquisas de intenção de voto e na mira de quem entende de códigos de imagem.

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“Os políticos sabem muito bem que técnicas de um bom image maker conseguem exteriorizar em sua imagem o que têm de melhor: suas ideias, suas convicções, sua história, sua competência administrativa, sua bondade e sua ética, entre outras qualidades”, diz Bia Kawasaki, consultora de moda, stylist e autora do livro “Dress Code – Impacto da Imagem Pessoal nos Negócios”. “As roupas são símbolos do poder desde sempre, a exemplo das leis suntuárias, que são imposições vindas de cima para baixo, que proíbem ou obrigam o uso de alguma coisa. Em Roma, por exemplo, só o imperador podia vestir a cor púrpura. Outro código de poder era o salto vermelho de Luiz XIV. Uma das mais recentes leis suntuárias daqui foi permitir que as mulheres usassem calça comprida nos fóruns. As leis são mais amenas hoje em dia, há bastante liberdade de vestir no ocidente”, compara João Braga, professor de História da Moda da Faap.

A pedido do iG, os dois profissionais de moda analisaram o estilo de cada uma das presidenciáveis.

Dilma Rousseff: cabelo e maquiagem impecáveis passam vitalidade

“As duas candidatas são muitos honestas na maneira de vestir. Elas cumprem seus devidos papéis”, aponta João Braga. “Dilma é superclássica e, na tentativa de dar contemporaneidade, ela arroja um pouco no cabelo, mas não arroja na roupa, não é da postura dela. Ela não é uma pessoa fashion. Ela cumpre o papel de regente do País. Ela é clássica em toda a indumentária, inclusive nos acessórios, e usa de vez em quando um pingente de olho grego como amuleto”, observa o professor.

Bia elogia o cabelo e maquiagem da candidata do PT à reeleição. “Dilma dificilmente exterioriza cansaço. Através da imagem facial, ela consegue mostrar vitalidade, saúde, leveza. Isso graças ao trabalho de excelente cabeleireiro e maquiador que a equipe dela contratou.” No entanto, a consultora de moda faria alguns ajustes no guarda-roupa da atual presidente. “Essa técnica de usar blusas e blazers que cubram o abdome de uma maneira mais soltinha não resolve a questão do biotipo de Dilma, que engordou um pouquinho. Eu indicaria que ela usasse mais saias do que calças, porque tem pernas bonitas, e também encurtaria o comprimento dos blazers e paletós. Ela usa modelos compridos na intenção de cobrir o quadril e com isso acaba achatando a silhueta. Para alongá-la um pouco, as peças deveriam ser na altura do osso da bacia”, opina ela. 

Candidata do PT deve trocar roupas vermelhas por brancas

A consultora de moda também diz que trajes brancos favorecem Dilma e sugere que ela deixe de usar o vermelho, cor que gosta de vestir em comícios. “O vermelho não é uma cor tão simpática para o eleitor porque lembra sangue, sofrimento e comunismo, que tem sido amplamente questionado em todo o mundo. Eu evitaria esse excesso de vermelho porque também pode ter a seguinte leitura: ‘estou mais comprometida com o meu partido do que com o País’”, aponta Bia. Os tons da bandeira nacional, principalmente o verde, que a presidente costuma usar em compromissos para representar o Brasil, também não são indicados. “O brasileiro não gosta desse tipo de estereótipo, fica uma coisa meio carnavalesca, meio Carmem Miranda. Brasileiro não simpatiza com isso, ele gosta do belo. O verde cor de bandeira tem um tom muito mais caricato do que profissional”, explica a consultora.

Marina Silva: Apesar da ideologia e da religião, a candidata poderia investir em peças mais modernas

“Moda emana consumo e Marina se veste de acordo com sua ideologia política e posição religiosa. Ela é discreta e usa roupas que a vinculam aos evangélicos. O coque baixo usado por ela também é característico de evangélicos do interior do País”, avalia João Braga. “Mas se Marina for eleita, assim como aconteceu com Dilma, ela deverá mudar um pouco para ser aceita em outras esferas, em âmbito internacional”, continua o professor.

Bia Kawasaki mexeria no estilo da candidata pelo PSB ainda durante as eleições. “A primeira coisa que eu faria seria mudar o cabelo dela. Vamos trabalhar mais o lado da Marina gestora, Marina competente para lidar com situações importantes, não só nacionais, mas mundiais. Mostraria uma Marina que consiga exteriorizar credibilidade através da imagem pessoal. E esse penteado não tem nada a ver”, opina a consultora. “Marina dificilmente conseguiria promover-se num mundo corporativo. É preciso trabalhar mais a maquiagem, aproveitar o corpo que ela tem - é magrinha - para exteriorizar competência, utilizando-se de peças com cortes mais modernos, mais femininos, ousados, que traduzem ao eleitor não só interesse pelo mundo da ecologia, mas interesse também pelo novo, pelo tecnológico, pelo mundo moderno”, completa Bia. “Acho que ela peca nesse sentido. Ela está transmitindo uma imagem muito frágil e com o tempo o eleitor pode enjoar dessa imagem tão adocicada.”

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