Conheça o stylist responsável pelo título de ícone fashion 2014 recebido pela cantora

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Quando seu cliente celebridade é uma pessoa obcecada por moda, infalível e internacionalmente fotografada, um problema peculiar se apresenta. “Ainda estamos em maio”, disse o stylist Mel Ottenberg, “e já esgotamos toda a coleção outono/inverno. Não há mais nada”.

Para a maioria das mulheres, as coleções outono/inverno, que só chegarão às lojas em alguns meses, são algo bastante aguardado. Para Rihanna, cantora e atual ídolo da moda, elas são notícia antiga. Mesmo indo mais rápido que o ritmo natural da moda para mulheres comuns, a indústria não deu conta de acompanhá-la. Vesti-la é trabalho de Ottenberg, responsável pelas roupas de seus vídeos, turnês, muitas das suas inúmeras fotos em revistas e da maioria de suas aparições. É um trabalho bastante difícil de ser realizado porque, no momento, Rihanna ama moda, e a moda ama Rihanna.

Ela foi figura incontestável da primeira fila da Paris Fashion Week em março, em que assistiu aos desfiles de Dior, Chanel, Givenchy, Comme des Garçons, Stella McCartney, entre outros. Ela foi capa da toda-poderosa edição de março da Vogue, que comentou sobre o “Efeito Rihanna” nas coleções de primavera, mostrando a influência de seu estilo sobre designers como Tom Ford, Peter Dundas, da Pucci, e Olivier Rousteing, da Balmain. Após seu desfile, Rousteing disse que ela é uma de suas influências: sua coleção, disse ele, estava “celebrando minha era, minha inspiração, meu amor, Rihanna”. É ela quem irá figurar, produzida por Ottenberg, em sua campanha publicitária para a coleção de primavera.

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No início de junho, o Council of Fashion Designers of America a nomeou Ícone Fashion de 2014 na premiação do CFDA. “Ela representa bem o air du temps”, disse a presidente do conselho, a estilista Diane von Furstenberg, de sua casa em Paris. “O nome dela surgiu e todos concordaram”.

Por que agora? Não há controvérsias de que Rihanna tem o poder de celebridade e um invejável catálogo de hits. Mas a adulação do mundo da moda é um fenômeno mais recente. “Seu amor pela moda, seu gênio ao usá-la como expressão criativa, são coisas que floresceram nos últimos anos”, disse Ottenberg. Por mais que ele dê créditos ao seu senso de estilo e frise que ela é uma colaboradora, e não uma manequim, a diferença nos anos recentes é o próprio Ottenberg. “Eu vi potencial ali”, disse ele. “Poderia usá-lo e realmente fazer algo com ele”.

Mel Ottenberg, responsável pelo visual de Rihanna
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Mel Ottenberg, responsável pelo visual de Rihanna

Por diversos motivos ele é uma escolha improvável para o cargo. Ottenberg passou aproximadamente a última década como stylist, trabalhando principalmente em revistas ou nas passarelas. Ele também nutre uma fixação pela cultura pop. “O conhecimento que ele tem em relação à história da cultura pop é bastante singular, ao menos em nosso círculo”, disse o arquiteto e designer Rafael de Cárdenas, amigo desde a época da Rhode Island School of Design. “E nosso círculo é bastante versado em cultura pop” (a respeito de uma jaqueta que de Cárdenas estava certa vez considerando usar, Ottenberg disse: “Você não pode usar essa jaqueta militar. Vai ficar parecendo a Audrey de ‘Férias Frustradas na Europa’”).

Ottenberg começou a trabalhar com Rihanna na turnê “Loud”, em 2011, encarregando seu namorado, o designer Adam Selman, e Jeremy Scott, também designer, de criarem os figurinos (desde então, Selman se tornou colaborador frequente com Ottenberg em relação aos looks de Rihanna e também o designer da coleção que ela criou com a loja inglesa River Island). “Quando vi a estreia ao vivo e os fãs surtando e cantando junto, fiquei fissurado”, disse Ottenberg. “Pensei: ‘Isso é legal. Isso é diferente. Dá pra fazer muita coisa. Dá pra criar tendências. Todo mundo vai falar sobre isso’”.
Mas, em uma indústria em que stylists tendem a se dividir entre celebridades e o campo editorial, Ottenberg, de 38 anos, escolheu fazer ambos. “Trabalhar com ela é realmente gratificante”, disse ele, “mas é apenas uma parte do que faço. Definitivamente há uma divisão”.

Ele é consultor da Nike e continua produzindo para revistas, incluindo o periódico cultural vanguardista 032c, baseado em Berlim, que no ano passado nomeou-o diretor de moda. Joerg Koch, fundador e editor do periódico, elogiou sua habilidade de entender e equilibrar a estética de uma pop star internacional e de uma revista de nicho.
“É provavelmente um novo fenômeno”, disse ele. “A polêmica toda sobre mainstream versus underground não existe mais”.

Mainstream ou underground, uma parte que sempre foi importante na estética de Ottenberg é um certo flerte com o “sujo”. “Amo o glamour, e posso brincar com ele, mas no fim tenho uma vibração mais desarrumada, irreverente”, disse ele.

Essa vibração combinou bem com Rihanna e mostrou-se certeira para o momento.
A última cantora a ter um efeito comparável no mundo da moda (e a ser nomeada como Ícone Fashion pela CFDA, em 2011) foi Lady Gaga, cujo senso da moda tende ao conceitual e ao hiperproduzido. O de Rihanna, por outro lado, é sexy, frequentemente glamouroso, mas despachado. “O que me pegou foi que ela é tão bonita, tão acima de tudo, que não necessita de muito”, justifica Ottenberg.


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