A modelo radicada em Nova York diz que não liga para as regras de moda para gordinhas e usa listras horizontais, estampas e jeans skinny: “Visto o que eu gosto”

Carioca, criada em Boa Vista (RR) e radicada em Nova York há mais de uma década, Fluvia Lacerda é a modelo plus size brasileira mais bem-sucedida no mercado internacional. Em seu recente rasante por São Paulo, iG pediu para que Fluvia posasse com as roupas favoritas que havia trazido na mala. Na sessão de fotos, uma surpresa. A modelo não acata nenhuma daquelas regras que editores de moda e stylists ditam para as gordinhas: evite listras horozontais, fuja das estampas, nada de calça jeans skinny. “Visto o que eu gosto”, diz ela. Recentemente a cantora Rihanna recebeu o título de ícone fashion e declarou: "Regras da moda são feitas para serem quebradas”.

A ex-babá imigrante, que foi descoberta por uma editora de moda num ônibus em Nova York 11 anos atrás, encabeçou uma campanha para que o Brasil tivesse mais mercado para quem veste manequim grande depois de uma experiência traumática. "Fui visitar minha irmã em Natal (RN) e minhas malas foram perdidas. Não achei roupa para o meu tamanho nas lojas. Fui forçada a usar as roupas de ginástica até minha bagagem ser encontrada", lembra. "Eu era muito mal-acostumada. Você entra em qualquer loja nos Estados Unidos e na Europa e compra a roupa que quiser, o que tem para o manequim 38 tem igual para o meu." 

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Da viagem a Natal há cerca de sete anos para cá, o mercado mudou bastante. "A gordinha era condenada a vestir só malha aqui no Brasil. Não é justo. Eu gosto de malha, mas visto couro, seda, alfaiataria. O mercado brasileiro tem crescido e melhorado muito e é possível achar alfaiataria e bons jeans para as gordinhas." Por causa desse crescimento, Fluvia comemora a chance de poder fazer editorial de moda no Brasil.  "Agora é possível ser fotografada no meu próprio país. Antes não era viável porque eu não podia usar peças que não estavam disponíveis aqui. E hoje tem. Estou superfeliz", diz ela, que, no entanto, tem  mais uma queixa contra a confecção brasileira. "Nosso manequim não é padronizado. Às vezes vou fazer uma sessão de fotos com calças dque vão do manequim 46 ao 56. E quando você compara as peças, elas têm o mesmo tamanho."

Não me faço de vítima. Pego referência, compro chiffon e renda e mando fazer o vestido. Toda mulher deve ser melhor amiga de uma boa costureira"

Apesar das coleções serem cada vez mais acessíveis para quem veste tamanho grande, a modelo sabe que a alta-costura não vai democratizar a esse ponto. "Não me faço de vítima. Pego referência, compro chiffon e renda e mando fazer o vestido. Toda mulher deve ser melhor amiga de uma boa costureira para no mínimo ajustar a cintura das calças. Já comprei blazer que não me servia nos braços e minha costureira fez um encherto com outro tecido, todo mundo elogia quando estou com ele", ensina. 

Outra dica de moda Fluvia aprendeu com a cantora Solange Knowles, sua ícone fashion e irmã de Beyoncé. "Ela gosta peças vintage e étnicas. Encontrei Solange uma vez na África do Sul comprando tecido para fazer roupa. Também sou assim", diz Fluvia, que recentemente arrematou bolsas e colares de brechós de Paris.  

Não entram roupas curtas no guarda-roupa de Fluvia Lacerda: 'Gosto de ficar confortável'
Edu Cesar
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