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Meu filho é gay. E agora?

Você certamente não sonhou que seu filho seria gay quando estava grávida. Não fez planos para que ele conhecesse um belo rapaz e os dois fossem viver juntos. Ou, no caso de uma filha, a mesma coisa: com certeza você jamais projetou que poderia vê-la feliz ao lado de uma boa moça. Mas pode acontecer... E aí é hora de mudar sua forma de pensar, de julgar e de sonhar

Vladimir Maluf

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Acordo Ortográfico

Para Edith Modesto, fundadora do Grupo de Pais Homossexuais (GPH), em São Paulo, também foi muito difícil. A gente está preparada para ter filho heterossexual e leva um choque. Quando eu soube, acho que foi o pior dia da minha vida, conta ela que soube que seu sexto filho era gay há 18 anos. Eu tenho 6 filhos homens, e ele, o caçula, aos 20 anos, não tinha namorada. Para mim, ele era apaixonado pela melhor amiga. Conversei com ele sobre isso, quando ele me disse que não tinha atração por mulheres.

Edith conta que ficou apavorada. A mãe pensa que é doença, problema psicológico e quer entender a opção do filho, mas não é uma opção, pois ele não tem escolha, esclarece a autora do livro Mãe sempre sabe?, pela Editora Record. Aos poucos, a gente descobre que é uma condição natural, espontânea, como a heterossexualidade. E começa a aprender a mudar os sentimentos.

A opinião de Edith mudou brutalmente nesses 18 anos. Ela, que ficou triste com a descoberta, hoje é muito feliz por ter um filho gay, tanto que fundou a ONG. Foi uma benção. Uniu a família para resolver o que a gente achava que era um problema. Ele me ajudou a me tornar uma pessoa muito melhor do que eu era. A mãe não economiza elogios. É um homem inteligente, trabalhador, honesto, de bom caráter e muito bonito. E é um privilegiado, pois é aceito em casa e no trabalho.

Mas qual é o problema, afinal?

Para Edith, o que falta é naturalização da homossexualidade. É difícil para todo mundo: para os pais, irmãos e até para o próprio gay. Mas os pais devem buscar informações para entender a homossexualidade. Não é errado levar um susto ou ficar triste no começo. O erro é querer continuar acreditando naquilo que conhecia até agora, orienta a especialista.

Dar apoio aos filhos é principal conselho aos pais. Ela dá um exemplo prático da necessidade do filho ser acolhido no lar. O menino negro pode sofrer discriminação na rua. Mas, ao chegar em casa, conta para a mãe, ela vai à escola, toma satisfações... Ela conversa com o filho, agrada, beija e abraça. O gay, não. Ele está no terreno inimigo. A própria família é amedrontadora, diz.

Klecius Borges é psicólogo especializado em atendimento a homossexuais e acaba de lançar o livro Desiguais, pela Editora Fábrica de Livros. Segundo ele, é de se esperar que os pais fiquem tristes, frustrados ou mesmo revoltados, quando descobrem que o filho é homossexual. Vivemos em uma sociedade heterocentrada e homofóbica, que não vê com bons olhos a diferença na orientação sexual. Pais e mães não estão, quase nunca, preparados para enfrentar a situação.

O que fazer?

Se você desconfia que seu filho é gay, vá com calma. Não há regras para dizer como agir. Esse processo é fortemente influenciado pela relação existente entre mãe e filho. Depende, também, do que o filho imagina que a mãe pense sobre a homossexualidade, diz ele. Se pensa que a mãe jamais aceitaria, não adianta provocar a confissão, pois ele só assumirá quando se sentir fortalecido emocionalmente. Segundo o psicólogo, a pressão poderá desencadear um processo que ainda não estava maduro.

Outra orientação dele é jamais invadir a privacidade. O que é altamente prejudicial é a mãe ir atrás, remexer nas coisas do filho, entrar no computador, para descobrir segredos. Esse comportamento quebra o vínculo de confiança e torna tudo mais complicado.

Fingir que não sabe de nada pode ser uma má ideia, dependendo do momento. Se os pais estão respeitando o processo do filho, é bom. Por outro lado, é muito ruim quando eles ignoram a orientação do filho por não quererem lidar com a situação, seja por medo, preconceito ou incapacidade. Essa invisibilidade é muito dolorida para o filho, esclarece o terapeuta.

Klecius lembra que todo filho, homossexual ou heterossexual, quer ser amado e respeitado pela mãe. Ser aceito é um grande alívio para o gay. E um tremendo reforço na auto-estima, finaliza.

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