Passional e intensa, Maysa levantou muitas bandeiras feministas antes mesmo da popularização do movimento

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A frase que dá título à matéria era comum na boca de Maysa Figueira Monjardim Matarazzo. A cantora, nascida em 6 de junho de 1936, começou a ter sua história contada em uma minissérie da Rede Globo: Maysa ¿ Quando fala o Coração. A trama foi escrita por Manoel Carlos e dirigida pelo filho da cantora, Jayme Monjardim. A marca registrada dessa mulher foi a força ¿ seja ela do olhar, da voz ou da personalidade. No primeiro capítulo, já é fácil perceber que Maysa era uma mulher ousada e transgressora.

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Em uma das cenas de estreia da minissérie, ela atira um de seus sapatos na mesa de uma churrascaria, onde cantara e não recebia a atenção desejada (e merecida). E se apresentar em um lugar sem nenhum glamour não aconteceu no início da carreira, como ocorre com muitas artistas antes da fama. Maysa, depois de 20 anos de carreira, muitos discos e turnês internacionais, encerra sua vida quando a imprensa deixava de ovacioná-la para massacrar a artista. Alguns jornais chegaram a chamá-la de a bêbada, a gorda, a coitada.

A personalidade marcante de Maysa e a intolerância ao preconceito e ao machismo foram semeadas dentro de casa, assim como a descoberta do seu talento como cantora e compositora. Isso porque seus pais, boêmios, costumavam receber amigos para rodas de violão, regadas à bebida e boa companhia, como os cantores Silvio Caldas e Elizeth Cardoso. As composições também foram precoces: aos 12 anos já tinha composto. E a marca de suas letras era a tristeza.

Casamento


Maysa já era uma feminista muito antes dessa bandeira ser levantada por outras mulheres. Nunca aceitou a submissão da mulher, o que levou seu casamento com o empresário André Matarazzo ao fracasso. A paixão por ele, 22 anos mais velho, começou muito cedo. A cantora ainda era uma criança quando conheceu o amigo de seus pais. E a paixão de infância tornou-se um romance de verdade. Os dois se casaram quando ela tinha 18 anos. E a união resultou em um filho, o diretor Jayme Monjardim.

Com o início da carreira de cantora, as brigas entre o casal passaram a ser frequentes. Maysa não aceitava a imposição do marido, que abandonasse a música para assumir o papel de esposa e mãe de família. E o divórcio foi inevitável, uma atitude chocante para a época, em 1959. André morreu poucos anos depois, fato que foi avassalador para a cantora, mesmo após a separação e o segundo casamento dele. Depois do falecimento do empresário, Maysa resolveu mandar o filho, Jayme, para um internato na Espanha, atitude que não foi bem vista pela família, pela sociedade e nem pelo próprio Jayme.

Escândalos

Mesmo sabendo das consequências de seu comportamento, Maysa as enfrentou. Passou a vida tendo problemas por causa dele. Quebrava regras, impunha suas ideias e não media as palavras. Costumava dizer que, apesar de apanhar da vida, não havia aprendido. E continuaria a desafiar o convencionalismo, sem baixar a cabeça.

Os escândalos eram comuns na vida da cantora, à base de muito álcool, inibidores de apetite e cigarros. Hotéis, aeroportos e restaurantes foram alguns dos cenários de brigas protagonizadas por ela. E, pior, as tentativas de suicídio também ganharam a imprensa. Um dos acontecimentos mais famosos de sua vida foi um banho de cachoeira. A cantora, acompanhada de amigos, no Rio de Janeiro, entrou sem roupa nas águas e foi flagrada por um fotógrafo de uma revista sensacionalista. A legenda: nua e bêbada.

Romances

Maysa nunca mais se casou, mas viveu muitos romances. Um deles com o compositor Ronaldo Bôscoli. Depois de conseguir se aproximar da cantora, não demorou muito para eles se apaixonarem.

O relacionamento com o espanhol Miguel Azanza ficou conhecido, principalmente, por dois motivos: após o casal de amantes ser pego pela esposa do espanhol, os dois fugiram para a França para dar continuidade à paixão. Além disso, as constantes brigas do casal, inclusive públicas, também ganharam as páginas de publicações sensacionalistas. Outros relacionamentos notórios da cantora foram com o ator Carlos Alberto e o maestro Julio Medaglia, que também acabaram. No fim precoce da vida, estava sozinha.

Morte


Um dos refúgios preferidos de Maysa era uma casa que possuía em uma pequena cidade do litoral do Rio de Janeiro, Maicá. Deprimida e sob efeito de um medicamento para quer ela conseguisse abandonar a bebida, a cantora resolveu passar uns dias nessa casa. Apesar do apelo dos pais para que ela não pegasse a estrada sozinha e quase anoitecendo, Maysa não deu ouvidos.

No lusco-fusco de uma tarde de sábado, dirigindo seu carro na Ponte Rio-Niterói, Maysa sofreu um acidente. Dirigindo em alta velocidade, colidiu violentamente na estrutura da ponte depois de perder o controle do automóvel, ao tentar desviar de um outro carro. E foi nesse dia, 22 de janeiro de 1977, aos 40 anos, que o Brasil perdeu a voz de Maysa ¿ além de uma grande artista, uma mulher que ousou desafiar todas as regras.

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