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É nesse domingo (28) que o final feliz deve chegar para a candidata à presidência da Argentina Cristina Kirchner. Final em termos, porque, caso as coisas corram como o esperado, será apenas um começo. A atual primeira-dama deve ser eleita no primeiro turno, e sem fazer grandes esforços. Ela não compareceu aos debates, não explicou seu plano de governo e quase não concedeu entrevistas.
Mesmo em meio a crises energéticas e escândalos de corrupção que envolvem seu marido, o atual presidente Néstor Kirchner, Cristina continua altamente cotada para levar as eleições já nesse final de semana.
Dez pesquisas divulgadas no último domingo (21) dão como certa a vitória da primeira-dama com uma variação de 45% e 54% dos votos válidos. Na Argentina, um candidato com mais de 40% dos votos válidos e dez pontos à frente do segundo colocado pode ser eleito no primeiro turno.
Dessa forma, Néstor Kirchner sai da presidência tranqüilo, com bom índice de aceitação e deixa a cadeira para sua mulher, certo de que alguém dará continuidade ao seu governo, sem temer críticas de sua sucessora.
Informações dos bastidores da imprensa internacional dizem que o objetivo dos Kirchners é transformar a família em uma “dinastia”. Esse seria um dos motivos que fizeram o presidente abrir mão de se candidatar a reeleição em favor de sua mulher.
No mês passado, durante uma visita a Nova York, ela foi intitulada "Queen Cristina" (Rainha Cristina) pelo jornal New York Times, que comparou a corrida para a presidência da Argentina com uma sucessão monárquica de poder. “A primeira presidente mulher da Argentina eleita presidente mais parece uma coroação do que uma campanha”.
Entre irresistíveis clichês, fica difícil não comparar Cristina Kirchner com Eva Perón e pensar na aura das primeiras damas que parecem encantar tanto os argentinos. Mesmo assim, uma presidente mulher parece ter mais a ver com uma tendência global.
Em outro país, um pouco distante e bem mais desenvolvido e poderoso, outra ex-primeira dama briga para sair como candidata à presidência. Hillary Clinton é, até o momento, favorita para representar o partido dos Democratas nas próximas eleições presidenciais norte-americanas em 2008.
Primeiras-damas de lado, essa disposição pode estar relacionada apenas ao fato das mulheres estarem participando cada vez mais do cenário político. Entre os vizinhos de Cristina Kirchner, temos Michelle Bachelet na presidência do Chile e, entre os mais longínquos e desenvolvidos, a chanceler alemã Ângela Merkel, considerada a mulher mais poderosa do mundo pela revista Forbes, seguida pela secretária de Estado americana Condoleezza Rice.
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Na Argentina, embora muito comparada com Evita Perón, Cristina é mais contemporânea a Hillary Clinton. Entre todos os apelidos e títulos que a imprensa a outorga, a revista americana Time chegou a chamá-la de "Hillary latina". Ambas foram ou são senadoras em partidos da centro-esquerda.
Apesar de se beneficiar com essa relação com Evita, idolatrada pelos argentinos, ela prefere ser assemelhada à vizinha Michelle Bachelet e Hillary Clinton, pela qual tem profunda admiração e com quem, não por coincidência, esteve reunida recentemente.
Nessa campanha, a candidata se apóia no slogan "A mudança apenas começa", com o objetivo principal de tomar por base as conquistas econômicas e sociais de seu marido e, ao mesmo tempo, dar cara nova e um aspecto de mudança para o eleitorado argentino.
Um pouco mais sobre Cristina Kirshner
Cristina Kirshner tem 54 anos e é mãe de dois filhos. A primeira-dama formou-se em direito pela Universidade de La Plata, onde conheceu o marido, Néstor Kirchner. Eles chegaram a ter um escritório de advocacia juntos depois de formados, mas logo o casal entrou para a política
Em 1989, foi eleita deputada provincial em Santa Cruz, reeleita em 1993. Em 1995 Cristina virou senadora da mesma província e em 1997 foi novamente reeleita. Em 2005 ela assumiu o cargo de senadora da província de Buenos Aires.
No ano de 2003 ela apoiou a candidatura à presidência do marido e hoje é favorita absoluta para assumir o cargo nas eleições do próximo domingo.
A primeira-dama é vaidosa e detalhista. Sempre bem maquiada, com muito rímel e lápis nas aparições em público e, claro, sempre com um figurino diferente e de grandes marcas. Chegou a ser provocada pela segunda colocada na corrida das eleições, Elisa Carrió: “Eva Perón foi uma rainha de verdade e não uma rainha do botox”.
Aqui no Brasil também temos mulheres dentro da política com condições e possibilidades reais para concorrer o cargo da presidência do país nas próximas eleições.
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