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Lícia Egger Moellwald
É consultora na área de Treinamento Corporativo e doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo.

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As sutilezas da sensualidade


Com a proximidade do verão, somos levadas a acreditar que devemos diminuir, consideravelmente, a quantidade de panos que usamos para cobrir o corpo.

Nas passarelas, os vestidinhos, shorts e decotes coloridos anunciam a chegada da nova estação.

Nessa festa, fica claro que a roupa perdeu a função de proteger, atenuar ou melhorar visualmente o que por acaso a natureza não favoreceu e entra em cena a ditadura do corpo escancarado, mostrado claramente, sem sutilezas. A moda é deixar tudo em evidência.

Daí, que gordas, magras e imperfeitas se expõem, despudoradamente, com as suas desventuras físicas, competindo bravamente, com as que, por mera casualidade genética, nasceram previlegiadas.

Sem alternativa, o guarda-roupa feminino, se enche de peças alguns números menor. É a fantasia da lycra e do strech que as vendedoras “juram” que com o tempo ficam laceadas.

O desapego com a necessidade de se cobrir vem da promessa de que com pouca roupa, a mulher fica mais sexy.

Mas o que ninguém esclarece, é se esse “oba-oba” desnudo, não funciona como um “desapelo” sexual.

Porque, o que poderia ser mostrado com parcimônia, como num striptease, que surpreende e excita pela superposição das peças, que se perdem durante o jogo, não acontece.

De certa forma, dá para dizer, que o verão, não é sensual. Porque não exige o empenho da imaginação e não estimula a criatividade de quem, por acaso, olha.

Não é preciso imaginar como é aquele peito, porque no verão ele está ali aparente,  a mostra e sem segredo.

Para a maioria das mulheres, ter pudor passou a ser um defeito que precisa ser tratado.

A sensação é a de que fazemos parte de um grande harém coletivo, desfrutável pelo olhar, mas que não chega a comover, justamente pelo excesso.

As mulheres estão esquecendo do fascinante jogo da sedução. Apesar de se desnudarem, continuam sozinhas, livres como as suas avós sonharam, mas sozinhas.

O corpo sem inibição é quase biológico, ou seja, pode ser mostrado nas aulas de ciências,  como ilustração para livros do gênero “De onde viemos”, mas a sensualidade não trabalha assim, ela exige performance, sutileza e ousadia em pequenas doses.

Para se efetivar, se embebeda no desafio da conquista, porque de graça a visão do corpo não tem sentido.

A sensualidade é um jogo que sugere, mas não deixa explícito. Não é “paupável” com as mãos, é pura imaginação.

Para encerrar a conversa, uma frase de Chungliang Al Huang, autor do livro “O Tao da boa forma interior:

"Muitas pessoas tratam o seus corpos como se eles fossem alugados da Hertz, algo que elas estão usando para passear mas nada que elas genuinamente se preocupam em entender."

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Etiqueta Corporativa: Sucesso com Bons Modos
Autores: Lícia Egger-Moellwald e Hugo Egger-Moellwald
Editora: Anhembi Morumbi
Preço sugerido: R$ 26
Assunto: negócios e empregabilidade




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