Com a proximidade do verão, somos levadas a acreditar que devemos diminuir, consideravelmente, a quantidade de panos que usamos para cobrir o corpo.
Nas passarelas, os vestidinhos, shorts e decotes coloridos anunciam a chegada da nova estação.
Nessa festa, fica claro que a roupa perdeu a função de proteger, atenuar ou melhorar visualmente o que por acaso a natureza não favoreceu e entra em cena a ditadura do corpo escancarado, mostrado claramente, sem sutilezas. A moda é deixar tudo em evidência.
Daí, que gordas, magras e imperfeitas se expõem, despudoradamente, com as suas desventuras físicas, competindo bravamente, com as que, por mera casualidade genética, nasceram previlegiadas.
Sem alternativa, o guarda-roupa feminino, se enche de peças alguns números menor. É a fantasia da lycra e do strech que as vendedoras “juram” que com o tempo ficam laceadas.
O desapego com a necessidade de se cobrir vem da promessa de que com pouca roupa, a mulher fica mais sexy.
Mas o que ninguém esclarece, é se esse “oba-oba” desnudo, não funciona como um “desapelo” sexual.
Porque, o que poderia ser mostrado com parcimônia, como num striptease, que surpreende e excita pela superposição das peças, que se perdem durante o jogo, não acontece.
De certa forma, dá para dizer, que o verão, não é sensual. Porque não exige o empenho da imaginação e não estimula a criatividade de quem, por acaso, olha.
Não é preciso imaginar como é aquele peito, porque no verão ele está ali aparente, a mostra e sem segredo.
Para a maioria das mulheres, ter pudor passou a ser um defeito que precisa ser tratado.
A sensação é a de que fazemos parte de um grande harém coletivo, desfrutável pelo olhar, mas que não chega a comover, justamente pelo excesso.
As mulheres estão esquecendo do fascinante jogo da sedução. Apesar de se desnudarem, continuam sozinhas, livres como as suas avós sonharam, mas sozinhas.
O corpo sem inibição é quase biológico, ou seja, pode ser mostrado nas aulas de ciências, como ilustração para livros do gênero “De onde viemos”, mas a sensualidade não trabalha assim, ela exige performance, sutileza e ousadia em pequenas doses.
Para se efetivar, se embebeda no desafio da conquista, porque de graça a visão do corpo não tem sentido.
A sensualidade é um jogo que sugere, mas não deixa explícito. Não é “paupável” com as mãos, é pura imaginação.
Para encerrar a conversa, uma frase de Chungliang Al Huang, autor do livro “O Tao da boa forma interior:
"Muitas pessoas tratam o seus corpos como se eles fossem alugados da Hertz, algo que elas estão usando para passear mas nada que elas genuinamente se preocupam em entender."
Etiqueta Corporativa: Sucesso com Bons Modos Autores: Lícia Egger-Moellwald e Hugo Egger-Moellwald Editora: Anhembi Morumbi Preço sugerido: R$ 26 Assunto: negócios e empregabilidade