DELAS
Beleza
Sexóloga
Eles não querem compromisso
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Oi Sonia,

Conheci um homem há 3 anos e desde então nos relacionamos. Solteiro, desimpedido, nunca fala muito sobre ele. Freqüenta minha casa, ele ainda estuda – faz doutorado. Gosta muito de ler. A gente se dá muito bem na cama, conversamos muito, mas ele não quer nenhum tipo de compromisso e deixou bem claro isso.

Fui levando essa situação até agora, mas começou a incomodar. Ele não quer conhecer minha família, não vai ao cinema comigo, não faz nenhum programa fora da minha casa, embora ele seja muito caseiro, é assim que se denomina, às vezes comenta que foi à livraria no shopping, ou que foi passar uns dias num hotel fazenda. Ele mora sozinho.

Eu disse a ele que eu também não quero casar, morar junto, mas queria um pouco mais de companheirismo, um cinema, um teatro de vez em quando, mas ele me disse que não é para esperar nada dele, para não criar ilusões. Estou num impasse. Gosto dele, mas quero mais de um relacionamento. O que eu faço? Ajude-me a decidir, por favor.


Hoje li uma matéria interessante sobre uma pesquisa feita com leitores de um jornal de São Paulo: nele algumas mulheres citavam as atitudes masculinas mais irritantes. É claro que é muito simplista generalizar comportamentos como sendo de todos os homens, mas cito as atitudes que foram colocadas na matéria primeiro, porque me parece que o tempo passa e as dificuldades dos relacionamentos continuam as mesmas e, segundo, para falar um pouco da situação que você expõe, que é muito comum hoje, em homens e mulheres: aquilo que o consultor de relacionamentos Sérgio Savian chama de “namorofobia”.

Segundo a matéria, para as mulheres, a terceira pior característica dos homens é o machismo, naquele formato do homem que não consegue suportar o fato da mulher ganhar mais que ele ou estar em uma função superior no trabalho.  Essa é bem antiga e me lembra muito a frase que eu ouvia dos casais em aconselhamento há uns 20 anos: ”Mulher minha não trabalha! Fica em casa, bonita e cheirosa, esperando o maridinho chegar, com o jantar pronto e as crianças na cama”.

O segundo colocado nos homens irritantes é o pão-duro, aquele que além de não pagar nada para a mulher nos primeiros encontros, se for dividir a conta, propõe o acerto de um modo grosseiro, naquele estilo: “Você bebeu vinho e eu refrigerante, não podemos dividir a conta ao meio, não seria justo...” Normalmente, esse é o homem que depois, no namoro e no casamento, reclama de qualquer gasto pessoal que a mulher faça, achando tudo supérfluo e inútil. Os dois tipos citados não sabem realmente o que quer dizer compartilhar, que é um verbo fundamental a ser conjugado num relacionamento amoroso.

O grande campeão do prêmio para quem sabe menos sobre amar e ser amado, no entanto, é o nosso “não quero compromisso e não volte mais a esse assunto". Deixar essa posição clara pode parecer sincero e bacana, alguém de cabeça aberta, não é? Mas deixar isso claro pode ser na verdade bem cômodo para ele, porque evita que ele se envolva, se entregue como deveria acontecer com qualquer pessoa que se apaixona.

Não querer compromisso pode significar ter medo da intimidade, ter medo da mudança que a verdadeira entrega a uma relação pode trazer para a uma vidinha tão certinha, organizada e aparentemente resolvida.

Como você fica nessa história? Só ele ganha o que quer? Sexo satisfatório, conversas profundas com uma mulher inteligente, mas e as suas necessidades, carências, dúvidas? Ninguém erra nesse mundo do não comprometimento?

Para mim, é um relacionamento com cara de “burro quando foge”, para aproveitar outra expressão bem antiga, do tempo em que alguns pais ainda encostavam um cara desses na parede, ainda mais depois de três anos e perguntava: “Quais são as suas intenções com a minha filha?” Permanecer dessa forma, você considera uma boa intenção?

Um abraço
Sonia Blota Belotti

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