Namorei uma garota desde os 21 anos de idade, hoje tenho 36, a gente se conheceu, eu com 21 e ela com 19, como um namorinho sem muita conseqüência, naquela época. Acontece que fomos ficando juntos, ficando e ficando, e conseqüência, passamos por muitas fases de nossas vidas juntos. Depois que terminamos a universidade, decidimos morar juntos, aí eu já tinha 28 e ela 25.
Ficamos casados de 1998 até 2005. Ressalte-se que ela foi minha segunda namorada e eu o segundo ou terceiro dela. O casamento teve desgastes, eu cheguei a traí-la e ela também. Foi quando eu decidi pedir a separação. Foi muito doloroso pra nós dois. Ela entrou num sofrimento muito profundo inicialmente, mas em algum tempo depois começou a namorar. Já eu queria cair na farra e fiz isso.
Em muito pouco tempo percebi a burrada que fiz e, desde setembro de 2005 até hoje, só consigo pensar que ainda a amo e a quero de volta. Nós não conversamos, ela se afastou totalmente de mim, já tentei algum contato, mas não deu certo. Ela demonstra que ainda gosta de mim, mas o orgulho a impede de se chegar. Essa semana ela falou para o meu irmão que eu fui o único homem que ela amou.
Eu a amo demais, faria qualquer coisa por ela, daria um rim pra conquistá-la de novo, estou perdido hoje! Se puder me dê umas dicas ou conselhos, será que posso tentar de novo conquistá-la? O que você acha que devo fazer?
Obrigado.
O melhor para surpreender e quebrar barreiras aparentemente impossíveis é contar uma história! A história permite o autoconhecimento, o conhecimento do outro e o conhecimento do mundo. A história tem o poder de aproximar as pessoas e de sensibilizá-las. Onde havia orgulho impedindo a aproximação, pode entrar a influência do perdão e do amor...
O homem conta histórias desde sempre, para passar sabedoria, para entender seus próprios costumes, para preservar valores importantes. E também usa as histórias para aquilo que no seu caso é mais importante: contar a verdade sobre os seus sentimentos. É a melhor forma de convencer sem falar muito.
Escreva a sua história, da maneira que você escreveu para mim: com a mesma beleza por tanta simplicidade. Porque uma coisa é alguém lhe perguntar: "Você ainda está apaixonado por ela?” E, se ao responder, você perceber o quanto ela ainda representa na sua vida, o quanto ela ainda é a mulher que você quer como companheira, as palavras serão insuficientes para traduzir esses sentimentos. Mas, se ao escrever, você comparar a ausência dela a uma dor tão grande que perder um rim não seria tão doloroso, seu amor fica mais do que só falado. Fica gravado na emoção de quem ler. Fica confirmado.
Já dizia a autora Marina Colasanti que a voz do contador, que sussurra, cala-se, eleva-se ao sabor da história, seduz o ouvinte. Irremediavelmente. Então, além de escrever, tente ler para ela. Eu me sensibilizei com a sua história mesmo sem ouvir a sua voz. Ela, personagem principal que é dessa trama de amor, vai ser tocada e, quem sabe, reconquistada...
Um abraço Sonia Blota.