Se você estiver sozinha, hoje é dia de comemorar! Ou não, enfim... Feliz ou infelizmente, chegou o Dia dos Solteiros!
Mas afinal, qual a vantagem de ter um dia só para quem está disponível no mercado? Presentes? Momentos de reflexão? Balada (solteira, óbvio)? Ou, quem sabe, celebrar você mesma e sua independência?
Para descobrir as vantagens e desvantagens de estar solteira, fizemos uma corrente de e-mails aqui na redação do iG, que acabou virando um bate-papo pelos corredores.
Nada mais propício já que temos por aqui mulheres casadas há pouco tempo, há muito tempo, descasadas, solteiríssimas convictas, solteiras à procura, solteiras com amigos coloridos, mulheres que namoram e gostam de namorar, mulheres que namoram, mas sentem falta da solteirice e, como não poderia faltar, mulheres-noivas!
Como editora do Delas, eu deveria fazer uma curadoria e moderar essa conversa, mas quem disse que eu resisto? Claro que eu também quis fazer parte. Leia abaixo os melhores momentos dessa nossa conversa, com notas da editora em itálico:
Rê S. (Analista de Contratos): Hum! Acho que a melhor vantagem - mas não a maior - de ser solteira é poder ter “amizades coloridas” com um ou dois amigos que valem a pena, né? Sem compromisso sério, mas também sem ser só aquele relacionamento de balada. Um meio termo com alguém bacana. Mas vale lembrar que não pode ser qualquer amigo não!
Fê (Editora de Conteúdo/Mobile): Primeiro eu concordo com a amiga da Drê, nossa Gerente de Conteúdo, que disse que o lado bom de namorar é ter exclusividade, regularidade, de muitas coisas, se é que vcs me entendem, e ter a “permissão” de ligar chorando, afinal, já imaginaram ligar para um ficante em prantos? Mas tem que medir se vale a pena ter a exclusividade e a regularidade em jogo.Tem gente que não fica sozinha e ponto, não importa com quem seja. Ser solteira é bom porque você é por você. Segue os próprios passos (inclusive os de dança). Em jogo, só estão as vontades próprias. Faz só o que gosta, veste o que quer. Se quiser ficar em casa vendo um filme ou sair para beber com as amigas, é você quem decide.
Margot (Coordenadora de Conteúdo/Second Life): Acho que exclusividade só depois da morte... (N.E.: Ela é casada há 24 anos e descolada)
Carocha (Editora de Conteúdo/Educação e Serviços): Ser solteira permite que você saia com dois caras diferentes na mesma semana, ou no mesmo dia. Permite também que você só se depile naqueles lugares mais chatos na véspera dos encontros importantes, a menos que você saia com muita freqüência. Fora que as solteiras não têm sogra. Carla (Coordenadora de Conteúdo/Multimídia): Eu já fui casada e agora estou solteira, então acho que nas duas situações existem coisas boas e ruins. Ser casada é legal porque você tem alguém pra dividir as tristezas e alegrias, mas também pra dar satisfação. Alguém pra fazer carinho, mas também pra agüentar o mau humor (risadas). Agora, o melhor (e o pior) de ser solteira é ser livre: dançar até as 7h da manhã, sem ter ninguém pra carregar você pra casa depois quando se bebe demais, ir a três festas na mesma noite só porque você está afim (mas nem sempre achar ninguém interessante), marcar suas férias num mochilão pela Europa com aquele amigo do seu amigo que você acha gatinho, mesmo que você descubra que ele não tem a pegada e ainda é pegajoso. Ficar horas bebendo com sua amiga e contando daquele cara que você conheceu na última semana (mas que desapareceu e nunca mais te ligou). (risadas)
Thaís (Editora de Conteúdo/Jovem): Ser solteira é bom porque você não precisa dar satisfação a ninguém! Você faz as coisas por você, e não para o outro (tipo se embelezar, fazer massagem, academia...). Além de ter a oportunidade de fazer mais amigos e dedicar-se a eles, o que é a melhor coisa da vida!
Adilia: (essa merece apresentações especiais, Adilia é a nossa ex-Cordenadora de Conteúdo, atual Coordenadora de Projetos Especiais, é colunista do Delas com Conversa de Mulher e tem um blog, o Toques de Alma, além de ser casada há... Bom, nem ela sabe há quanto tempo, mas é a pessoa que genialmente nos disse que vive com o marido uma separação que não deu certo, por aí você pode imaginar o resto) Ser solteira é bom, porque você precisa estar sempre pronta para “o encontro” e todas as infinitas possibilidades são possíveis: ele pode ser louro, moreno, gordo, magro, advogado, mecânico, gentil, inteligente, japonês, marroquino... Mas ser casada também é bom, porque você já resolveu essa questão e pode colocar sua energia em milhares de outras coisas tão interessantes quanto e, ainda melhor, junto com “ele”... Poder viver as duas coisas sem muitas cobranças, cada uma no seu tempo, é o melhor de tudo!
Thaís: Ser casada é bom porque ele já sabe o que você gosta no sexo. Vai direto ao ponto e sem surpresas desagradáveis!
Ligia (Analista de Conteúdo/Web 2.0): Mas por outro lado você corre o risco do arroz-com-feijão. Eu gosto dos mistérios e novidades da solteirice. (Detalhe: ela namora um carioca da gema!)
Drê (Gerente de Conteúdo): ... mas casada você tem intimidade pra realizar fantasias! (Ela é casada há quatro anos com um rock-star, como diz nosso colega Lucas, “solteiro” e Editor do Atitude)
Nota mais longa da Editora: bem lembrada essa vantagem. Depois desse email, rolou uma discussão nos corredores: gente dizendo que dá para realizar fantasias com “casuais” e gente dizendo que é impossível, mas é claro que intimidade como as casadas, solteiras não vão conseguir assim tão fácil, fora que as fantasias sexuais, podem exigir uma “certa” negociação.
Adilia: E tempo para implementá-las, as fantasias, quero dizer.... e nem precisa fingir que você sabe tudo e é o máximo...
Carlinha (Estagiária/Jornalismo): Bom, já vi que a mulherada é a favor da solteirice, mas não vale dar um lado só, concordo com a Adilia. Você não precisa fingir ser o que não é, pode e deve expressar suas vontades! Você não precisa se preocupar o tempo todo em conquistar alguém (ainda que usar algumas dessas coisas deixem a relação mais viva). E uma coisa que acho legal falar é que existem casais que conseguem manter a liberdade, não igual a de uma solteira, mas o bastante para a mulher não se sentir presa e nem encarar o relacionamento como uma coisa ruim ou uma perda de tempo...
Nota da Editora: Está uma rasgação de seda pra cima das casadas! Vou me meter na conversa e dar a minha opinião:
Mayara (Editora de Conteúdo/Delas): Ser solteira pode ser ótimo, mas é um estado de espírito. A partir do momento que você se envolve emocionalmente com alguém, ser solteira vira um pesadelo. Casuais são ótimos, desde que não exista envolvimento. Agora, nada melhor do que solteira e desapegada, não só pela independência, mas pelas facilidades mesmo. Tudo se torna mais simples, mais leve. Não precisa de acordos e concessões e nem discutir a relação, a cada filme que os dois discordam.
Tati (Editora de Conteúdo/Turismo): (A Tati foi direto ao ponto e fez uns tópicos). As coisas boas do casamento:
- Você pode pedir pra ele coçar as suas costas sem parecer louca;
- Se você tiver pesadelo, tem alguém do lado para acordar e contar;
- No frio você pode fazer a sacanagem de enfiar o seu pé gelado no meio das pernas dele;
- O casal pode comprar dois livros iguais, ler ao mesmo tempo e discutir cada ponto no café da manhã;
- Você pode fazer uma coisa horrível e contar com o apoio dele (mesmo que ele grite, fale que você é uma louca, etc... etc...). É quase um substituto para o amor incondicional dos pais;
- Quando uma coisa incrível acontece, você não precisa ser humilde e se calar. Basta ligar pra ele e dizer que você é mesmo o máximo. Entre marido e mulher, não tem esta coisa de esconder as vaidades (nem os defeitos);
- Você pode fazer planos para um futuro muito distante e não parecer completamente equivocada.
Rê S. (Solteira): Tati, fiquei com vontade de casar depois de ler seu e-mail.
Nota da editora: A essa altura comecei a ficar chateada, olhar para os lados procurando um marido, bateu uma vontade louca de apagar todos os e-mails, acabar com essa pauta, porque solteira não tem o que comemorar, mas respire fundo! O papo vai melhorar para as solteiras.
Rê O. (Coordenadora de Projetos): Vou ter que me manifestar como uma mulher casada também e compartilhar com vocês o que me fez escolher o lado negro da força (risadas), já que, como tudo na vida, existe o lado bom e ruim em estar casada, e em estar solteira. E concordo com a Tatiana. (N.E.: Pronto! Outra querendo acabar com a minha pauta). Companheirismo. É deliciosa a sensação de saber que pode contar com aquela pessoa pra tudo. Tudo pode dar errado no seu dia, mas chegar em casa e poder pedir colo, dividir problemas é ótimo. (N.E.:Acalmem-se solteiras, nós podemos ligar para as amigas e amigos). Sair de balada com o marido também é divertido, da pra ir pra balada, dar risada, dançar, beber com a galera, fora ter uma boa companhia pra agüentar festas chatas. Tem as coisas pequenas também, como dar as mãos, fazer as perguntas mais loucas do mundo, pedir pra ele te buscar na chuva, acordar do lado dele, apertar a mão dele durante um filme de terror no cinema, etc. E como ninguém conhece alguém totalmente, se surpreender com as novas coisas que você vai descobrindo no outro com o tempo. (N.E.:Calma gente, vem Ligia para nos dar uma luz)
Ligia: Eu respondo com Miriam Goldenberg, antropóloga e escritora: "A cultura constrói a mulher muito fragilizada sem um homem. É como se eles fossem objetos disputadíssimos, um objeto fundamental. Enquanto a gente não reverter isso, vamos continuar agindo como loucas, disputando atenção, achando que um telefonema pode mudar a nossa vida. O que a gente precisa é reverter essa idéia de que uma mulher sem um homem é uma fracassada, uma mulher menos. No dia em que as brasileiras falarem: 'A minha opção é casar e ter filhos', 'a minha opção é não casar e não ter filhos', 'a minha opção é ter um filho sem casar', quando tivermos todo esse cardápio de escolhas, vamos ser livres. Eu tenho nos meus dados que as mulheres invejam a liberdade masculina. Como pode? Depois de tudo o que a gente avançou? Isso é porque as mulheres não são livres!"
E a defesa da solteirice por alguém que namora há 7 meses? É tudo muito egoísta, porque eu acho que o egoísmo é o caminho: se você não pensar em você mesmo, quem vai pensar? O marido? Pfff. Ser casada pode ser fofinho, cuticuti, confortável, cômodo e tudo mais, mas ser solteira é mais DIVERTIDO. Você não precisa coordenar o seu gosto (por filmes, música, restaurantes, boates etc) com ninguém. Faz o que quer, na hora que quer, do jeito que quer. É liberdade! Não tem brigas (a menos que você seja neurótica e brigue com peguetes), só solteiras podem contrariar Tom Jobim e provar que é sim possível ser feliz sozinha. Só solteiras podem se orgulhar de serem suas melhores companhias!
Nota da editora: Ufa, uma defesa a favor das solteiras vinda de uma pessoa que namora há sete meses, tem que valer alguma coisa! Carla: E não me basto! Não gosto de ser a minha melhor companhia.
Ligia Helena: Que tristeza, dá cá um abracinho!
Pati: Também terei que me manifestar! Como mulher casada que sou há quase quatro anos, devo dizer que é possível ser inteiramente livre apesar do casamento. Quando nos identificamos com alguém e somos respeitados em nossa individualidade e intimidade, o que não significa solidão, sair e curtir uma balada com os amigos, ir ao cinema sozinho e comer o que dá na telha é possível, sim. Basta muita compreensão, que não demanda esforço maior, não, só dedicação ao relacionamento. Quantas vezes temos que nos dobrar pelos amigos e seus gostos estranhos? Na relação a dois também. Acho que ser casado é mais uma oportunidade de estar com quem a gente gosta. Para finalizar, o melhor de ser casado é: poder ficar junto quando quer e sozinho quando precisa.
Carla: Isso é mentira! É tipo saci pererê, mula sem cabeça, curupira, bebê demônio de três olhos. Experiência de quem foi casada 7 anos e, antes, teve outro relacionamento de 7 anos. Você pode até achar que é livre, mas não é. (Risadas)
Nota da editora: A Carla está causando!
Pati (Repórter/Babado): Sim, vocês têm razão. Tenho que admitir, tirei essas frases de um livro de reunião para casais com problemas conjugais. Pra quem quiser, posso emprestar, é meu livro de cabeceira. (Risadas)
Flávia (Desenvolvimento de Negócios/MusiG): Meninas, o lance para as solteiras é comemorar hoje e arrumar pelo menos um par de sapato velho para aquecer nos dias mais frios. Eu já vou preparar uma noitada qualquer para garantir, dá que é nessa que eu me arrumo.
Re S: Essa idéia de sair amanhã é ótima! Eu fecho!
Nota da editora: pausa para marcar um encontro.
Bia (Analista de Conteúdo/Multimídia): (Ela não tinha respondido, mas eu puxei pela orelha e fiz ela responder, porque sabia que certamente viria coisa boa) Estou no segundo casamento e digo que cada relacionamento é de um jeito. Estar com alguém é um estado de espírito, pois muitas vezes vivemos com um namorado, um marido e enfrentamos uma solidão louca. Por isso, o que menos importa é a criatura dividindo a cama com você, mas sim o cara compartilhando da sua vida, do seu tesão, das suas conquistas e dos seus sentimentos. E isso não significa perda de liberdade. E posso dizer tranquilamente (sério!) que vivo um casório em que os desejos de cada um são muito respeitados. Temos um acordo muito bom para viver sem neuras, ciúmes, possessão e outras coisas que matam qualquer relação. E o mais importante: solteira ou casada, é essencial pular de cabeça, não ter medo de enfrentar uma paixão louca e ser ridícula falando do seu amor pra quem quiser ouvir.
Adilia: Queridas, podemos reunir solteiras e casadas nesse encontro, porque amar é bom em qualquer formato, como diria Caetano (antes de virar capa de revista): “Qualquer maneira de amar vale a pena, lálálá..." Depois de chegar aqui do outro lado dos 40 e muitos, estou completamente convencida de que nós, os humanos, nascemos para experimentar todas as formas de amor (deve ser parte de alguma experiência divina). Tudo bem que nem sempre dá certo, nem sempre é bom, às vezes machuca muito, às vezes bons encontros parecem mesmo coisa impossível, de fantasia, daquelas que merecem ficar na categoria do demônio-bebê de três cabeças e corpo de sapo, mas não conheço nenhuma mulher (nem homem) que preferisse não viver nada disso.
Nota da editora: Suspiros! Vamos terminar por aqui, no clima de Toques de Alma.
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