Sonia, o que eu devo fazer, meu parceiro não quer que eu trabalhe, o que eu faço?
Meu colega escritor Delmar Marques fez uma extensa pesquisa sobre o comportamento das mulheres aprisionadas em culturas machistas. Em seu livro “Minuanos”, ele faz uma crítica severa às mulheres que ainda deixam a decisão sobre seus sonhos e realizações nas mãos dos pais e depois dos maridos.
Marque diz: “É grande o número, e não só nas altas rodas sociais, de mulheres que passam a vida inteira a espera de uma herança. Vivem à custa dos pais, ou dos maridos, não se empenham profissionalmente ou fracassam em suas carreiras, por acomodação. Tornam-se mulheres pouco competitivas, algumas até com curso superior, mas sem se aperfeiçoarem e ascenderem nas suas carreiras. Mesmo entre os menos favorecidos, o mesmo esquema é reproduzido quase que por osmose. O filho homem sai para a rua, em busca de alguma fonte de renda, as meninas são mantidas em casa ajudando a mãe. Até que percebem que não haverá nenhuma herança a receber e fogem para tentar a sorte. Mas despreparadas, sem estudos, sem condições de competir no mercado, acabam sendo oprimidas e exploradas, recebem os salários mais baixos, são as primeiras a serem demitidas”.
Mesmo que pareça uma análise dura demais, é um quadro em parte verdadeiro, pelo que lemos nessa mensagem. Se você precisa perguntar para mim o que fazer quando seu marido proíbe algo que na verdade pertence a você, de duas uma: ou acha que ele tem o direito de mandar nas suas escolhas de vida, ou não tem coragem de se posicionar. Essa é a acomodação tão perigosa citada pelo autor.
O risco que as mulheres acomodadas correm é que, se esperarem tempo demais poderá ser tarde para voltarem ao mercado de trabalho e competirem com jovens independentes que constroem seu próprio patrimônio e investem constantemente em seus currículos.
No entanto, a meu ver, o maior risco, é perder a identidade própria e cair na armadilha de achar que talvez não seja capaz ou competente, e aí, mesmo que involuntariamente, pode fortalecer a mentalidade ultrapassada que tanto quer mudar.
Se você não assumir e decidir o que quer da existência, qual a sua missão, o que vai ensinar aos seus filhos? Que valores vai passar para sua filha mulher? Que o maior objetivo da vida dela é se casar? Ou que o maior objetivo da vida dela deveria ser o de encontrar a realização e a felicidade, seja através do trabalho, dos relacionamentos ou da busca de independência?
Espero de verdade que seja a última alternativa.
Um abraço
Sonia
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