Olá. Trabalho em uma grande empresa em uma equipe só de homens e sou subordinada a todos eles. Minha vaga foi ocupada anteriormente por outras duas mulheres, que moveram processo judicial de assédio moral e sexual contra a empresa. Meus superiores estão me pressionando para que eu mude de colocação por causa desse histórico. O que devo fazer: sair do cargo quando me ordenarem ou lutar pela vaga? Gosto muito do que faço.
Alinhamento no trabalho
Mais do que uma questão de discriminação, o caso aqui me parece uma questão de “alinhamento”. Entre você e a empresa, entre você e aquilo que acredita ser correto.
Atualmente, mais do que problemas judiciais com o assédio sexual, que diminuíram, graças à igualdade que homens e mulheres desejam ter nesse campo, as organizações estão sendo violentamente processadas pelo assédio moral.
O terreno do sexo é mais explícito e fácil de ser demonstrado, mas o terreno moral, dos valores e crenças e da ética das pessoas, é ainda mal definido, baseado em preconceitos, e por isso digo que precisam ser alinhados.
Na prática isso significa alinhar três pontos: a bússola moral (valores e crenças), mais objetivos (pessoais e da organização), mais comportamento (pensamento, emoções e ações). Sua missão de vida, os valores que embasam essa missão e os objetivos a alcançar têm que ser muito parecidos. E mais ainda parecidos com a missão, os valores e a visão da empresa.
Nesse caso, tome uma decisão para ficar ou sair desse cargo mais baseada em quanto esses 3 pontos estão combinando, porque, em caso de não haver alinhamento, cedo ou tarde você não aguentará ficar onde está!
Quando você age com inteligência moral todo o tempo no trabalho, pode até se desalinhar em algum momento, mas volta ao seu compromisso de fazer o que é certo.
Essa maneira de enxergar a questão evita que você tome uma posição de teimosia ou de achar que está sendo prejudicada de algum modo.
A empresa tem sua própria bússola, e você não vai mudar esse direcionamento. Identifique claramente se você se alinha com ele, pois ainda não existe um Sindicato da Moral para lutar por você, só o trabalhista e esse não é o que resolve aqui.
Um abraço,
Sonia Blota
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