Na semana do meu casamento descobri que meu marido tinha relacionamentos na internet, em sites de encontros, com mensagens picantes tanto dele para as mulheres, quanto das mulheres para ele. Quando descobri, inventei um e-mail pra me comunicar com ele, e ele me convidou para ir a um motel. No mesmo dia revelei que era eu, nós brigamos, ele jurou que não aconteceria novamente, portanto, me casei com ele, e meses depois descobri que ele continuava com as mesmas "amizades". Hoje tento superar e viver bem, acho que ele não faz mais, pois vasculho o PC tanto do trabalho quanto de casa. Só gostaria de saber por que essa necessidade de ter outros "relacionamentos" mesmo que sejam por internet?
Para a sua pergunta posso elaborar respostas com bases biológicas, psicológicas, sociais e históricas, e asseguro a você que nenhuma delas iria convencê-la de que existe um motivo palpável para isso. Então prefiro poupar tempo e partir direto para minha réplica.
Você diz que seu marido cultiva "relacionamentos" por internet, mas eu discordo. Se ele simplesmente perdesse algumas horas trocando e-mails calientes sobre trivialidades sexuais com mulheres, eu até concordaria. Porém, pelo que você descreveu, ele apenas utiliza a internet para criar "relacionamentos" reais!!!
Mas o grande lance é que você já sabia disso, pois foi esperta o suficiente para pegá-lo numa arapuca. Mesmo assim acabou se casando com o infeliz e agora é obrigada a viver com a eterna dúvida e a perder seu tempo em investigações nos PCs do marido. Minha questão é: se você conhece o modus operandi do seu cônjugue, por que não arma uma segunda armadilha e espera pra ver se ele morde a isca?

Um derradeiro adeus...
Tive um professor de literatura no colegial que certa vez disse algo que me marcou. Ele, do alto dos seus sessenta e tantos anos, falou que cabe ao homem saber a hora de sair de cena, de recolher suas tralhas e ir embora, sentisse ele que seu dever fora cumprido ou não. Ele afirmou naquela aula que era muito difícil aceitar que sua hora havia chegado, e de certa forma aquilo ficou gravado na minha cabeça.
Acredito que minha hora nessa coluna chegou. Durante os últimos dezoito meses estive aqui divagando sobre o universo masculino, tentando ajudá-las a desmistificar e compreender a mais vil e simples criatura que Deus criou: o homem.
Não há dúvidas do prazer que senti cada vez que li um comentário de vocês, fosse este para criticar, elogiar ou mandar recados amorosos para terceiros (acredito que esse terceiro aconteceu mais que os outros). A função desta coluna nunca foi outra senão entreter as leitoras e leitores, passando uma visão ácida e bem humorada das questões que foram semanalmente levantadas.
Despeço-me com tristeza, é fato, mas certo de que o dever fora cumprido e que chegou a hora de sair de cena. E agora, mais que nunca, ciente do quão difícil é entender que esse momento chegou. Muito obrigado.
Guss de Lucca.