Numa conversa entre mulheres, uma amiga se gabou de falar a verdade sempre que não gosta de alguma coisa. E foi bem enfática:
“ - Doa a quem doer, eu sempre falo o que penso. Isso serve para marido, filho, nora e até amiga viu?”
Juro, fiquei com medo! Já imaginou ter que ouvir alguma “verdade” assim, na “lata” e sem anestesia.
Mais tarde, comecei a pensar que talvez essa amiga estivesse com problemas. Não ter freios e falar tudo o que vêm na cabeça é mal-criação ou comprometimento mental.
No caso dela...sinceramente ? É mal-criação.
Falar a verdade é muito bom. Sinal de honestidade e retidão de caráter. Mas é preciso ter cautela.
Algumas “verdades” não devem ser ditas porque magoam e quem ouve talvez não possa fazer nada para mudar.
Por exemplo, dizer para a amiga que ela está gorda é bobagem. A menos que saiba que ela não tem espelho ou que é cega. Mesmo assim...
Falar que não gostou de um jantar que foi preparado com carinho ou da decoração da casa é totalmente desnecessário. Não é preciso mentir, só não comente.
O mesmo sobre coisas do tipo “Você não fica bem com esta roupa”, quando a pessoa já saiu de casa e não tem como mudar. Quem gosta de falar as “verdades” precisa se perguntar se está falando da sua ou a da pessoa?
Uma das coisas mais difíceis é aceitar que duas pessoas possam ter opiniões totalmente diferentes sobre um mesmo assunto. Daí, aquela frase famosa: “O que seria do amarelo se todos gostassem do azul”.
Quem gosta de ser sincero, precisa estar atento se a pessoa está disposta a ouvir o que se pensa.
Muitas vezes somos tentados a dar opinião sobre o que não nos diz respeito, “meter o bico” aonde não somos chamados.
O correto antes de sair dando palpite na vida alheia é pensar:
• A pessoa pode mudar? Se for uma característica física (cintura grossa, perna torta, nariz grande, etc.) não precisa tocar no assunto, porque provavelmente a pessoa já sabe. Se for perguntado, uma boa resposta seria “Quando eu olho você, vejo outras coisas”.
• Evitar fazer comentários do tipo: “Detesto quem não gosta de ler” ou “Quem não gosta de cinema é burro”. Se quem ouve não gosta destas coisas, pronto se ganhou um inimigo.
• Sobre educação de filho, religião, casamento e outros assuntos polêmico, é melhor ouvir. Se sua opinião for diferente e resolver falar, uma sugestão é começar a frase assim: “Eu entendo o que você diz, mas penso um pouco diferente”.
• Se ouvir uma “verdade” sem pedir, sinta-se à vontade para responder: “Você foi muito sincero, agora é a minha vez. Não gostei”. Seja assertivo, talvez a pessoa também precise ouvir a verdade.
• Nada impede que se interrompa quem está falando a “verdade” se não deseja ouvir. É só falar: “ Acho melhor você guardar o pensa sobre isso para você”.
Apesar de ser tentador acreditar que se sabe a “verdade” ou o que é melhor para o outro, um pouco de humildade e dúvida não faz mal.