Lícia Egger Moellwald
É consultora na área de Treinamento Corporativo e doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo.


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Falar a verdade nem sempre é bom !


Numa conversa entre mulheres, uma amiga se gabou de falar a verdade sempre que não gosta de alguma coisa. E foi bem enfática:

“ - Doa a quem doer, eu sempre falo o que penso. Isso serve para marido, filho, nora e até amiga viu?”

Juro, fiquei com medo! Já imaginou ter que ouvir alguma “verdade” assim, na “lata” e sem anestesia.

Mais tarde, comecei a pensar que talvez essa amiga estivesse com problemas. Não ter freios e falar tudo o que vêm na cabeça é mal-criação ou comprometimento mental.

No caso dela...sinceramente ? É mal-criação.

Falar a verdade é muito bom. Sinal de honestidade e retidão de caráter. Mas é preciso ter cautela.

Algumas “verdades” não devem ser ditas porque magoam e quem ouve talvez não possa fazer nada para mudar.

Por exemplo, dizer para a amiga que ela está gorda é bobagem. A menos que saiba que ela não tem espelho ou que é cega. Mesmo assim...

Falar que não gostou de um jantar que foi preparado com carinho ou da decoração da casa é totalmente desnecessário. Não é preciso mentir, só não comente.

O mesmo sobre coisas do tipo “Você não fica bem com esta roupa”, quando a pessoa já saiu de casa e não tem como mudar.
Quem gosta de falar as “verdades” precisa se perguntar se está falando da sua ou a da pessoa?

Uma das coisas mais difíceis é aceitar que duas pessoas possam ter opiniões totalmente diferentes sobre um mesmo assunto. Daí, aquela frase famosa: “O que seria do amarelo se todos gostassem do azul”.

Quem gosta de ser sincero, precisa estar atento se a pessoa está disposta a ouvir o que se pensa.

Muitas vezes somos tentados a dar opinião sobre o que não nos diz respeito, “meter o bico” aonde não somos chamados.

O correto antes de sair dando palpite na vida alheia é pensar:

• A pessoa pode mudar? Se for uma característica física (cintura grossa, perna torta, nariz grande, etc.) não precisa tocar no assunto, porque provavelmente a pessoa já sabe. Se for perguntado, uma boa resposta seria “Quando eu olho você, vejo outras coisas”.

• Evitar fazer comentários do tipo: “Detesto quem não gosta de ler” ou “Quem não gosta de cinema é burro”. Se quem ouve
não gosta destas coisas, pronto se ganhou um inimigo.

• Sobre educação de filho, religião, casamento e outros assuntos polêmico, é melhor ouvir. Se sua opinião for diferente e resolver falar, uma sugestão é começar a frase assim: “Eu entendo o que você diz, mas penso um pouco diferente”.

• Se ouvir uma “verdade” sem pedir, sinta-se à vontade para responder: “Você foi muito sincero, agora é a minha vez. Não gostei”. Seja assertivo, talvez a pessoa também precise ouvir a verdade. 

• Nada impede que se interrompa quem está falando a “verdade” se não deseja ouvir. É só falar: “ Acho melhor você guardar o pensa sobre isso para você”.

Apesar de ser tentador acreditar que se sabe a “verdade” ou o que é melhor para o outro, um pouco de humildade e dúvida não faz mal.


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