Tenho um casamento de 17 anos e não consigo falar de finanças com meu marido, ele sempre leva na brincadeira e sai de mansinho. Acho isso muito ruim, porque ele faz o que quer e só me fala depois. Também não podemos ter muitos planos porque sempre os trabalhos dele são bicos. Como faço para mudar isso?
Discutindo dinheiro sem estragar a relação...
Casamento, para muitas pessoas, significa dividir tudo, dos sonhos aos problemas; um mundo a dois sem segredos ou desconfiança. Só que a parte financeira da história nem sempre faz parte desse pacote...
Falar sobre dinheiro entre o casal ainda é um tabu na maioria das casas. Porque há muito preconceito em relação a falar de dinheiro, de riqueza, de abundância.
E esse assunto torna-se tão desconhecido que ao final de uma relação pode tornar-se o pior inimigo, causando medo de ser roubado, de ser enganado, ou de ter seus bens entregues “de bandeja” ao seu (ou sua) rival.
Depois da traição, as brigas por causa de dinheiro são a maior causa de divórcios. Nesse jogo casal X dinheiro, pode haver falta de uma de duas coisas: informação ou empreendedorismo.
Falta de informação todos nós brasileiros temos, porque não nos é ensinado como lidar com o dinheiro de forma geral, como fazer um planejamento financeiro, que é tão saudável quanto o planejamento familiar ou profissional.
Sabemos fazer operações complicadas, mas dificilmente sabemos evitar as dívidas.
Mas é preciso abrir essa informação claramente entre o casal: definir muito bem qual é o papel que cada um acredita que terá em relação às finanças. Dinheiro separado pode ser um empecilho quando tiver que ocorrer um consenso.
Deixar que o outro pense e aja por você também complica porque tira sua autonomia.
Se a dificuldade for por falta de hábito ou de evitar encarar o assunto objetivamente, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi sugere: “Para reduzir os conflitos decorrentes do mau uso do dinheiro, o planejamento deveria ser feito sempre a dois. Isso não quer dizer que ambos devem ser planejadores, capazes de manipular planilhas e de discutir investimentos. As contas devem ser preferencialmente conjuntas e os investimentos também. Com contas separadas, pagamos o dobro de tarifas e perdemos em força de investimentos e de relacionamento. Independência sim, mas apenas naquela parte do orçamento correspondente aos gastos individuais.”
Concordo que você erre em não insistir no assunto; muita energia é gasta em ficar magoada, em remoer o assunto e muito desse investimento poderia estar sendo direcionado para fazer planos, concretizar sonhos, decidir conjuntamente para ficar mais livre e mais feliz.
Planos podem e devem ser feitos mesmo em cima de situações de trabalhos temporários. Só não se pode deixar de fazê-los.
Um abraço,
Sônia Blota
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