Sou casada há 18 anos, e faz tempo que venho empurrando a vida com a barriga. Na chegada de 2007, adquirir a coragem que estava esperando para resolver de vez meu relacionamento, e percebi que não adianta tentar viver com uma pessoa se não existe mais amor, somente amizade e companheirismo. Mas a situação não parece tão simples quanto parece: ele está desempregado e é altamente dependente, o que me faz sentir muita pena. Não sei o que fazer...
Não tenha medo de mudar sua vida
Liz Green, especializada em relacionamentos na Astropsicologia, fala sobre um conceito interessante a respeito desse tema que colocamos hoje:
“Não costumamos pensar nos nossos relacionamentos como entidades independentes. Pensamos mais em termos dos nossos próprios sentimentos e atitudes ou dos sentimentos e atitudes da outra pessoa. No entanto, cada relacionamento cria o seu próprio ambiente. Nenhum de nós se comporta da mesma forma enquanto parte de um casal como quando funciona a solo. Podemos ter padrões de comportamento característicos quando estamos sós, mas no momento em que nos encontramos com o nosso parceiro, um certo tipo de energia dinâmica põe-se em movimento e nós nos comportamos de formas particulares, que por vezes se tornam bastante visíveis na companhia de outras pessoas.”
Peço a alguns casais que no meio de uma grande crise perguntem aos amigos ou familiares mais próximos que digam o que acham deles como dupla; na maioria das vezes, apesar das brigas e conflitos, a unidade do casal continua aparecendo como perfeita e intacta para quem está ao redor.
A imagem do “foram feitos um para o outro” é uma força dificílima de dissolver. Se até os amigos ficam com pena do relacionamento acabar, como nós podemos ter forças para tanto?
O contrário também é verdadeiro: casais que não se agridem, que levam uma vida aparentemente sossegada podem passar uma sensação de conflito, mal- estar para as outras pessoas, mesmo sem dizer uma palavra desagradável um para o outro...
Os filhos, que são bem sensíveis a essa influência da entidade do relacionamento, têm essa percepção de conflito latente muito forte.
Empurrar a vida com a barriga, muitas vezes, significa evitar fazer uma ruptura nessa entidade autônoma que os relacionamentos longos ou especiais costumam se tornar.
Não é só uma questão de fazer um balanço de prós e contras, como fazemos com as outras áreas da vida: é questão de encerrar um ciclo da vida que tem vida própria.
E isso causa muito medo!
Amigos vocês provavelmente vão continuar a ser, ótimas pessoas também.
Então você pode estar sentindo pena não exatamente dele, que pode precisar do seu apoio, mas não da sua piedade; mas pena de quebrar o encanto, quebrar o cristal que se formou desde que vocês estão juntos.
Cristal através do qual você enxerga o mundo de uma maneira que fatalmente irá mudar.
Ter medo é compreensível, mas ele não deve paralisar a vontade de transformar a sua vida.
O medo é sábio por um lado, pois nos protege; mas por outro lado, ele pode adiar as nossas decisões realmente importantes. Pense em sua autonomia como pessoa, pense na sua liberdade como mulher e escolha qual o melhor caminho a seguir!
Um abraço,
Sônia Blota
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