* Tenho 20 anos apenas e muitas responsabilidades, trabalho durante o dia em contabilidade e a noite em uma locadora de vídeos (do meu pai), saio às 18h e entro às 18h30 na outra, vou dormir mais de meia noite. Tenho que administrar a locadora porque meu pai só confia em mim, não tenho tempo mais de estudar, descansar e nem namorar. O que eu faço, me ajude, me dê algumas dicas, pois nem aos finais de semana consigo descansar e não sei dizer não pro meu pai!
* Preciso de conselhos, pois há uma situação que me incomoda demais! Como leio as publicações desse site, achei que um conselho poderia me ajudar muito. Estou namorando já faz quase um ano, mas meu pai não aceita. Fala mal do meu namorado pra mim, complica minha vida, não me deixa sair, e quando tento retrucar não tem conversa, ele não me ouve. Acha que só ele tem razão, essas coisas. Fica me jogando contra meu namorado. Não agüento mais. O pior é que já é o segundo namoro, e no primeiro aconteceu a mesma coisa, tanto que acabei terminando. Sinto que se eu abaixar a cabeça, nunca vou conseguir ser feliz. Por que quando estou feliz com meu namoro ele tenta fazer alguma coisa e estraga tudo? Beijos e parabéns pelas matérias!
Pai herói ou padrasto?
A maioria das meninas cresce se comparando aos meninos (e perdendo na comparação), valorizando mais o masculino que o feminino, mais o pai do que a mãe, e desde cedo colocando esse pai em seu trono de poder! Essa cultura ainda é vigente na nossa sociedade e intensamente colaborada pelas mães, que reforçam a idéia da superioridade do homem, mesmo que inconscientemente.
Essas meninas, quando se tornam mulheres adultas, têm uma coisa em comum: durante uma parte de suas vidas, começando pela infância, elas acreditaram que sua função era fazer o “papai” feliz, obter a aprovação dele, e, infelizmente, se submeter a ele...
Lembrem-se que estamos falando sobre idéias e crenças que foram gravadas em nossas mentes, em nossos corpos e em nossos seres desde que nascemos, e que não é fácil se livrar delas.
As meninas não foram criadas para corrigir seus pais, nem para dizer não a eles. A maioria de nós foi criada para fazer o homem se sentir necessário, e demonstrar certa insegurança, certo desamparo, para que eles se arvorem em conselheiros e salvadores.
Vai aqui minha sugestão para uma grande virada de Ano Novo: a mudança cabe a você! É claro que um bom pai não pretende ser assim controlador ou teimoso, ele com certeza acha, e isso é sincero, que está apenas protegendo a filha querida. E pode ficar honestamente surpreso se você lhe indicar isso; quando ele diz que confia em você totalmente, no fundo está dizendo: “veja lá, não me decepcione!”
E a filha entra nesse jogo.
A chave para lidar com isso é começar a olhar a figura do pai menos como herói e mais como uma experiência em seu processo para obter o controle de si, de seus relacionamentos e de sua vida. E processo sempre inclui muitas tentativas e erros!
Tente maneiras diferentes de conversar com ele, isso sempre ajuda. Uma piada, mais que uma crítica, pode abrandar uma conversa difícil, às vezes.
Você não vai mudar seu pai, nem deixar de gostar dele; vai apenas se posicionar melhor diante dele, mudar as regras para que não entre mais no jogo da submissão. Você pode tomar conta de si mesma, demarcar seu espaço e sentir-se confiante sem precisar ser agressiva.
Então, aceita minha sugestão para mudar em 2007?
Um abraço,
Sônia