Meu filho mora na Inglaterra e vai chegar dia 22 para o Natal. Minha sobrinha que vive lá e o marido grego também estão chegando, e o Fe, que estuda em Boston, o Zé, filho da minha amiga Rosa, o Marcelo e a Lissa, de San Francisco, a Ju que veio de vez e vai morar no Rio, cidadãos planetários voltando prá casa...
São tantos...os que vão para o sul seguindo as estrelas e os que vêm do norte feito as andorinhas, trazendo um friozinho ainda pendurado nas asas. E os que vem do outro lado da cidade, os que só cruzam a rua, os que dividem o mesmo quarto. É Natal, tempo de voltar para casa!
Lembro do verso de uma música muito antiga da Françoise Hardy, L’Amitié, que você também deve conhecer por causa do filme, Invasões Bárbaras: Beacoup de mes amis sont venus de nuages, avec soleil e pluie comme seule baggage (Muitos dos meus amigos vieram das nuvens, trazendo na mala apenas o sol e a chuva...)
No skype ele pergunta: “Mãe, eu levo o quê de presentes?”
E fico pensando...neste Natal desejo que você possa voltar para casa e chegar carregado de presentes:
• Um coração generoso e visionário para brindar ao futuro de muitos, de todos, e transformar a ceia elegante e dourada num espaço borbulhante de mudanças...
• Alegria para compartilhar no almoço barulhento e risonho de mãe, pai, aquele tio que você não vê nunca vestido de Papai Noel, avó, primos correndo e derrubando tudo, gente brigando, gente fazendo as pazes, aromas de festa saindo do forno...
• Esperança sim, mas mais do isso, força e coragem para desenhar um horizonte largo, bem azul, e fazer com ele uma guirlanda de luz que vai enfeitar a entrada da casa às escuras...
• Amor para fazer ninho num cantinho perto da janela do apartamento, de onde você possa assistir a cidade virar presépio e comungar o mesmo céu com o vizinho, aquele Outro, ainda que desconhecido, com quem a gente divide a humanidade...
• Uma semente para plantar com cuidado a sua flor no quintal do planeta...
• Um olhar compassivo para incluir os que tentam extrair o Natal à força do fundos dos becos, das ruas, dos buracos, da loucura, da falta de perspectivas...
• E serenidade para acolher dentro de si mesmo, mais uma vez, esse viajante exausto, colocá-lo no colo, enxugar suas lágrimas e fazê-lo adormecer contando histórias de amanhãs...porque, você sabe, nossa casa nunca está realmente longe...
Feliz Natal para todos vocês!
Para ver Françoise Hardy cantando L´amitié
Para quem não conhece Françoise Hardy
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