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Tire suas dúvidas sobre menstruação
Chega de choro, meninas!
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Chorar faz bem para a alma, mas é péssimo para sua imagem no ambiente de trabalho. Aprenda a lidar com isso.

OK, todo mundo já desconfiava que aquilo que nos torna esses seres maravilhosamente compassivos e solidários com os sofrimentos dos outros, sensíveis e eternamente disponíveis para longas conversas sobre relações humanas é o fato simples de que desde meninas temos licença para chorar...

Sim, senhoras, chorar, segundo os especialistas, funciona não apenas como válvula de escape para as emoções, mas também como porta de acesso aos nossos sentimentos. Ou seja, as lágrimas liberam emoções que de outra forma seriam reprimidas e nos tornam conscientes da vasta gama de sentimentos que os humanos compartilham....aliás, não é sem razão que o choro é considerado A emoção humana por excelência. Está certo que ainda tem gente que afirma ter visto elefantes chorarem antes de morrer, mas ninguém sabe dizer se essas lágrimas são mesmo “de emoção” ou se não passam de “funcionalidades”, reações automáticas à dor ou como quando a gente chora ao cortar cebola...

Lágrimas são bençãos que fazem bem para a alma, nos identificam como humanos razoáveis e compassivos e ainda mantém nossos olhos brilhantes e limpos.

Além desses benefícios mais do que evidentes, estudos sugerem que as lágrimas tem um papel importante no nosso equilíbrio interno. Em um desses livros científicos, que acabam caindo no gosto popular, Crying, the Mystery of Tears, o bioquímico americano Dr. William H.Frey II, identificou que as lágrimas de emoção contém mais proteínas hormonais do que o choro “natural”, aquele cuja função é só lavar o olho. Essas substâncias químicas estão comumente associadas ao stress e a descoberta indica que eventualmente o choro de emoção possa ser uma tentativa do organismo de preservar o equilíbrio químico do corpo, eliminando o excesso dessas substâncias.

Chorar definitivamente faz bem, obrigada... e nós, mulheres, damos um banho de lágrimas nos homens: choramos quando estamos tristes, quando estamos zangadas, choramos na TPM, choramos quando o sol brilha, quando vemos bebês fofinhos e filmes água com açúcar. Choramos mais, por mais tempo e com mais intensidade do que eles...ótimo? Nem tanto.

Ao menos em um lugar, chorar é definitivamente sinal de incompetência e fraqueza: no trabalho. Sobretudo quando as lágrimas respondem a sentimentos de frustração ou raiva.

E nem é porque emoção não combina com a imagem racional que a gente faz dos ambientes profissionais. Ninguém questiona a competência do executivo que verte algumas lágrimas discretíssimas ao receber um prêmio e está certo esconder os olhos úmidos atrás de óculos escuros no enterro do chefe, por exemplo.

Mas chorar, assim como ter um ataque de raiva, é uma resposta errada para a maior parte dos conflitos que acontecem nas empresas. “Gostamos da idéia de que há espaço para essas emoções tão humanas e tão reais entre as paredes de uma empresa”, alerta a consultora e terapeuta Lois Frankel, no seu livro super bem-humorado Mulheres Ousadas Chegam Mais Longe, “mas isso não é verdade. As pessoas fazem associações negativas com as reações de choro no ambiente de trabalho”.

E ainda que não existam seminários e workshops específicos para lidar com o choro, encontrei algumas boas dicas para melhorar nossa resposta automática a insultos e frustrações.

• Não é bem verdade que a gente chora sem saber por quê. Em geral, o que acaba acontecendo é que trocamos raiva por lágrimas. Nenhuma receita mágica nesse caso, apenas muita auto-observação para identificar aquelas situações-armadilhas, que com certeza vão derrubar você. Aquele seu colega tira você do sério? Prepare-se antes, ensaie respostas-padrão, pratique uma postura mais autoconfiante diante do espelho -- minha cunhada, terapeuta e consultora de empresas, garante que, embora meio esquisito no início, o truque funciona. E, com o tempo, essa reação acaba ficando automática...

• Tem uma vida lá fora, sabia? Esse é um dos mais simples e geniais conselhos que já recebi. Mulheres muitas vezes se dedicam demais ao trabalho. E se ressentem quando os outros não valorizam seu esforço e sua absoluta e incansável dedicação. Lois Frankel acredita, inclusive, que essa postura de formiga atrapalha os seres femininos, que acabam se escondendo atrás de tarefas rotineiras e nem percebem as oportunidades que estão bem diante dos seus narizes. Formigas se frustram e, na falta de alternativas mais produtivas, colocam a culpa nos outros por isso. Resultado? Lágrimas ao menor toque...Mergulhe na vida, irmã...vá ao cinema, saia com as amigas, nunca fale de trabalho na hora da pausa para o café...eventualmente, você vai conseguir não se cobrar tanto e nem se magoar tanto com a “displicência” dos outros...Afinal, nem tudo é pessoal, a maior parte das vezes, realmente é just business, negócios apenas, combinado?

• Choramos de exaustão. É sério! Eu, por exemplo, sou mãe de 4 filhos, tenho casa, cachorro, gato para cuidar, sou jornalista, escrevo essa coluna, mas vivo tentando fazer hora-extra como braço direito de Deus. O resultado? Rugas de cansaço, meses sem poder nem passar perto da geladeira e um estoque sem fim de lenços de papel na bolsa...Aprender a surfar nas ondas da vida e deixar os outros fazerem sua parte é o melhor antídoto para esse tipo de onipotência feminina...ajuda muito também um mínimo de organização e uma atualizadíssima agenda, é claro!

 E se não tiver jeito? Todas nós em algum momento vamos ser derrubadas pelo choro. O ideal seria que nessa hora sobrasse um fiapo de dignidade para dizer algo elegante como: “desculpe, podemos discutir esse assunto mais tarde?”. Mas se não der, jamais entre no banheiro, é constrangedor, acredite! Saia da sala, vá dar uma volta no quarteirão, coma um petit gâteau na doceira mais próxima, ...na volta, peça desculpas. Sem choro...

• Se os rapazes conseguem... sim, vale a pena observar como eles reagem na tal hora do insulto e da frustração. Está certo que os workshops sobre “como lidar com a raiva e preservar cadeiras, computadores e queixos alheios” são feitos para administrar as fúrias deles, mas de qualquer modo, na hora H, sempre é bom reconhecer a própria raiva, respirar fundo, olhar no olho do outro e...confesso que não sei bem o que pode vir depois, além de uma úlcera...mas imagino que deve ser por isso que eles gostam de squash e box! Prefiro champanhe, cheesecake com calda de framboesa...e o ombro de uma amiga para chorar!!!

Para saber mais:

Um blog (em inglês) só para nós, mulheres que trabalham

Nada de choro...

O que o choro das mulheres revela

O livro de Lois P. Frankel, Mulheres Ousadas Chegam mais Longe, da editora Gente é excelente fonte de bons conselhos!


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