Dá para encontrar tesouros nos bazares que acontecem na cidade
Final de ano é tempo de bazar...Todos os dias chega um convite.
E existem muitas razões para aceitar: bazares tem um jeitão improvisado e alegre, nada a ver com lojas, e, mesmo os mais chiques, dispensam o formalismo cool das exposições de arte, são uma mistura encantada de feira livre com hora do chá, bem coisa de mulher...
É evidente que nem todos, mas os que eu mais curto, ainda mais à tarde, viram lugares de encontro, de conversa sem tempo, de trocas de fazeres e de afetos...
Sábado fui a um, assim...E saí de lá convencida de que com um pouco de sorte, quem sabe eu consigo escapar dos shoppings lotados de produtos sempre tão “pasteurizados” nesse Natal...
E como melhor do que comprar aquela “coisa” sensacional, única e original, é depois contar para as amigas, aí vão minhas descobertas de sábado para vocês.
Patchwork muito muito chic
Adoro patchwork! Na casa da minha avó tinha um quarto de costura, de lá saíam as roupas de brincar e os vestidos de festa das moças, nenhum retalho de tecido era perdido. Tudo virava manta, virava colcha, panos feitos para aconchegar...
As meninas ajudavam, cortando os quadrados de pano; padrões diferentes exigiam moldes, feitos em papelão e guardados em caixas grandes e coloridas...dizem que as mulheres usavam a costura como pretexto para se libertar, ainda que por alguns breves momentos, das tarefas do cotidiano, apertado feito um espartilho e duro feitoponta de faca;
Sozinhas, elas mergulhavam as dores e a saudade nas linhas; juntas, compartilhavam padrões e desenhos, projetos e sonhos...
As peças de patchwork de Ana Morelli não tem nada a ver com qualquer imagem que você tenha de colcha de retalhos.
Os panos são finíssimos, exóticos, de cores e brilhos quentes...nas mãos de Ana, viram caminhos de mesa, toalhas, almofadas...
Panos alegres
Logo ao lado, Lily também vende suas peças em patchwork.
São toalhas que riem, feitas de colagens de frutas e flores, sacos, daqueles de farinha, costurados uns aos outros com delicados pontos de renda, piquês -- sabe aquele tecido de avó? – entremeados de fitas, tudo cheio de sol...
Cerâmicas de bordar
E lá no alto da casa improvisada, encontro a ceramista Caroline Harari que me dá uma aula sobre o significado que esse “fazer” feminino tem para mulheres lá longe, nos cantinhos desse Brasil.
Ela fala das rendas brasileiras, de sonhos de agulha e linha, de pontos que contam histórias, umas tristes, outras pitorescas, outras engraçadas...pontos que falam de amor, do marido que a gente sonha ter, do futuro risonho...
Caroline pega as rendas e molda-as em barro, a trama marcando a terra cor de pérola. Coisa de fada...
Decidi ali mesmo que minhas amigas iam ganhar panos de presente neste Natal, tecidos, costuras, trabalhos de linha, liguagem refinadíssima, fala de mulheres...
Quem sabe nos vemos por aí, você e eu, nós, em algum desses bazares mágicos?
Caroline Harari já expôs seu trabalho com barro e rendas em várias ocasiões. Neste site, de uma mostra no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, você descobre mais sobre a artista e sua obra.
No site de Ana Morelli, você conhece o trabalho dela e pode fazer encomendas, trocar e-mails...
Lily vive em Porto Feliz, interior de São Paulo. Você entra em contato com ela por e-mail: lily@portofeliz.com.br
Para saber mais
Existem vários grupos de patchwork no Brasil. Agora mesmo muitos deles estão reunidos no 9º. Festival Brasileiro de Quilt e Patchwork, em Gramado, no Rio Grande do Sul
Site Patchwork, em português, que ensina várias técnicas
Outro site, também em português para você se iniciar nos pontos dessa arte
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