Estou me correspondendo há algumas semanas com uma pessoa via internet. Sou casada e tenho filhos, mas esta nova experiência está tão gostosa que não consigo parar. Até já conversamos algumas vezes por telefone. Ele mora em outro país, mas mesmo assim quer me conhecer e disse que virá logo para o Brasil. Acho que estou me apaixonando. O que faço?
Traição Virtual
Há muitos aspectos envolvidos nesse tema de traição virtual.
O primeiro deles, embora não vá ser alongado nessa reposta de hoje, diz respeito ao significado da traição.
Para alguns, pensar em outra pessoa que não seja aquela com quem estamos no momento já é traição.
Para outros, pensar é apenas fantasiar, e para ser caracterizada uma traição deve haver algo feito, uma ação, que pode ser um encontro, um beijo ou o ato sexual.
Nesse caso, como ficam os encontros virtuais?
Trocar mensagens numa sala de bate-papo ou trocar e-mails com um desconhecido é uma fantasia ou uma ação?
Deixarei essa reflexão para outra coluna, pois hoje falo com alguém que ainda nem chegou nesse dilema de consciência, porque ainda chama a correspondência de algumas semanas de gostosa experiência...
A leitora experimenta um sabor novo, o sabor do inesperado, da surpresa, usando como talheres a curiosidade e o prazer, como faz uma criança com um novo brinquedo.
Universo virtual
O mundo da Internet é ilimitado, e isso pode descortinar todo um universo de possibilidades sem culpa para aquelas pessoas com valores como fidelidade e exclusividade no relacionamento.
Nesse mundo virtual não há estado civil, nem idade definida. Tabus são quebrados e nem sempre as pessoas são o que dizem ser.
Quantos heterossexuais se correspondem durante muito tempo com alguém que acreditam ser do sexo oposto e na verdade não são?
Brincar é bom, e deve ser feito de vez em quando pra soltar amarras, para lembrar que somos criativos e flexíveis.
Mas quando a novidade se tornar necessidade, quando a espera se tornar urgência, quando a brincadeira com fogo começar a queimar, precisará entrar nesse cenário o adulto responsável pelos seus atos.
Aquela parte de nós que faz escolhas conscientes e não se esconde atrás do “eu não sabia o que estava fazendo”.
Nesse mundo sem limites dos internautas anônimos, tenha certeza que você terá condições de puxar as rédeas se precisar parar o galope.
Perceba como anda o espaço para o novo na sua vida, se não está faltando outros prazeres mais leves, alguma coisa que você faz só pra você mesma, pelo impulso, pelo suspiro de paixão e que você tenha mais controle.
Nem toda brincadeira gostosa tem que parar, mas fingir que nada disso tem conseqüências, sim.
Um abraço,
Sonia
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