Sou casada há 09 anos, mas um amor do passado me tira do sério. Não nos vemos há anos, mas nos comunicamos via e-mail. Ele também está casado. É possível amar duas pessoas, ou será que estou ficando louca?
Entre dois amores
Num mundo que fosse totalmente comandado pelo coração, não seria tão sofrido se apaixonar por duas pessoas diferentes.
Não haveria tanto segredo em torno disso, todos seriam livres para amar as melhores características da outra pessoa, haveria “muitas tampas certas para cada panela” e a escolha seria alegre e sem culpa.
Nesse mundo de razão total em que vivemos, a situação nos divide ao meio, tirando nossos pensamentos do lugar, fazendo com que pareça que a nossa vida é improvisada, artificial.
Não é raro que as pessoas não se sintam bem mesmo com nenhum dos dois amores, porque quando se está com um, se pensa no outro, e quando se está com o outro, se sente culpada, achando que não tem o direito de viver isso, que é uma atitude muito errada. Todo mundo sai magoado no fim.
O melhor de cada um
Como seria se você pudesse assumir que, de um dos amores, o que você mais gosta são as palavras certas na hora certa, a paixão que atordoa, as surpresas?
Que, do outro, é aquele aperto gostoso de admiração, da cumplicidade pelos ideais de vida idênticos, da intimidade e do construir parcerias?
Como seria admitir que, no fundo, os dois completam você?
Porque, aqui entre nós, uma pessoa não é uma coisa só, como um bloco resolvido e fechado, é?
A pessoa é humana, o que significa ser formada de muitas partes, muitos aspectos nem tão preto no branco, muito mais para um arco-íris entre qualidades, defeitos e milhões de coisas cinzas a descobrir...
Como seria se não tivéssemos que escolher só um? E além de não descartar uma das possibilidades ter a coragem de viver os dois amores intensamente?
Nesse mundo totalmente comandado pelo coração seria mais que possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, seria até uma forma de tornar a vida mais colorida e saborosa.
Cor e gosto de fruta vermelha, como o sangue que pulsa tanto quando a paixão aparece que até as veias da nossa testa, nos lembram todo o tempo o quanto de vida está ali naquele momento!
Mas o nosso mundo é o da razão, que nos ameaça com a loucura, os prazeres que ela não entende, ou tem medo.
Em algum momento, você terá que escolher, talvez entre o feijão e o sonho. Permita-se pelo menos vislumbrar o quanto o amor poderia ser maior e mais arrebatador, se fossemos mais livres.
Mesmo que essa liberdade seja breve.
Um abraço
Sonia
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