Olá Sonia...
Namoro um moço há dois anos, nos damos relativamente bem. O problema é que a mãe dele o trata como um bebê, é ridículo, nunca discorda dele, põe comida no prato e revela todas as idiotices dele, dizendo que isso é coisa da idade e que ele é muito jovem. Detalhe, ele já tem 23, o que não é tão pouco assim. Acho que assim ele não cresce, temo um relacionamento mais sério. O que eu faço?
Mudança de Hábito
Atrás de toda mãe super-protetora, existe um filho imaturo. Atrás de toda sogra que não deixa o filho crescer, existe um homem que acha bom ser mimado dessa forma. Se em um namoro de 2 anos, o único problema é a maneira como a mãe dele o trata, será que você tem mesmo um problema? Quais são as outras questões que dificultam? Observando que você usa a expressão “nos damos relativamente bem”, então devem existir outras atitudes dele que demonstrem que ele precisa amadurecer, será que não?
Nós nos acostumamos com quase tudo, os estímulos que são muito agradáveis ou até prazerosos para nós se tornam hábitos. E hábitos são difíceis de mudar, porque eles são o recheio das nossas zonas de conforto.
O filho se habitua às gentilezas excessivas da mãe e por hábito espera que todas as mulheres o tratem assim. A mãe se habitua a imagem do filho, sempre pequeno, sempre precisando dos seus cuidados, e, a não ser que tenha amadurecimento para isso, pode demorar anos para entender que as coisas mudaram, que a criança cresceu e que ela precisa se dedicar mais a ela mesma do que ao seu eterno menino...
Fico preocupada com as conseqüências que os hábitos podem trazer para as pessoas: pense o que representa hoje esse hábito recente de falar no celular, por exemplo, é uma facilidade que está se tornando uma dependência, como se não pudéssemos mais viver sem estar com ele ligado todo o tempo, tendo que falar com alguém imediatamente, no cinema, no aeroporto, nas igrejas...
Quantos outros hábitos podem se tornar dependências? Seria bom refletirmos sobre como agimos diante disso. No seu caso, acredito que seu namorado terá que enxergar algo mais amplo no horizonte, além das facilidades que a mãe oferece. Somente em nome de algum valor maior é que ele poderá querer sair dessa situação, como acreditar que andar com suas próprias pernas, ou ter autonomia é mais importante que ter comidinha na boca.
Mas, não é fácil: quando em um prato da balança está ter tudo na mão, nada o contrariando, e no outro a dolorosa tentativa de ser dono do seu nariz, o que será que ele vai escolher? O que será que nós escolheríamos? E a escolha é dele, você pode, no máximo, mostrar que amadurecimento e liberdade são importantes, mas ele tem que sair da casca do ovo, sozinho. Se ele quiser mudar seu caráter.
Na Programação Neuro Lingüística (PNL) existe um pensamento sobre hábitos que gosto muito:
- Vigie seus pensamentos, porque eles se tornarão palavras;
- Vigie suas palavras, porque elas se tornarão atos;
- Vigie seus atos, porque eles se tornarão hábitos;
- Vigie seus hábitos, porque eles se tornarão seu caráter;
- Vigie seu caráter, porque ele será o seu destino!
Um abraço, Sonia.